Barragem de São Marcos tem risco de rompimento afastado e 185 moradores podem voltar para casa

Barragem
Foto: Corsan/Divulgação

Barragem deixa situação de emergência e 185 moradores são autorizados a voltar para casa no RS

Os 185 moradores retirados preventivamente da área de risco em São Marcos, na Serra Gaúcha, foram autorizados a retornar para suas residências no domingo (27), depois que o risco de rompimento da Barragem São Luiz foi afastado.

A estrutura passou da situação de emergência para situação de alerta na noite de sábado (26), enquanto os trabalhos de reparo e monitoramento continuam.

A mudança ocorreu após a redução do nível da água e a realização de intervenções nas fissuras identificadas na estrutura. Segundo a Corsan, concessionária responsável pela barragem, a avaliação técnica permitiu reduzir o nível de emergência por volta das 23h de sábado.

Apesar da liberação dos moradores, a barragem ainda não voltou à rotina normal. O acesso à estrutura permanece restrito, e as equipes continuam mobilizadas para acompanhar as condições do reservatório e executar os reparos necessários.

O que mudou na situação da barragem

A Barragem São Luiz entrou em situação de emergência na quarta-feira (23), depois que equipes identificaram fissuras com vazamento no vertedouro e em partes do contraforte. A possibilidade de ruptura levou à retirada preventiva de moradores das áreas que poderiam ser atingidas em caso de colapso.

Naquele momento, a Defesa Civil estadual emitiu alerta vermelho com orientação para evacuação das áreas de risco. As comunidades de São Luiz e Teodoria estavam entre as áreas consideradas potencialmente atingidas.

Com a redução do nível da água e o avanço dos reparos, o cenário foi gradualmente estabilizado. Na sexta-feira (25), a Corsan já havia informado que o risco de rompimento estava afastado, embora os moradores ainda precisassem permanecer fora de suas casas até que os critérios necessários para a mudança da situação de emergência fossem atendidos.

Como foi feita a redução do nível da água

A operação envolveu uma estrutura de equipamentos para retirar água de maneira contínua e controlada, reduzindo a pressão sobre a barragem.

Seis máquinas atuaram na drenagem, além da abertura do descarregador de fundo e da utilização de bombas, mangotes e geradores de energia de alta potência.

A capacidade de retirada chegou a aproximadamente 3,2 milhões de litros de água por hora. Duas bombas flutuantes disponibilizadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (Dmae) também foram levadas para São Marcos e permaneceram como reforço operacional.

A drenagem foi conduzida de forma controlada para evitar sobrecarga no Rio Jaguari e, ao mesmo tempo, preservar o volume necessário para manter a operação da barragem e o abastecimento de água do município.

Mergulhadores ajudaram nos reparos das fissuras

Uma das etapas foi realizada por mergulhadores, que conseguiram inspecionar áreas internas do vertedouro e do contraforte.

O trabalho permitiu antecipar o reparo das fissuras sem que fosse necessário esperar a redução completa do nível do reservatório.

Com as intervenções realizadas e a avaliação técnica das condições da estrutura, foi possível avançar da situação de emergência para o estado de alerta.

Por que os moradores precisaram deixar suas casas?

A retirada preventiva ocorreu porque as fissuras identificadas na estrutura levantaram a possibilidade de ruptura da barragem. A medida fazia parte do protocolo de segurança adotado pelos órgãos responsáveis diante do risco identificado.

As primeiras informações apontavam que cerca de 170 moradores haviam sido retirados. O número chegou a 185 pessoas ao longo da operação, todas vinculadas às áreas consideradas de risco.

Durante o período de emergência, as famílias foram encaminhadas para casas de parentes ou hospedagens, conforme as necessidades de cada grupo.

A mobilização ocorreu depois de um episódio de chuva intensa que elevou significativamente o nível do reservatório. Segundo informações divulgadas durante a operação, foram registrados cerca de 170 milímetros de chuva na região em um curto intervalo, contribuindo para a elevação da água e para a pressão sobre a estrutura.

Abastecimento de São Marcos foi mantido

Apesar da necessidade de reduzir o nível do reservatório, o abastecimento de água de São Marcos não foi interrompido.

A drenagem foi planejada para retirar água sem comprometer o volume necessário para a operação da Estação de Tratamento de Água responsável pelo abastecimento do município.

A estratégia permitiu conciliar duas necessidades durante a emergência: diminuir a pressão sobre a estrutura da barragem e manter o serviço de abastecimento funcionando.

Rodovia Padre Pedro Rizzon foi liberada

A Rodovia Padre Pedro Rizzon, na localidade de São Luiz, também foi liberada no sábado (26), depois de permanecer interditada durante a situação de emergência.

O trânsito passou a ser controlado pelo Comando de Polícia Rodoviária da Brigada Militar. Os motoristas podem seguir em direção a Criúva, em Caxias do Sul, ou no sentido contrário, para São Marcos.

Os acessos secundários próximos à barragem continuam bloqueados, já que a área da estrutura permanece restrita.

Escola teve aulas transferidas durante a emergência

A situação também provocou mudanças na rotina escolar do município.

As aulas da Escola Municipal Antônio Pecini foram transferidas temporariamente para o Colégio Estadual São Marcos. Ao todo, 220 alunos foram afetados pela medida.

A mudança ocorreu enquanto as áreas próximas à barragem permaneciam dentro do protocolo de emergência.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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