El Tango de Muerte – Sergio agra

EL TANGO DE LA MUERTE “No tengo amigos No tengo amores No tengo patria Ni religión. Solo amarguras tengo en el alma Y una malaya en mi corazón.” O tango…

EL TANGO DE LA MUERTE

“No tengo amigos
No tengo amores
No tengo patria
Ni religión.
Solo amarguras tengo en el alma
Y una malaya en mi corazón.”

O tango simboliza a paixão, a melancolia, a intimidade e a profunda conexão com a alma humana.

Nascido nos subúrbios de Buenos Aires, reflete o drama, a nostalgia e as contradições da vida. O icônico bandoneón traduz a essência dessa dança que conta histórias de amor, desencontros, perdas e saudade a cada compasso. Suas letras carregam um espírito marcado pela paixão, pela melancolia e pela memória.

O poeta Enrique Santos Discépolo definiu essa essência como “um pensamento triste que se pode dançar”. Em suas composições, o tango aborda desilusões amorosas, a passagem do tempo, a lealdade e a dura realidade da existência.

“Más no por eso yo me lamento
Pues siempre tengo en la ocasión
Para mis quejas una milonga
Para mis penas una canción.
Que me importa de la vida
Si nadie me va a llorar.”

As desilusões, o abandono, a saudade da amada e o ciúme aparecem como temas recorrentes. Clássicos como Por una Cabeza transformam paixão, vício e destino em poesia dramática.

Mais do que um gênero musical, o tango tornou-se a voz do povo e dos bairros populares argentinos. Cantou a vida dos compadritos, dos briguentos de esquina, dos imigrantes que buscavam um futuro melhor e das injustiças de uma sociedade marcada por profundas desigualdades.

“Quien me lloraba se ha muerto
Y esa muerte me ha matao.
Desde entonces desafío
Al jilguero y al zorzal,
Quien mejor cantando ahoga
Las tristezas de su mal.”

Por que, então, a seleção argentina haveria de fugir desse roteiro dramático, sofrido e resiliente que faz parte da essência do tango e, de certa forma, da própria identidade de um povo que sobreviveu à mais sangrenta ditadura militar da América do Sul?

Entre 1976 e 1983, a Argentina viveu sob o regime comandado pela junta militar liderada pelo general Jorge Rafael Videla, responsável pela morte e pelo desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas, no período mais repressivo de sua história contemporânea.

No gramado, a história parecia repetir seu velho roteiro. Coube a Lionel Messi assumir o protagonismo na simbólica “Batalha de 7 de Julho” diante da surpreendente seleção do faraó egípcio Mohamed Salah.

O contraste com o futebol brasileiro foi inevitável.

Enquanto os argentinos pareciam jogar movidos pela mística de sua própria história, sobrava aos milionários funkeiros tupiniquins a falta de brio, de compromisso e de respeito pela camisa que vestiram ao desfilar pelos gramados do “Tio Sam”.

No fim, eles também foram hexacampeões.

Hexaderrotados.

“Milonga mía no me abandones.
Tenerte siempre quiero, a mi lao,
Que no me falte cuando yo muera
Una milonga para cantar.”

El Tango de la MuerteAlberto Novion

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