Polícia abre inquérito para investigar morte de bebê de 3 meses em UPA de Canoas
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar a morte de Lucas Gabriel Miranda da Rosa, de três meses, ocorrida em 13 de agosto de 2026 na UPA Boqueirão, em Canoas, no Rio Grande do Sul.
A apuração está sob responsabilidade da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e busca esclarecer as circunstâncias do atendimento recebido pelo bebê antes do óbito.
O caso envolve dois atendimentos realizados na unidade no dia anterior à morte.
A família afirma que Lucas apresentou dificuldade para respirar e procurou atendimento médico. Segundo o relato da mãe, o bebê teria recebido oxigênio por pouco tempo e sido liberado inicialmente com diagnóstico de gripe.
Em uma segunda ida à unidade, ainda conforme a família, teria recebido diagnóstico de cólica.
A Polícia Civil agora solicita documentos e registros médicos da UPA e de hospitais citados pela família. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) também é aguardado para esclarecer a causa da morte.
O que a Polícia Civil está investigando?
De acordo com o delegado Maurício Barison, responsável pelo caso, o inquérito está em fase de coleta de informações. Entre os documentos solicitados estão registros relacionados aos atendimentos prestados ao bebê.
“A investigação está ocorrendo por meio de inquérito policial. Estamos solicitando as documentações da UPA e dos hospitais”, explicou o delegado.
A investigação deverá permitir a reconstrução da sequência dos acontecimentos desde o primeiro atendimento de Lucas até a tentativa de reanimação realizada na manhã de 13 de agosto.
Ainda não há conclusão oficial sobre eventual responsabilidade criminal.
A causa da morte também não foi oficialmente definida, e o resultado do exame médico-legal será uma das informações relevantes para o avanço da apuração.
O que aconteceu com o bebê antes da morte?
Segundo o relato da mãe, Bruna Miranda Fagundes, de 21 anos, Lucas começou a apresentar dificuldade para respirar em 12 de agosto. A família levou o bebê à UPA Boqueirão.
A mãe afirma que, durante o primeiro atendimento, Lucas permaneceu algumas horas na unidade, recebeu oxigênio por pouco tempo e foi liberado com diagnóstico de gripe. Segundo ela, não foram realizados exames.
A família também relata que recebeu orientação para procurar o Hospital Universitário. Bruna afirma que não conseguiu atendimento no local por não possuir um documento de encaminhamento.
Depois, segundo o relato apresentado pela mãe, a família procurou o Hospital Nossa Senhora das Graças. Ainda conforme Bruna, uma enfermeira avaliou o bebê e recomendou que ele retornasse à UPA Boqueirão.
Segundo atendimento ocorreu na noite anterior ao óbito
A família voltou à UPA Boqueirão na noite de 12 de agosto. Segundo o relato da mãe, Lucas foi avaliado por outra equipe e recebeu diagnóstico de cólica, com prescrição de medicamentos para dor.
Bruna afirma que retornou para casa com o filho depois do atendimento.
“Depois do atendimento, retornei para casa com o Lucas. Ele dormiu. Na manhã seguinte [dia do óbito], por volta das 7 horas, quando fui acordar ele, não estava respirando direito”, relatou a mãe.
Ela contou que levou novamente o bebê à UPA Boqueirão, onde foram iniciadas tentativas de reanimação.
Como ocorreu o atendimento na manhã da morte?
Segundo a nota divulgada pela Prefeitura de Canoas, o bebê chegou à UPA Boqueirão na manhã de 13 de agosto já em parada respiratória.
Conforme o comunicado, Lucas foi encaminhado imediatamente à Sala Vermelha da unidade, onde recebeu manobras de reanimação cardiopulmonar, incluindo compressões torácicas, ventilação, monitorização e obtenção de acesso vascular.
Durante o manejo da via aérea, a equipe encontrou grande quantidade de secreção, descrita na nota como contendo material de aspecto gástrico/leitoso. Foram necessárias aspirações repetidas.
A equipe manteve as manobras de reanimação, mas não houve retorno da circulação espontânea. O óbito foi constatado às 8h24.
O que a família afirma?
A mãe afirma que Lucas era saudável e não possuía histórico de doenças. Para ela, o atendimento recebido anteriormente não teria identificado adequadamente o quadro apresentado pelo bebê.
“Quero justiça pelo meu filho, porque não fizeram nenhum exame nele. Praticamente só olharam para ele e disseram que era uma gripe e depois que era cólica”, afirmou Bruna.
A família aguarda o resultado do IML e os próximos passos da investigação policial.
O que diz a Prefeitura de Canoas?
A Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informou que mantém a nota oficial divulgada anteriormente sobre o caso.
Segundo a administração municipal, o Instituto Maria Schmitt (IMAS), empresa responsável pela gestão da UPA Boqueirão, foi notificado para se manifestar sobre o atendimento.
A Prefeitura também informou que, a pedido da administração municipal, a profissional que atendeu Lucas no dia 12 de agosto foi afastada temporariamente para a apuração dos fatos.
Na versão apresentada pela administração municipal, a empresa gestora informou que o bebê recebeu as medidas assistenciais consideradas compatíveis com o quadro apresentado nos dois atendimentos realizados na UPA naquele dia.
A Prefeitura também afirmou que a equipe orientou a família sobre sinais de alarme, necessidade de retorno imediato em caso de piora e continuidade do acompanhamento na atenção básica.
Prefeitura diz não haver registros de atendimento em dois hospitais
Outro ponto apresentado pela Prefeitura é a informação de que não existem registros de atendimento de Lucas, nos dias 12 e 13 de agosto, nos hospitais Nossa Senhora das Graças e Universitário.
A informação deverá ser confrontada com os relatos apresentados pela família e com os demais documentos que serão reunidos durante a investigação.
IMAS foi procurado, mas não respondeu
O Instituto Maria Schmitt (IMAS), empresa terceirizada responsável pela administração da UPA Boqueirão, foi procurada para obter um posicionamento sobre o caso, mas não havia retornado.
Laudo do IML pode ajudar a esclarecer a causa da morte
A mãe informou, em 24 de agosto, que aguarda o resultado do laudo do Instituto Médico-Legal.
Segundo Bruna, o prazo informado é de até 30 dias, embora o resultado possa ser disponibilizado antes.
Quais são os próximos passos da investigação?
A investigação ainda está em andamento e não há conclusão oficial sobre o que provocou a morte do bebê ou sobre eventual responsabilidade de profissionais ou instituições.

















