Ciclone gigante de 970 hPa no Atlântico aumenta risco de ressaca no litoral

Ciclone extratropical no Atlântico Sul aumenta risco de ressaca no litoral Um ciclone extratropical intenso e de grande dimensão atua sobre o Atlântico Sul neste domingo (23) e deve deixar…
Ciclone gigante de 970 hPa se afasta, mas aumenta risco de ressaca no litoral
Foto: MetSul

Ciclone extratropical no Atlântico Sul aumenta risco de ressaca no litoral

Um ciclone extratropical intenso e de grande dimensão atua sobre o Atlântico Sul neste domingo (23) e deve deixar o mar agitado nos próximos dias, aumentando o risco de ressaca em trechos do litoral do Sul e do Sudeste. O sistema apresenta pressão central de aproximadamente 970 hPa, segundo a MetSul Meteorologia.

Apesar da intensidade, o ciclone não deve provocar chuva significativa diretamente sobre o continente. Seu principal efeito sobre o Brasil foi indireto: a circulação do sistema ajudou a impulsionar uma massa de ar frio para o continente, provocando uma forte queda nas temperaturas.

Risco de ressaca no litoral do Rio Grande do Sul

O Centro de Hidrografia da Marinha (CHM) mantém aviso de ressaca para a faixa entre Mostardas (RS) e Florianópolis (SC), com ondas de sul a sudeste entre 2,5 e 3 metros. O aviso tem vigência até a tarde desta segunda-feira (24).

Na previsão atualizada neste domingo, a Marinha também indica ondas de 3 a 5 metros na área oceânica entre Chuí e Laguna, com ressaca ao norte de Mostardas até 12h de segunda-feira, no horário de Brasília.

Para o Litoral Norte gaúcho, o cenário exige atenção especialmente de quem utiliza o mar, pratica esportes náuticos ou pretende permanecer próximo à faixa de areia durante o período de maior agitação.

A própria Marinha ressalta que seus avisos de ressaca representam uma possibilidade prevista de ocorrência do fenômeno. A confirmação de uma ressaca depende da observação das condições efetivamente registradas no litoral.

Por que o ciclone provocou tanto frio?

O comportamento do sistema ajuda a explicar uma característica que pode parecer contraditória: um ciclone intenso pode influenciar o tempo no continente mesmo sem provocar chuva ou ventos fortes diretamente sobre as cidades.

A circulação dos ventos ao redor do ciclone favoreceu o avanço de ar de origem polar em direção à América do Sul. Com isso, o frio se espalhou pela Argentina, Uruguai e Sul do Brasil.

O resultado foi um dos episódios de frio mais intensos deste inverno. Em Bom Jardim da Serra (SC), a temperatura chegou a -7,7°C neste domingo, segundo dados da Defesa Civil de Santa Catarina e da Epagri/Ciram.

Outras cidades da Serra catarinense também registraram temperaturas negativas e formação de geada.

Dois ciclones atuaram no cenário desta semana

O ciclone que agora está sobre o Atlântico Sul é o segundo sistema destacado pela MetSul Meteorologia nesta sequência de mudanças do tempo.

O primeiro se formou entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai e teve atuação mais próxima do continente, contribuindo principalmente para a ocorrência de chuva.

Já o segundo sistema é muito mais amplo e intenso, mas permanece distante da costa brasileira. Por isso, seu impacto sobre o continente ocorre principalmente por meio do transporte de ar frio.

Mar ficará agitado mesmo com o ciclone se afastando

À medida que o ciclone avança para leste e se afasta do continente, a influência direta sobre o tempo em terra diminui.

No oceano, porém, a grande área de circulação de ventos ao redor do centro de baixa pressão mantém condições favoráveis à formação de ondas mais altas.

A Marinha prevê, para a área oceânica ao largo do Sul do Brasil, ondas que podem chegar a 4 a 6 metros em determinados setores, além de ventos fortes a muito fortes em alto-mar.

Essas condições representam principalmente risco para a navegação e para atividades marítimas.

O que muda para quem está no litoral

  • Praias: a previsão de ressaca indica possibilidade de avanço de ondas sobre a faixa costeira, dependendo das características de cada praia.
  • Pesca e navegação: as condições são mais perigosas em alto-mar, onde estão previstos ventos fortes e ondas elevadas.
  • Esportes náuticos: a agitação marítima aumenta o risco e exige atenção redobrada às condições locais.
  • Moradores e turistas: é recomendável evitar permanecer em áreas sujeitas ao avanço das ondas durante os períodos de maior agitação.

Ciclone não significa necessariamente chuva

O episódio também mostra por que a presença de um ciclone extratropical não significa automaticamente chuva intensa ou vendaval sobre as cidades.

O impacto de cada sistema depende da posição em que ele se forma, de sua trajetória, da intensidade e da distância em relação ao continente.

Neste caso, o ciclone mais intenso está distante da costa. Sua influência sobre o Brasil ocorre principalmente pela circulação atmosférica, que favoreceu a entrada do ar frio, enquanto sua circulação oceânica contribui para deixar o mar mais agitado.

Com o afastamento gradual do sistema, a tendência é de redução de sua influência sobre o continente. No mar, entretanto, a agitação permanece como o principal ponto de atenção no início da semana.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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