Chegamos a um ponto de degradação social onde a complexidade da vida humana e a riqueza do debate público foram reduzidas a um tabuleiro binário e violento.
Ou você é de direita, ou você é de esquerda.
Não há espaço para a nuance, para a dúvida ou para o equilíbrio.
Transformamos a política, que deveria ser uma ferramenta de construção coletiva, em uma seita destrutiva onde o “outro” não é apenas alguém com uma opinião diferente, mas um inimigo mortal que precisa ser aniquilado.
Seguimos, com uma raiva cega e quase religiosa, as figuras de Bolsonaro ou de Lula.
Sob o pretexto de defender a pátria ou a justiça social, permitimos que o ódio pautasse nossa rotina.
O saldo dessa guerra fria doméstica é devastador e pode ser visto dentro das nossas próprias casas:
- Relações familiares rompidas: Almoços de domingo transformados em tribunais de exceção. Pais e filhos que não se falam, irmãos que se evitam e laços de sangue enfraquecidos por políticos que sequer sabem da nossa existência.
- Amizades históricas desfeitas: Décadas de cumplicidade, apoio mútuo e histórias compartilhadas jogadas no lixo por causa de um post em rede social ou de uma discussão em grupo de mensagens.
- A perda da vizinhança e da comunidade: Onde antes imperava a boa convivência e a solidariedade cotidiana, hoje reina a desconfiança e o julgamento silencioso.
Nesse processo de autofagia social, a primeira grande vítima foi o respeito às liberdades individuais.
Blindados nas “bolhas” em que estamos inseridos, fomos tomados por uma arrogância moral sem precedentes.
Cultivamos a convicção absoluta de que a ideologia que abraçamos é a única salvação para o Brasil, enquanto nos convencemos de que quem pensa diferente de nós quer, deliberadamente, destruir o país.
Esquecemos que a democracia se sustenta justamente na pluralidade e no direito de discordar.
Quando criminalizamos a opinião alheia, flertamos com o autoritarismo que dizemos combater.
Enquanto nos digladiamos nas ruas e nas telas, o país real continua carente de soluções reais.
A nossa divisão e a nossa raiva não geram empregos, não melhoram a saúde e não educam nossas crianças; elas apenas alimentam o poder daqueles que se beneficiam do nosso caos.
Diante disso, é hora de acordarmos deste devaneio paradoxal.
É tempo de rompermos com essa hipnose coletiva que nos faz enxergar monstros onde existem apenas concidadãos.
Precisamos resgatar a nossa sanidade e a nossa humanidade.
O futuro do Brasil não será construído sobre as cinzas do afeto e da convivência social.
É fundamental que busquemos, com harmonia, com paz e com o resgate dos bons relacionamentos, caminhar de braços dados.
Somente assim, unidos em nossa diversidade e respeitando nossas diferenças, poderemos construir o melhor para o futuro de nosso país e de nosso Povo.
















