Dívidas recuam um pouco no RS, mas quase 9 em cada 10 famílias ainda estão endividadas

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Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

O percentual de famílias endividadas no Rio Grande do Sul recuou pelo segundo mês consecutivo em julho de 2026, mas continuou em patamar elevado. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), divulgada pela Fecomércio-RS, 86,4% das famílias estavam endividadas, contra 86,9% em junho.

Apesar da melhora na comparação mensal, o indicador ainda ficou acima do registrado em julho de 2025, quando 85,3% das famílias tinham algum tipo de dívida.

O levantamento é realizado pela CNC e, no caso do Rio Grande do Sul, tem a coleta concentrada em Porto Alegre. A pesquisa considera dívidas relacionadas à tomada de crédito, como cartão, empréstimos e financiamentos, e não inclui contas de consumo, como água, energia elétrica e telefonia.

Menos famílias se consideram muito endividadas

Um dos sinais de melhora apareceu na percepção das próprias famílias sobre o peso das dívidas. A parcela que se considera “muito endividada” caiu de 18,1% em junho para 15,9% em julho.

O percentual também ficou abaixo do registrado um ano antes, quando 19,0% das famílias estavam nessa situação.

Inadimplência também recua

A parcela de famílias com contas em atraso caiu de 25,8% em junho para 24,1% em julho, também registrando a segunda redução consecutiva.

A melhora ocorreu nas duas faixas de renda analisadas pela pesquisa. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o indicador caiu de 31,6% para 29,8%. Entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, passou de 5,7% para 4,7%.

Também diminuiu a parcela das famílias que afirmaram não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso nos próximos 30 dias. O percentual passou de 1,9% para 1,7%.

Tempo de atraso aumenta mesmo com queda da inadimplência

O resultado, porém, não foi positivo em todos os indicadores. Entre as famílias que continuam inadimplentes, o tempo médio de atraso das contas aumentou.

Isso significa que a redução do número de famílias com dívidas atrasadas não necessariamente representa uma solução completa para quem permanece inadimplente. Parte dessas famílias continua enfrentando dificuldades para regularizar os débitos.

Quase 30% da renda está comprometida com dívidas

Outro ponto de atenção está no comprometimento do orçamento doméstico. O percentual médio da renda destinado ao pagamento de dívidas, considerando todas as famílias pesquisadas, subiu pelo segundo mês consecutivo, passando de 29,7% para 29,9%.

O dado ajuda a explicar por que a melhora da inadimplência não significa necessariamente alívio financeiro generalizado. Mesmo com menos famílias relatando atrasos, uma parcela significativa da renda continua comprometida com dívidas.

Juros começam a cair, mas crédito ainda é restritivo

A melhora nos indicadores ocorre em um momento de mudança na política monetária brasileira. O Banco Central iniciou em março um ciclo de redução da Selic, que chegou a 14,00% ao ano em agosto, após cortes nas reuniões anteriores.

O movimento, entretanto, ainda não significa crédito barato para as famílias. Na decisão de agosto, o Copom destacou que as expectativas de inflação permanecem acima da meta e manteve uma postura de cautela na condução da política monetária.

É nesse contexto que a Fecomércio-RS avalia que as condições de crédito continuam restritivas, enquanto o elevado comprometimento da renda mantém desafios para a recuperação financeira das famílias gaúchas, especialmente entre as de menor renda.

Como interpretar os números

  • 86,4% das famílias estavam endividadas em julho;
  • 15,9% se consideravam muito endividadas;
  • 24,1% tinham contas em atraso;
  • 1,7% não tinham condições de regularizar nenhuma parte das dívidas atrasadas;
  • 29,9% era o comprometimento médio da renda com dívidas.

Os dados mostram, portanto, um cenário misto: endividamento e inadimplência recuaram na margem, mas o nível geral de famílias endividadas continua elevado e o comprometimento da renda aumentou.

Para as famílias gaúchas, a principal mudança em julho foi a redução da parcela que entrou ou permaneceu em atraso. Ao mesmo tempo, o aumento do comprometimento da renda indica que a capacidade financeira dos consumidores ainda permanece pressionada.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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