DEZEMBRO E SUAS FESTAS ( é triste mas é verdade…)
( Um antigo texto de minha autoria que eu não tinha nos meus arquivos mas que o conterrâneo, irmão e amigo Luiz Carlos Pinheiro Machado, enviou-me, hoje e que compartilho com meus leitores porque o conteúdo continua atual…)
Daqui há alguns dias teremos o Natal e logo em seguida o ano novo chegará, trazendo-nos muitas alegrias e grandes esperanças…
As prefeituras gastam um bom dinheiro de seus Orçamentos enfeitando as cidades e contratam artistas, da moda, para fazer shows, para encantar a população que comparecerá, em massa, ao evento e aplaudirá, freneticamente, expressando uma estranha ilusão de felicidade…
É assim que acontece em todos os lugares de nosso pais…
Mas este peão de estância não pode omitir , para si e para os seus sete ou oito leitores o fato de que existe outra realidade, menos alegre, da que nos é mostrada na televisão, através de seus especiais de fim de ano.
Existe a realidade das famílias extremamente pobres, nas periferias das cidades do Brasil para quais não existe Natal, com seus presentes, com suas ceias e, o ano novo, que chega não trará a esperança de dias melhores, mas a certeza das necessidades de sempre e da miséria que degrada que humilha, que os torna sobreviventes de uma guerra eterna.
Existem , nas periferias das cidades- os catadores de papel e lixo e, nos Campos do Brasil, os peões de estancias, os posteiros, os agregados, os “Párias das Solidões” – como dizia Jaime Caetano Braun.
Estes não conhecem outras alegrias a não ser a de receberem os restos de seus patrões, para dividi-los com suas mulheres e com seus filhos e ficarem satisfeitos em razão de terem um rancho onde o teto é de capim santa fé e as paredes de pau a pique barreado, onde podem descansar seus corpos miseráveis, cansados do trabalho de sol a sol e onde seus filhos possam dormir em catres, onde sofrem os rigores da invernias e dos mormaços…
Para estes homens, mulheres e crianças não existem Natal e Ano Novo!
Para estes o Natal, se comemorado, na cidade, o será com a modéstia que a miserável remuneração da família permite e se não tiverem renda, o será com restos de comidas catadas no lixo.
No campo se constituirá de restos de comida descartada, da casa grande.
Tanto nas periferias, quanto nos campos o Natal e o ano novo que chegarão serão a continuidade das misérias, das dores, dos sofrimentos que os homens e mulheres carregam, em suas vidas, desde o nascimento e os acompanhará até ao dia, em que mortos, sejam enterrados não em mausoléus, mas numa cova rasa com uma cruz de madeira, sem direito nome.




















