Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões após fechar 298 lojas
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na noite de domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, para tentar reorganizar uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
A medida ocorre poucos dias depois de a companhia anunciar o fechamento de 298 lojas e demissões peloo país, além de divulgar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
O pedido envolve dez empresas do grupo e inclui operações relacionadas às marcas Casas Bahia, Ponto, Extra.com e Bartira.
A companhia afirma que pretende manter as atividades enquanto busca uma solução para o endividamento e uma estrutura operacional considerada sustentável.
O que significa o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia?
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para permitir que uma empresa em crise financeira tente reorganizar suas dívidas e preservar sua atividade econômica.
O pedido feito pela Casas Bahia ainda não significa falência nem representa, por si só, o encerramento das lojas que continuam funcionando. A Justiça de São Paulo terá de analisar o processo e decidir sobre o seu processamento e sobre as medidas urgentes solicitadas pela companhia.
Se o processo avançar, a empresa deverá apresentar um plano de recuperação aos credores.
Esse plano poderá estabelecer novas condições para pagamento das dívidas, prazos, descontos e outras medidas de reorganização, que posteriormente serão submetidas aos credores conforme as regras do processo.
Qual é o tamanho da dívida?
O grupo declarou um passivo total de R$ 17,3 bilhões.
Desse montante, aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores sem garantia, os chamados credores quirografários.
O processo envolve mais de 19 mil credores nessa categoria.
Por que a Casas Bahia chegou a essa situação?
No pedido apresentado à Justiça, a companhia relaciona a deterioração financeira a fatores como juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos financeiros.
A crise, porém, não começou neste mês. A empresa vinha enfrentando resultados negativos e dificuldades de geração de caixa há vários períodos. Em 2024, a Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial para renegociar bilhões de reais em dívidas.
O cenário se agravou à medida que o crédito ficou mais restrito e caro.
A própria companhia afirma que a situação econômico-financeira se deteriorou de forma significativa, levando à necessidade de uma nova etapa de reestruturação.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões agravou a crise
O pedido de recuperação judicial ocorreu logo depois da divulgação do balanço do segundo trimestre.
Entre abril e junho de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O resultado foi influenciado por efeitos contábeis e despesas relacionadas ao processo de reestruturação, além de outros fatores financeiros.
A empresa já havia apresentado resultado negativo no primeiro trimestre. A sequência de perdas aumentou a pressão sobre o caixa, o endividamento e a confiança de credores e investidores.
Quase 300 lojas foram fechadas antes do pedido
Na sexta-feira (14), a companhia iniciou uma nova rodada de redução da estrutura física.
Foram anunciados 298 fechamentos de lojas, número equivalente a aproximadamente 29% da rede, segundo informações divulgadas sobre a reestruturação.
O processo nacional também tem impacto no Rio Grande do Sul. Na semana passada, unidades foram fechadas e trabalhadores foram demitidos em diferentes municípios gaúchos.
Segundo as informações divulgadas sobre a reestruturação, os fechamentos atingiram Porto Alegre, Viamão, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Canoas, Gravataí, Cruz Alta, Vacaria, Canela e Ijuí.
Em Porto Alegre, três unidades foram encerradas, com pelo menos 40 trabalhadores dispensados, segundo as informações divulgadas sobre a rodada de cortes.
Litoral Norte também teve fechamento de lojas
No Litoral Norte do Rio Grande do Sul, o processo de reestruturação também resultou no fechamento de unidades. Em Tramandaí, a loja da Casas Bahia localizada na Avenida Fernandes Bastos, entre as ruas 24 de Setembro e 15 de Novembro, encerrou o atendimento presencial.
Já em Capão da Canoa, a unidade da Ponto, antiga Ponto Frio, na Avenida Paraguassú, também fechou as portas. Apesar do encerramento da loja física, a filial informou que o atendimento aos clientes seria pelo WhatsApp.
















