Dor no joelho: quando é hora de procurar um médico

Ortopedista explica como identificar sinais de sobrecarga e problemas articulares mais sérios

Da academia para a rua e da corrida ao treino de força, nunca se falou tanto sobre saúde e performance. Com o movimento no centro do estilo de vida atual, cresce também uma queixa frequente: a dor no joelho.

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De acordo com pesquisa publicada na revista científica ABCS Health Sciences (2025), intitulada “Knee pain in adults from the northeast of São Paulo, Brazil: prevalence, risk factors, and impact on quality of life“, a dor no joelho afeta cerca de 25% dos adultos brasileiros, sendo uma das causas mais comuns de limitação física e afastamento de atividades.

Mas nem toda dor significa lesão e saber diferenciar um quadro de sobrecarga de um problema estrutural é essencial para evitar afastamentos prolongados e tratamentos inadequados. Para o Dr. Adriano Leonardi, ortopedista especialista em joelho e médico do esporte, o primeiro passo é entender que dor também faz parte do processo adaptativo.

“O joelho é uma articulação de alta demanda: sustenta, estabiliza e absorve impacto. Em jovens, a dor costuma vir do excesso de treino pesado, técnica ruim, desequilíbrio muscular. Em pessoas mais velhas, aparece quando falta capacidade de absorver o esforço, seja por perda de força, desgaste natural ou desalinhamento dos membros. Em ambos os casos, o corpo está sinalizando ajuste, e não necessariamente lesão”, diz.

A seguir, o médico destaca pontos essenciais para diferenciar a dor no joelho por sobrecarga de problemas mais sérios. Veja!

1. Dor que melhora com descanso leve e volta ao movimento

Nos casos mais leves, o desconforto é sinal de adaptação do corpo ao esforço físico e tende a melhorar com medidas simples. “Quando a dor diminui com gelo, recuperação ativa e ajuste de treino, estamos diante de um processo de adaptação. Não é para parar tudo, é para equilibrar estímulo e descanso“, explica o Dr. Adriano Leonardi.

2. Dor persistente por mais de duas a três semanas exige atenção

Quando o incômodo não passa e interfere na rotina, é preciso investigar causas estruturais que vão além da sobrecarga. “Quando a dor não cede com estratégias simples, pode sinalizar condromalácia, lesão meniscal ou início de degeneração da cartilagem. É o momento de consultar um especialista”, pontua o médico.

Inchaço recorrente no joelho pode indicar necessidade de ressonância para investigar a estrutura articular (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock)

3. Inchaço, estalos dolorosos e instabilidade são alertas vermelhos

Alterações perceptíveis no movimento ou no volume do joelho podem indicar lesões internas e merecem avaliação detalhada. “Falseio, sensação de algo ‘preso’ dentro do joelho, limitação de movimento e inchaço recorrente indicam que a estrutura articular precisa ser investigada muitas vezes com ressonância”, enfatiza o Dr. Adriano Leonardi.

Tratamento para dor no joelho

Mais do que eliminar o incômodo, o foco do tratamento deve estar em compreender o motivo da dor no joelho e corrigir o que a provoca. “A dor não é sentença, é dado clínico. O objetivo não é silenciar a dor, mas entender sua origem e tratar a causa. O joelho responde muito bem à força, ao controle neuromuscular e a estímulos progressivos. Quem aprende a treinar com estratégia, volta melhor do que saiu”, ressalta o Dr. Adriano Leonardi.

Ficar parado por muito tempo, por exemplo, tende a agravar o enfraquecimento muscular e atrasar a recuperação funcional. “O maior mito ainda é ‘parar tudo’. Repouso prolongado enfraquece a musculatura, reduz a estabilidade e acelera a degeneração. Exercício, quando bem prescrito, é remédio”, complementa o médico.

Novas abordagens vêm permitindo recuperar tecidos e adiar cirurgias, com resultados cada vez mais duradouros. “O futuro já chegou: PRP, hidrogéis de ácido hialurônico, infiltrações combinadas, eletrolólise, ondas de choque e protocolos estruturados de força têm atrasado cirurgias e devolvido pessoas ao esporte com mais qualidade e segurança”, finaliza o Dr. Adriano Leonardi.

Por Letícia Carmo

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