Cidade do RS fica cinco dias sem energia após ciclone e estima perdas de até R$ 7 milhões
Santa Vitória do Palmar, no Sul do Rio Grande do Sul, estima perdas de até R$ 7 milhões no comércio após ficar cerca de cinco dias sem energia elétrica na sequência da passagem de um ciclone, na quinta-feira (6).
A interrupção também atingiu o Chuí e provocou impactos na agropecuária e na pesca, além de afetar a rotina de moradores e a conservação de alimentos.
O temporal e os ventos fortes danificaram pelo menos 26 torres de transmissão na região da Lagoa Mirim.
Com o fornecimento interrompido, estabelecimentos precisaram fechar as portas, comerciantes registraram forte queda nas vendas e produtores tiveram de recorrer a recursos próprios para tentar manter as atividades.
Quanto o apagão pode causar de prejuízo?
O cálculo de até R$ 7 milhões em perdas no comércio faz parte de um levantamento elaborado pelo município para embasar o pedido de decreto de emergência.
Segundo a Associação Comercial e Industrial de Santa Vitória do Palmar, o impacto não se resume ao dinheiro que deixou de entrar durante os dias sem energia.
A interrupção também pode comprometer o capital de giro das empresas, provocar cancelamento de pedidos, afastar consumidores e adiar investimentos.
Para o presidente da entidade, Marco Petruzzi, a paralisação teve efeito amplo sobre a economia local.
“Temos de lembrar que vamos ter uma redução de capital de giro. Vamos ter perda de clientes, cancelamento de pedidos, vamos ter um comprometimento de investimentos. Então, a cidade praticamente parou.”
Comércio teve lojas fechadas e queda nas vendas
O centro de Santa Vitória do Palmar perdeu movimento durante o período de interrupção no fornecimento.
Alguns estabelecimentos precisaram fechar, enquanto outros tiveram de lidar com custos adicionais para tentar preservar produtos e manter as operações.
Em um açougue, o proprietário estima que as vendas tenham recuado entre 70% e 80%.
O comportamento dos consumidores também mudou. Com receio de uma nova interrupção e de perder alimentos armazenados, moradores reduziram as compras e passaram a adquirir apenas o necessário para o consumo imediato.
Apagão também afetou conservação de alimentos
Além da queda nas vendas, a falta de energia criou uma preocupação doméstica: como conservar alimentos que dependem de refrigeração.
Uma moradora conta que passou a comprar comida apenas para o consumo diário, evitando fazer estoques em casa.
Agropecuária acumula prejuízos
O setor agropecuário também foi atingido pelo apagão. A Emater estima perdas de aproximadamente R$ 630 mil na atividade rural.
Produtores precisaram utilizar recursos próprios para manter o funcionamento das propriedades e reduzir os efeitos da interrupção de energia sobre as atividades produtivas.
Pesca também foi prejudicada pela falta de energia
A pesca é outra atividade econômica atingida em Santa Vitória do Palmar. Segundo Alexandre Ludwig dos Santos, presidente da Colônia de Pescadores Z-16, muitos trabalhadores dependem de equipamentos elétricos para produzir gelo e conservar o pescado.
Sem energia, parte da produção acabou comprometida, afetando uma cadeia que depende de armazenamento.
O que acontece agora?
O município utiliza o levantamento dos prejuízos para fundamentar o pedido de decreto de emergência. A estimativa de perdas no comércio, somada aos impactos na agropecuária, pesca e demais atividades, deverá compor o diagnóstico dos efeitos provocados pelo evento.
A dimensão final do prejuízo pode depender da consolidação dos levantamentos realizados pelos diferentes setores afetados. O valor de R$ 7 milhões, portanto, corresponde à estimativa apresentada para as perdas comerciais.
















