Bebê de 4 meses morre em Osório e família acusa falhas no atendimento; caso gera revolta
A morte de uma bebê de quatro meses provocou comoção e momentos de tensão na manhã desta segunda-feira (20), no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Osório.
A criança estava internada com um quadro respiratório grave e teve solicitado um leito de UTI Pediátrica, mas a transferência não ocorreu antes do óbito. A família acusa negligência e pede uma investigação sobre os atendimentos prestados à menina.
Após a confirmação da morte, familiares e pessoas próximas à criança, revoltados com o desfecho, entraram em uma área da instituição e houve danos à estrutura. Também há relato de que profissionais teriam sido agredidos durante a confusão.
A Brigada Militar foi acionada e permaneceu no hospital até o início da tarde para atender a ocorrência e controlar a situação.
Do lado de fora da instituição, familiares, amigos e moradores se reuniram em meio à comoção e cobraram esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.
Qual era o quadro de saúde da bebê?
De acordo com as informações disponíveis sobre o caso, a criança estava internada com diagnóstico de bronquiolite viral aguda grave associada à pneumonia viral, com evolução para insuficiência respiratória aguda.
Durante a internação, houve piora progressiva do quadro clínico. Com o agravamento, foi necessária a realização de intubação orotraqueal e o início de ventilação mecânica invasiva.
A bronquiolite viral aguda é uma doença respiratória que atinge principalmente crianças com menos de dois anos e provoca inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. O vírus sincicial respiratório (VSR) está entre os principais agentes associados à doença.
Casos graves podem exigir internação e suporte hospitalar, especialmente quando a criança apresenta dificuldade respiratória. A gravidade e a evolução, porém, variam de paciente para paciente.
Transferência para UTI Pediátrica foi solicitada
Diante da piora clínica da bebê, foi solicitada com urgência uma vaga em UTI Pediátrica para a continuidade do tratamento especializado.
A transferência, porém, não ocorreu antes da morte da criança.
A existência de um pedido de transferência e o fato de ele não ter sido concretizado a tempo deverão estar entre os pontos a serem esclarecidos na apuração do caso. Até que haja uma investigação técnica, não é possível estabelecer se a ausência da transferência teve relação direta com o óbito.
Família afirma ter procurado atendimento quatro vezes
Um dos principais questionamentos apresentados pelos familiares envolve o atendimento prestado antes da internação e do agravamento definitivo do quadro.
Segundo a família, a bebê teria sido levada para atendimento em quatro oportunidades antes de seu estado de saúde se tornar crítico.
Os familiares acusam negligência e defendem uma investigação para determinar se os sinais apresentados pela criança foram avaliados adequadamente nas consultas anteriores e se alguma conduta diferente poderia ter sido adotada.
A análise do caso dependerá do levantamento de prontuários, horários dos atendimentos, avaliações realizadas, evolução dos sintomas, condutas adotadas e procedimentos relacionados à solicitação de transferência.
Confusão ocorreu após confirmação da morte
A confirmação do óbito provocou momentos de tensão dentro do Hospital São Vicente de Paulo.
Familiares e pessoas próximas à criança entraram em uma área da instituição durante a revolta que se seguiu à morte. Houve danos à estrutura e relatos de agressões contra profissionais.
A Brigada Militar foi chamada para atender a ocorrência. As circunstâncias da confusão e eventuais responsabilidades pelos danos e agressões também poderão ser apuradas pelas autoridades.
O que precisa ser esclarecido sobre o caso?
A morte da bebê envolve diferentes pontos que ainda dependem de esclarecimento oficial.
- Quais foram as datas e os horários dos atendimentos anteriores relatados pela família;
- quais sintomas a criança apresentava em cada uma dessas ocasiões;
- quais avaliações e condutas médicas foram adotadas;
- quando ocorreu a internação e como evoluiu o quadro clínico;
- em que momento foi solicitada a vaga em UTI Pediátrica;
- como ocorreu a busca por um leito especializado;
- e quais foram as circunstâncias médicas que levaram ao óbito.
Essas respostas são fundamentais para diferenciar as acusações apresentadas pelos familiares dos fatos que poderão ser comprovados por documentos, prontuários e análises técnicas.
Hospital ainda deve apresentar sua versão
Até o fechamento desta reportagem, não havia sido localizado um posicionamento oficial público do Hospital São Vicente de Paulo sobre as acusações feitas pela família.
O espaço permanece aberto para manifestação da instituição e das autoridades de saúde responsáveis, especialmente para esclarecer o histórico dos atendimentos, a evolução clínica da criança e os procedimentos adotados para a tentativa de transferência a uma UTI Pediátrica.
A reportagem também acompanha possíveis manifestações das autoridades sobre a confusão registrada após a morte da bebê.
A matéria será atualizada caso sejam divulgadas novas informações oficiais sobre a investigação, o atendimento médico ou a ocorrência registrada no hospital.
















