SIMPLESMENTE, POEMA
A primeira estrofe:
O poema de vidro
Sob os passos…
Estilhaços!
Sobre os versos
A voz enlouquecida…
Ferida!
O poeta caminha sobre o poema e o quebra, com a voz enlouquecida, ferida, pelos estilhaços.
A última estrofe:
O poema de vidro relido
Na página em estilhaços…
Meus passos!
À sua procura me encontro
No olho do dilema…
Simplesmente, poema!
HOMEM SOFRIDO DE LUA
O início:
Adormeço no tempo padeço envelheço!
Ando distante restante em passos
(restritos em mim)
Endereços… caminhos tropeços
(…)
Alimento veneno sustento
(…)
Neste poema, o autor usa como recurso de musicalidade as rimas internas: adormeço no tempo padeço, rima leonina e padeço envelheço, rima em eco; distante restante, em eco; endereços… tropeços, novamente leonina.
Alimento, sustento, idem.
Aqui vale lembrar a abertura da Arte Poética de Aristóteles, onde ele comenta a imitação que se procura em cada gênero e seus meios: imitações por meio de cores, outros com a voz, ou por meio do ritmo, da linguagem e da harmonia e até da dança; apenas a aulética e a citarística usam apenas a harmonia e o ritmo.
O poeta atual usa apenas a palavra.





















