Educação não é um termo unívoco, ou seja, compreende várias interpretações, tanto o ato ou efeito de educar, como a forma cortês de tratamento entre os seres e, ainda, o instituto dedicado à prestação do ensino. A última definição, por ora, é nossa pedra de toque.
Sempre foi profanado, nos mais diferentes meios de comunicação e informação, o fato de a educação ser a base da sociedade. Nada mais correto. Devemos saber, também, que os desdobramentos do ensino de qualidade não são imediatos, pois a crise educacional vivida pelo Brasil não teve como bojo a década de 90, mas sim as ações pretéritas erigidas pelo regime militar.
É fácil atribuir o fracasso presente ao passado, porém, indubitável a influência da repressão estudantil à vulgarização do ensino e ao desprestígio dos educadores. O tratamento da educação como mercadoria inicia por volta do ano de 1966, com a extinção da disciplina de filosofia nas escolas, bem como com a redução da carga horária das matérias de cunho humanístico, como história e geografia, e aumento das cadeiras ditas “exatas”.
Com o convênio firmado pelo MEC e USAID (United States Agency for International Development) pretendeu-se apenas passar conteúdo em detrimento da educação de qualidade. A necessidade, a partir de 64, era o fornecimento de conhecimento, sem a compreensão de mundo ou conhecimento pessoal, emocional e social, mas sim sapiência acerca de fatos objetivo, inutilizando os bancos acadêmicos como possibilidade de repensar a vida e a comunidade.
Outrora, pensar o certo e o errado não era salutar, ainda mais para os governantes à época. Entretanto, vê-se, hoje, idêntico caminho. Crianças, sejam das séries mais preambulares, já estão pressionadas, pela família ou pelos professores, a colher informação para obterem êxito no vestibular. Adultos correm freneticamente em busca de formação e diplomas, por vezes, pouco importando a formação altruística, quer-se, inexoravelmente, demonstrar o conhecimento por meio de documentos, enriquecendo o currículo.
Medida impositiva repensarmos os rumos educacionais. Devemos ressuscitar a figura do educador e da educação. Saber o conteúdo não é o mais relevante. A escola e a universidade não podem ser encaradas como meios de obtenção de certificados, e sim de discussão e manifestação de pensamentos, de questionamento e de postulações de outros rumos sociais.
A relação aluno e professor deve ser fomentada, diferentemente dos rumos tomados e governamentalmente defendidos, como o ensino à distância, que tolhe a relação mestre e pupilo, em desprestígio à troca de experiência e emergência ao conhecimento pronto e acabado.
Não podemos mais permanecer com a educação objetiva, antes sabermos somar pessoas do que somarmos números. A modificação dos hodiernos parâmetros educacionais faz-se premente, contudo, não esperemos os resultados de pronto, os quais virão após anos, ou talvez décadas, representados, certamente, pelo cotejo dos professores e das instituições de ensino e pela solidificação de uma sociedade madura, consciente e responsável.