Nova expedição inicia monitoramento de baleias e golfinhos no Litoral do RS; entenda motivo

Nova expedição inicia monitoramento de baleias e golfinhos no Litoral do RS; entenda motivo

Bacia de Pelotas: nova expedição inicia monitoramento de baleias, golfinhos e tartarugas no litoral do RS

Uma nova etapa das pesquisas sobre a biodiversidade marinha começou na madrugada desta quarta-feira (23) na Bacia de Pelotas, área oceânica que se estende em frente ao litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e que também é alvo de estudos sobre o potencial petrolífero.

Coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a expedição reúne 26 profissionais a bordo do Navio Oceanográfico Atlântico Sul para monitorar baleias, golfinhos, tartarugas e outras espécies marinhas, além de avaliar possíveis impactos ambientais relacionados às pesquisas sísmicas autorizadas pelo Ibama.

O trabalho faz parte do projeto Biodiversidade, uma das condicionantes do licenciamento ambiental federal para a campanha de aquisição de dados geológicos realizada pela empresa norueguesa TGS na Bacia de Pelotas.

Onde fica a Bacia de Pelotas e por que ela importa?

A Bacia de Pelotas ocupa uma extensa faixa do oceano em frente ao litoral do Rio Grande do Sul, abrangendo desde o extremo sul gaúcho até o norte de Santa Catarina. É justamente nessa região que estão municípios como Rio Grande, São José do Norte, Mostardas, Tavares, Palmares do Sul, Cidreira, Tramandaí, Imbé, Capão da Canoa, Arroio do Sal e Torres.

Por isso, embora a pesquisa seja conduzida em alto-mar, ela tem relação direta com o litoral gaúcho, tanto pelo aspecto ambiental quanto pelas futuras discussões sobre exploração de petróleo, pesca e conservação da fauna marinha.

O que será pesquisado durante a expedição?

Nesta segunda fase, os pesquisadores voltarão aos mesmos pontos monitorados na primeira campanha para comparar dados ecológicos ao longo do tempo.

Entre as atividades previstas estão:

  • identificação de espécies marinhas;
  • coleta de amostras biológicas;
  • censos populacionais da fauna;
  • análises ecológicas;
  • monitoramento de baleias, golfinhos e tartarugas por telemetria.

Segundo o oceanólogo e professor da Furg Eduardo Secchi, os animais serão acompanhados por satélite para compreender seus deslocamentos, áreas de alimentação, reprodução e padrões de mergulho durante períodos com e sem atividade sísmica.

Como funciona a telemetria das baleias e golfinhos?

A telemetria utiliza sensores e transmissores instalados temporariamente em alguns animais para enviar informações via satélite.

Com essa tecnologia, os pesquisadores conseguem acompanhar em tempo real os movimentos de espécies como cachalotes e baleias-piloto, identificando rotas migratórias e áreas ecologicamente importantes do Atlântico Sul.

Esses dados ajudam a avaliar se a atividade humana pode alterar o comportamento da fauna marinha e servem de base para futuras decisões ambientais.

Primeira fase percorreu mais de 12 mil quilômetros no mar

O projeto teve início em março deste ano, quando o Atlântico Sul partiu do Porto do Rio Grande para a primeira campanha científica.

Ao longo de quatro cruzeiros oceanográficos, a embarcação percorreu:

  • 38 transecções marítimas;
  • 130 pontos de coleta;
  • 6.654,6 milhas náuticas navegadas;
  • cerca de 12,3 mil quilômetros de percurso.

As pesquisas ocorreram desde águas rasas, com aproximadamente 10 metros de profundidade, até áreas oceânicas superiores a 4 mil metros.

Expedições seguem até dezembro

A nova etapa será dividida em seis expedições entre setembro e dezembro.

Durante esse período, o navio fará paradas programadas nos portos de Rio Grande e Itajaí para reabastecimento de combustível, água, alimentos e troca das equipes científicas e operacionais.

Cada missão embarca 26 pessoas: 13 pesquisadores — entre oceanógrafos, biólogos e estudantes — e 13 profissionais responsáveis pela operação da embarcação.

Qual é a relação com a pesquisa de petróleo?

O monitoramento ambiental ocorre paralelamente ao levantamento do potencial petrolífero da Bacia de Pelotas, realizado pela empresa norueguesa TGS.

A companhia possui autorização para adquirir dados geológicos em uma área marítima de aproximadamente 105 mil quilômetros quadrados, etapa que antecede qualquer eventual leilão ou exploração de petróleo.

O projeto de biodiversidade atende justamente às exigências do licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Pesquisa sísmica está temporariamente suspensa

Embora o monitoramento científico esteja em andamento, a campanha sísmica permanece temporariamente interrompida entre 10 de agosto e 10 de outubro.

A pausa foi determinada como condicionante ambiental para reduzir possíveis impactos sobre a fauna marinha durante o período de maior atividade pesqueira no litoral gaúcho.

Segundo a TGS, a suspensão já fazia parte do cronograma e não altera o planejamento geral da campanha, prevista para seguir até 2028.

O que muda para o litoral do Rio Grande do Sul?

Para os moradores do Litoral Norte e Sul, a nova expedição não representa o início da exploração de petróleo, mas sim uma etapa de produção de conhecimento científico sobre uma das regiões marinhas mais importantes do Estado.

Os dados coletados poderão auxiliar na identificação de áreas prioritárias para conservação, no entendimento das rotas de baleias e golfinhos e na avaliação dos impactos ambientais antes de qualquer decisão futura relacionada à atividade petrolífera na Bacia de Pelotas.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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