Cidade do Litoral Norte registra 37,8°C e tem a maior temperatura do RS em pleno inverno
O município de Três Forquilhas, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, registrou 37,8°C nesta sexta-feira (17), a maior temperatura do Estado. O calor excepcional ocorreu em pleno inverno e antecede uma mudança brusca no tempo, com previsão de temporais, ventos intensos e chuva volumosa nos próximos dias.
O calor foi generalizado em praticamente todo o Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, os termômetros chegaram a 33,8°C, estabelecendo a maior temperatura já registrada em um mês de julho desde o início da série histórica, em 1910.
Segundo dados da Climatempo, além de Três Forquilhas, outras cidades também tiveram temperaturas muito acima da média para esta época do ano. Maquiné, também no Litoral Norte, apareceu entre as três cidades mais quentes do Estado, com 36,2°C.
Por que fez tanto calor em pleno inverno?
O responsável pelo calor extremo é um fenômeno conhecido como Jato de Baixos Níveis, uma intensa corrente de ventos que transporta ar quente e úmido da região Norte do Brasil para o Sul do país.
Segundo o meteorologista Gustavo Verardo, da Climatempo, esse corredor atmosférico funciona como uma verdadeira esteira, impulsionando grandes volumes de ar tropical sobre o Rio Grande do Sul.
Além de elevar rapidamente as temperaturas, esse mesmo sistema fornece umidade e energia para a formação de tempestades severas.
Calor extremo prepara ambiente para tempestades
O forte aquecimento não representa apenas desconforto. Meteorologicamente, ele cria um ambiente altamente favorável à ocorrência de fenômenos severos.
Enquanto o ar quente e úmido permanece sobre boa parte do Estado, uma massa de ar frio avança pelo Sul, formando um intenso contraste de temperaturas conhecido entre meteorologistas como “briga térmica”.
Esse choque entre massas de ar aumenta significativamente a instabilidade atmosférica e pode favorecer a formação de tempestades organizadas, com potencial para:
- chuva intensa em curto período;
- rajadas de vento muito fortes;
- queda de granizo;
- supercélulas;
- microexplosões atmosféricas;
- tornados isolados.
Os maiores riscos estão concentrados entre o sábado (18) e a madrugada de domingo (19), conforme as previsões meteorológicas.
Depois do calor, preocupação passa a ser a chuva
A chegada da frente fria deverá encerrar rapidamente o episódio de calor extremo. Em compensação, cresce a preocupação com o acumulado de chuva previsto para a próxima semana.
Os modelos meteorológicos indicam volumes que podem superar 300 milímetros em algumas regiões do Rio Grande do Sul, aumentando o risco de alagamentos, transbordamento de rios, enxurradas e outros transtornos.
Autoridades de monitoramento acompanham a evolução dos sistemas meteorológicos devido ao potencial de impactos em diversas regiões do Estado.
As maiores temperaturas do RS nesta sexta-feira
- Três Forquilhas: 37,8°C
- Rolante: 36,8°C
- Maquiné: 36,2°C
- Nova Hartz: 35,5°C
- Três Coroas: 35,2°C
- Igrejinha: 35,1°C
- São Leopoldo: 35,0°C
- Gravataí: 35,0°C
- Nova Santa Rita: 34,5°C
- Sapucaia do Sul: 34,3°C
Análise do Editor
Temperaturas acima de 37°C em pleno mês de julho são extremamente incomuns no Rio Grande do Sul. O episódio reforça o contraste atmosférico que domina o Estado neste momento: primeiro ocorre uma intensa onda de calor provocada pelo transporte de ar tropical e, na sequência, a chegada de uma frente fria encontra esse ambiente carregado de energia. É justamente essa combinação que aumenta o potencial para tempestades severas e elevados volumes de chuva, exigindo atenção da população durante os próximos dias.
















