Primeira grande onda de tempestades do El Niño ameaça o RS com até sete dias de tempo severo
O Rio Grande do Sul deve enfrentar entre quinta-feira (16) e a próxima semana uma das situações meteorológicas mais preocupantes deste inverno.
A MetSul Meteorologia alerta para uma sequência de vários dias favoráveis à formação de tempestades severas, com risco de granizo, vendavais, chuva volumosa, alagamentos e tornados isolados. O episódio marca a primeira grande onda de tempo severo associada ao El Niño 2026/2027.
Diferentemente de eventos convencionais, em que os temporais ocorrem em apenas um ou dois dias, a previsão indica uma sucessão de instabilidades durante quase uma semana, aumentando o potencial para danos em diferentes regiões do Estado.
Quando começa a pior fase?
Após a passagem da massa de ar frio que atua no início da semana, uma intensa massa de ar quente avançará sobre o Sul do Brasil a partir de quarta-feira (15).
Na quinta-feira (16), começam a surgir as primeiras áreas de instabilidade sobre o Nordeste da Argentina, Uruguai e parte do Rio Grande do Sul.
Segundo a MetSul, o cenário mais crítico poderá permanecer até pelo menos terça-feira (21), embora alguns modelos indiquem possibilidade de persistência por período ainda maior.
Isso não significa chuva contínua durante todos os dias em cada cidade. Os temporais deverão ocorrer de forma localizada, alternando períodos de sol, calor, abafamento e tempestades.
Por que o risco será tão elevado?
A previsão reúne diversos ingredientes atmosféricos que favorecem tempestades severas.
- forte aquecimento da atmosfera;
- ingresso de ar muito quente em altitude;
- grande contraste térmico entre massas de ar;
- umidade elevada;
- forte cisalhamento do vento;
- corrente de jato em baixos níveis excepcionalmente intensa.
Quando esses fatores atuam simultaneamente, aumentam significativamente as chances de formação de tempestades organizadas e mais violentas.
O que é a corrente de jato em baixos níveis?
Um dos principais elementos desta previsão é a chamada corrente de jato em baixos níveis (JBN).
Trata-se de um corredor de ventos localizado aproximadamente a 1.500 metros de altitude, responsável por transportar grandes volumes de ar quente e úmido do Centro-Oeste brasileiro e da Bolívia para o Sul do continente.
Neste episódio, os modelos meteorológicos indicam ventos entre 120 km/h e 150 km/h em altitude.
Esses valores não correspondem aos ventos que atingirão diretamente a superfície, mas indicam enorme disponibilidade de energia para alimentar tempestades intensas.
Granizo poderá provocar prejuízos em centenas de municípios
A MetSul considera o risco de granizo um dos maiores desta onda de tempestades.
A expectativa é que diversos municípios gaúchos registrem queda de granizo ao longo dos vários dias de instabilidade.
Na maior parte das ocorrências, as pedras deverão ser pequenas.
Entretanto, em alguns temporais poderão atingir tamanho médio ou grande, capazes de provocar danos em:
- telhados;
- veículos;
- plantações;
- redes elétricas;
- estruturas urbanas.
A MetSul ainda destaca que não é possível descartar episódios isolados de granizo considerado gigante.
Vendavais e tornados entram no radar
Outro fator de preocupação é o aumento do potencial para tempestades do tipo supercélula.
Essas tempestades possuem estrutura rotativa e estão entre as mais intensas da meteorologia, podendo produzir:
- vendavais destrutivos;
- microexplosões atmosféricas;
- granizo de grande tamanho;
- tornados isolados.
Embora tornados sejam fenômenos localizados e relativamente raros, as condições atmosféricas previstas aumentam essa possibilidade durante alguns episódios.
Volumes de chuva podem superar 300 milímetros
Além das tempestades severas, os modelos meteorológicos apontam acumulados expressivos de chuva.
A previsão indica:
- 100 mm a 200 mm em diversos municípios;
- áreas isoladas podendo ultrapassar 300 mm.
Esses volumes são suficientes para provocar:
- alagamentos urbanos;
- enxurradas;
- transbordamento de arroios;
- elevação do nível de rios;
- inundações repentinas em pontos vulneráveis.
Primeiro grande teste do El Niño 2026/2027
O episódio representa a primeira grande configuração de tempo severo desde o estabelecimento do El Niño 2026/2027, que já apresenta intensidade forte no Oceano Pacífico.
Historicamente, anos de El Niño favorecem maior frequência de chuva acima da média no Sul do Brasil, principalmente entre o final do inverno, a primavera e parte do verão.
Isso não significa que todas as regiões terão eventos extremos simultaneamente, mas aumenta a probabilidade de episódios sucessivos de instabilidade ao longo da estação.
Como a população deve se preparar
- Acompanhe diariamente as atualizações dos institutos oficiais e da Defesa Civil.
- Evite permanecer sob árvores durante temporais.
- Proteja veículos sempre que houver alerta para granizo.
- Não atravesse ruas ou pontes alagadas.
- Em caso de rajadas intensas, permaneça em local seguro e distante de janelas.
- Motoristas devem redobrar a atenção nas rodovias durante chuva forte e baixa visibilidade.
Análise do Editor
O aspecto mais preocupante desta previsão não é apenas a intensidade das tempestades, mas sua duração. Uma sequência de cinco a sete dias de ambiente favorável ao tempo severo amplia significativamente o risco de impactos acumulados, pois municípios que escaparem de um episódio poderão ser atingidos nos dias seguintes. A evolução dos modelos meteorológicos será decisiva para definir as áreas de maior risco conforme a semana avança.
















