8 dicas para usar a internet com segurança
Em 11 de fevereiro é celebrado o Dia da Internet Segura, uma iniciativa global que visa conscientizar a população sobre os riscos e boas práticas para proteger seus dados e sua privacidade online. Com cada vez mais aspectos da vida conectados ao mundo digital – desde redes sociais até transações bancárias –, torna-se essencial adotar medidas para evitar fraudes, golpes e vazamentos de informações.
A preocupação com a segurança digital tem fundamento. Dados da Surfshark mostram que, no terceiro trimestre de 2024, o Brasil registrou 5,1 milhões de contas online comprometidas, um aumento alarmante de 340% em relação ao trimestre anterior. Além disso, um estudo realizado pela Kaspersky em parceria com a consultoria Corpa revela que 58% dos brasileiros se preocupam com o vazamento de dados pessoais, mas não sabem como evitá-lo ou quais ferramentas utilizar para se proteger.
“Hoje falamos muito sobre internet segura, golpes virtuais, vazamentos de dados e ataques cibernéticos. Esses temas estão em destaque porque a internet se tornou uma necessidade básica. Costumo usar uma metáfora: preferiria que alguém invadisse sua casa e roubasse seu sofá ou que entrasse em sua conta do Instagram e apagasse todas as suas postagens? O que doeria mais?”, reflete Kenneth Corrêa, especialista em dados, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do livro “Organizações cognitivas: alavancando o poder da IA generativa e dos agentes inteligentes”.
Principais desafios enfrentados pelos consumidores
De acordo com Kenneth Corrêa, um dos maiores desafios enfrentados pelos consumidores é a dificuldade em compreender e gerenciar a quantidade de informações pessoais compartilhadas online. “Muitas pessoas acessam a internet sem plena consciência de como seus dados são utilizados ou para quem são repassados. A falta de transparência de algumas empresas e a complexidade dos termos de serviço dificultam que os usuários tomem decisões informadas sobre sua privacidade”, explica.
Quando as empresas coletam dados sem um consentimento claro, desrespeitam direitos fundamentais de privacidade. “Os riscos são diversos: desde o uso abusivo de informações para publicidade excessivamente invasiva até o vazamento de dados sensíveis devido a falhas de segurança. Essas situações podem resultar em consequências graves, como fraudes, roubo de identidade e perdas financeiras”, alerta o professor da FGV. Ele destaca que é essencial que as empresas adotem práticas mais seguras e transparentes para minimizar esses riscos.
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Proteção no ambiente digital
Com o avanço da tecnologia e o aumento dos crimes cibernéticos, garantir a segurança no ambiente digital se tornou uma prioridade. Confira, a seguir, algumas práticas essenciais para manter sua privacidade e segurança online.
1. Utilize senhas fortes e autenticação de dois fatores
Senhas fáceis, como “123456” ou datas de aniversário, ainda são amplamente utilizadas e representam uma grande vulnerabilidade. De acordo com um levantamento da NordPass, essas estão entre as senhas mais populares do mundo e podem ser descobertas por hackers em segundos. Para aumentar a proteção, crie senhas complexas e ative a autenticação de dois fatores (2FA) sempre que possível.
“Essa tecnologia adiciona uma camada extra de segurança ao exigir uma verificação adicional, como um PIN ou um token gerado no celular, impedindo o acesso não autorizado, mesmo que a senha seja descoberta. Infelizmente, apesar de ser uma ferramenta acessível e altamente eficaz, a 2FA ainda é muito pouca utilizada no Brasil”, explica Kenneth Corrêa.
2. Desconfie de e-mails e mensagens suspeitas
Golpes de phishing são um dos principais meios usados por criminosos para roubar dados pessoais e financeiros. E-mails com promessas de promoções irresistíveis, convites para resgatar um vale-compra de uma marca ou empresa famosa ou, até mesmo, mensagens do banco pedindo atualização de dados, todas pedindo para clicar no link, são apenas algumas das milhares de versões dos golpes de phishing que causam prejuízos financeiros a quem é vítima. Antes de clicar em links ou baixar anexos, verifique se a mensagem veio de uma fonte confiável.
3. Mantenha seus dispositivos atualizados
Softwares desatualizados são alvos fáceis para ataques cibernéticos. Certifique-se de manter seu sistema operacional, aplicativos e antivírus sempre atualizados para corrigir vulnerabilidades e garantir maior proteção.
“Hoje, as tecnologias existentes identificam vulnerabilidades em tempo real e utilizam algoritmos de IA (Inteligência Artificial) para garantir o anonimato dos dados, atendendo às exigências regulamentares da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais)”, pontua o especialista em tecnologia e martech leader da Keyrus, consultoria internacional especialista em Inteligência de Dados e Transformação Digital, Lucas Monteiro.
4. Limite a exposição de dados pessoais nas redes sociais
Informações como localização, nome completo e detalhes pessoais podem ser utilizadas por criminosos para golpes e ataques virtuais. Ajuste as configurações de privacidade das redes sociais e evite compartilhar dados sensíveis publicamente.
“É essencial que tanto empresas quanto consumidores compreendam a importância de proteger dados como nome, endereço, histórico financeiro e hábitos de consumo, garantindo conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”, menciona o especialista e CEO da Lina Open X, Alan Mareines.
5. Denuncie crimes e discursos de ódio online
A segurança digital também está relacionada ao respeito no ambiente online. Dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos revelam que mais de 293 mil casos de crimes de ódio na internet foram denunciados entre 2017 e 2022.
“Insultos, ameaças e perseguições têm se tornado comuns, principalmente em redes sociais e plataformas de games, onde a interação online é intensa. O impacto desse comportamento pode ser devastador, afetando a saúde mental e o bem-estar das vítimas. Infelizmente, em alguns espaços, esses ataques ainda são tratados como brincadeiras, ignorando os efeitos reais que causam” afirma o especialista em Saúde Mental no trabalho, Renato Herrmann.
6. Leia os termos de uso antes de aceitar
Os vazamentos de dados são cada vez mais frequentes, expondo informações sensíveis de empresas e usuários. Um exemplo recente é o ataque à Pirelli, que comprometeu dados de mais de mil clientes, sendo 146 brasileiros. No entanto, muitos usuários aceitam os termos de serviço sem entender o que estão autorizando.
“As pessoas precisam aprender a ler os termos de uso, especialmente as letras miúdas, entender quais permissões estão concedendo e adotar práticas mais seguras para gerenciar seus dados. As empresas, por sua vez, devem assumir um papel mais ativo na proteção das informações que coletam, investindo em segurança cibernética e transparência para evitar brechas e abusos”, orienta o especialista em tecnologia e CTO da IDK, Lucas Henrique.
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7. Evite redes Wi-Fi públicas sem proteção
Redes abertas podem ser exploradas por hackers para interceptar dados pessoais. Evite utilizar redes Wi-Fi públicas para transmitir dados pessoais; opte por conexões privadas ou, caso precise, use uma rede virtual privada (VPN) para garantir uma conexão segura. Revise regularmente as permissões concedidas a aplicativos no seu dispositivo, autorizando apenas o acesso às informações indispensáveis para seu funcionamento.
“Ao seguir essas diretrizes, é possível compartilhar informações com mais segurança, protegendo a privacidade e reduzindo, significativamente, os riscos de exposição ou uso indevido de dados pessoais”, ressalta Alan Mareines.
8. Mantenha backups regulares dos seus arquivos
Seus dados podem ser comprometidos por ataques de ransomware ou falhas técnicas. Salve cópias de segurança em dispositivos externos ou na nuvem para evitar a perda de informações importantes.
Por Letícia Carvalho