Após enchente histórica, espécie invasora avança no RS e preocupa cientistas

Um estudo coordenado pelo ICMBio revelou que a enchente histórica de 2024 no Rio Grande do Sul favoreceu a expansão das palometas nas lagoas costeiras e gerou impactos ambientais que…
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Um estudo coordenado pelo ICMBio revelou que a enchente histórica de 2024 no Rio Grande do Sul favoreceu a expansão das palometas nas lagoas costeiras e gerou impactos ambientais que ainda estão sendo mapeados.

Os dados preliminares foram apresentados durante um encontro técnico realizado em Porto Alegre entre os dias 9 e 11 de junho.

As análises indicam alterações profundas em habitats naturais, corpos d’água e populações de espécies ameaçadas em diversas regiões do Estado.

Palometas avançam sobre lagoas costeiras do Rio Grande do Sul

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Arquivo

Entre os primeiros efeitos identificados pelos pesquisadores está a expansão das palometas, uma espécie exótica predadora que passou a ocupar novas áreas após as inundações.

Segundo a coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Cecília Cronemberger, o deslocamento das águas durante a enchente facilitou a dispersão desses peixes para lagoas onde antes sua presença era limitada.

O problema preocupa porque as palometas competem com espécies nativas, alteram o equilíbrio ecológico e podem causar impactos diretos sobre a atividade pesqueira.

Além disso, por serem predadoras, afetam cadeias alimentares locais e podem reduzir populações de peixes tradicionalmente encontrados nas lagoas costeiras gaúchas.

Perda de habitats e alterações ambientais preocupam pesquisadores

Os levantamentos apontam mudanças significativas na estrutura da paisagem das áreas atingidas pelas cheias.

Entre os principais impactos observados estão:

  • Perda de habitats naturais;
  • Alterações em corpos hídricos;
  • Mudanças na qualidade ambiental;
  • Pressão sobre espécies ameaçadas de extinção;
  • Risco de degradação de áreas úmidas naturais.

As áreas úmidas possuem papel estratégico para o equilíbrio ambiental, funcionando como zonas de retenção de água, filtragem natural e recarga hídrica.

Os pesquisadores alertam que algumas obras executadas após a enchente podem comprometer esses ambientes caso não sejam planejadas com critérios ecológicos adequados.

Projeto reúne dezenas de pesquisadores e 30 subprojetos

A iniciativa começou em maio de 2025 e seguirá até o final de 2027.

O programa envolve aproximadamente 30 subprojetos, articulados por oito centros de pesquisa e conservação do ICMBio, além de três coordenações técnicas e dezenas de instituições parceiras.

Participam universidades, organizações não governamentais e entidades que já desenvolviam monitoramentos ambientais antes da tragédia climática.

Essa base de dados histórica permite comparar o cenário anterior e posterior às enchentes, oferecendo um diagnóstico mais preciso sobre os impactos reais provocados pelo desastre.

Espécies monitoradas incluem aves, papagaios e cervo-do-pantanal

As pesquisas abrangem diferentes grupos da fauna gaúcha.

Aves migratórias

Os pesquisadores avaliam possíveis alterações nas rotas, áreas de descanso e reprodução das espécies que utilizam o Rio Grande do Sul como ponto estratégico durante migrações.

Papagaios e aves ameaçadas

Os estudos investigam mudanças populacionais e impactos sobre habitats essenciais para alimentação e reprodução.

Cervo-do-pantanal

A espécie está entre os animais acompanhados para identificar possíveis deslocamentos provocados pelas cheias e alterações na disponibilidade de áreas adequadas para sobrevivência.

Anfíbios e répteis

As análises buscam compreender como a inundação alterou ambientes utilizados para abrigo, reprodução e alimentação.

Mamíferos aquáticos

Uma das linhas de pesquisa investiga os efeitos do grande volume de sedimentos transportados das lagoas costeiras para o oceano.

Os cientistas verificam se esse material carregava contaminantes e se houve impactos sobre mamíferos marinhos e outros organismos aquáticos.

Modelos climáticos ajudarão a prever futuros eventos extremos

Parte dos estudos utiliza modelagem matemática e cenários climáticos para identificar riscos futuros.

O objetivo é criar ferramentas capazes de antecipar impactos semelhantes em novos eventos extremos, permitindo respostas mais rápidas e eficientes dos órgãos ambientais.

Os resultados deverão subsidiar políticas públicas de conservação, restauração ambiental e gestão de emergências climáticas.

Áreas prioritárias para restauração serão definidas

Uma das metas centrais do projeto é identificar quais regiões possuem maior relevância para recuperação ecológica.

Os pesquisadores querem compreender para onde os animais se deslocam durante grandes inundações e quais áreas funcionam como refúgios naturais.

Essas informações serão utilizadas para orientar estratégias de conservação e restauração de ecossistemas considerados essenciais para a biodiversidade gaúcha.

ICMBio prepara protocolos para futuras emergências ambientais

Além do diagnóstico científico, o projeto prevê ações práticas voltadas ao enfrentamento de novos desastres climáticos.

Entre julho e agosto serão realizados cursos de capacitação em sistema de comando de incidentes em Porto Alegre.

Também está em elaboração um guia específico para manejo de serpentes durante situações de inundação, visando aumentar a segurança das equipes e da população.

Direto ao Ponto

  • 📌 Estudo do ICMBio aponta expansão das palometas após a enchente de 2024.
  • 📌 Espécie invasora ameaça peixes nativos e pode prejudicar a pesca.
  • 📌 Projeto reúne cerca de 30 pesquisas e seguirá até 2027.
  • 📌 Cientistas analisam impactos sobre aves, mamíferos aquáticos, anfíbios e espécies ameaçadas.
  • 📌 Objetivo é criar protocolos e definir áreas prioritárias para restauração ambiental.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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