El Niño ganha força e ajuda a explicar tornado e chuva persistente no Sul do RS
O tornado registrado na zona rural de Pedro Osório e a sequência de chuvas persistentes que atingiu o Sul do Rio Grande do Sul em agosto estão relacionados às mudanças provocadas pelo El Niño na circulação atmosférica, segundo o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
O fenômeno está ativo desde 11 de julho, vem se intensificando e deve alcançar sua maior força em novembro.
De acordo com o meteorologista do Ciex, Ricardo Gotuzzo, o El Niño já está produzindo alterações no padrão de precipitação sobre o Cone Sul.
A mudança começou a ser percebida a partir de meados de julho e ajuda a compreender a ocorrência de diferentes episódios de tempo severo e chuva persistente registrados na região.
Por que o El Niño está relacionado ao tornado e às chuvas?
O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e pode modificar a distribuição das chuvas e a frequência de determinados padrões meteorológicos em diferentes partes da América do Sul.
Segundo o Ciex, a atmosfera sobre o Cone Sul já está respondendo à presença do fenômeno.
Isso significa que o El Niño não deve ser entendido como uma causa isolada de cada temporal ou tornado, mas como um fator que modifica as condições atmosféricas em uma escala mais ampla.
Foi nesse cenário que ocorreram episódios de tempo severo no Sul do Estado durante agosto. O meteorologista Ricardo Gotuzzo afirma que quatro episódios registrados recentemente já podem ser relacionados ao fenômeno.
O que aconteceu em Pedro Osório?
No mês de agosto, um tornado foi registrado na zona rural de Pedro Osório, acompanhado por temporais que provocaram estragos em diferentes municípios.
O episódio está entre os eventos apontados pelo Ciex como relacionados ao padrão atmosférico associado ao El Niño.
Por que agosto teve tanta chuva?
Além do temporal que atingiu a região no início do mês, o Ciex identificou outro período significativo, marcado pela persistência das chuvas.
Para o meteorologista, a mudança no comportamento das precipitações não é casual. A circulação atmosférica passou a responder à presença do El Niño, alterando o padrão de precipitação mais frequente sobre o Cone Sul.
Segundo Gotuzzo, essa mudança começou a ocorrer a partir de meados de julho, pouco depois da confirmação de que o fenômeno estava ativo.
O prognóstico indica que o pico deverá ocorrer em novembro, quando as anomalias de temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial podem chegar a 3°C.
Além do aquecimento observado na superfície, o fenômeno também apresenta um sinal expressivo em profundidade.
Entre 100 e 200 metros de profundidade, o aquecimento já supera +6°C.
Como funciona a classificação do El Niño?
Os meteorologistas utilizam quatro categorias para classificar a intensidade do fenômeno:
- Fraco;
- Moderado;
- Forte;
- Muito forte.
Para que o fenômeno seja classificado na categoria muito forte, as anomalias de temperatura na região monitorada precisam atingir pelo menos +2°C.
O cenário previsto para novembro, com anomalias que podem chegar a 3°C, supera esse limite.
O que pode acontecer nos próximos meses?
A previsão do Ciex indica que a intensificação do El Niño deve continuar até novembro, quando o fenômeno poderá atingir seu pico.
Previsão do Ciex já apontava para um El Niño muito forte
O cenário atual também confirma, segundo o Ciex, uma previsão divulgada pelo órgão em março.
Na ocasião, o centro indicou a possibilidade de que o El Niño alcançasse intensidade muito forte durante a primavera, tendo seu pico no mês de novembro.

















