Faxinalzinho

Causam-me espanto os que consideram inoportuno o momento escolhido para efetuar a prisão dos suspeitos do assassinato de dois agricultores em Faxinalzinho, estavam reunidos representantes dos colonos, indígenas e autoridades….
Causam-me espanto os que consideram inoportuno o momento escolhido para efetuar a prisão dos suspeitos do assassinato de dois agricultores em Faxinalzinho, estavam reunidos representantes dos colonos, indígenas e autoridades.

O espanto aumenta quando entre os inconformados se alinham o Ministro da Justiça Eduardo Cardozo, o governador Tarso Genro, o prefeito Celso Pelin, o Secretário de Desenvolvimento Rural Celso Scapini e o Secretário-Chefe de Gabinete do Governo de Estado Ricardo Zamorra – estes dois secretários assinaram uma nota de esclarecimento na qual, entre outros itens declaram:

“Não tínhamos qualquer informação de que tais mandados seriam cumpridos naquele momento. Pelo contrário, na reunião do dia 7 de maio com o Ministro da Justiça, manifestamos preocupação quanto ao momento e as condições do cumprimento dos mandados”.

Apesar de indignados, reconhecem que a ordem judicial foi respeitada. Cardozo evitou criticar publicamente o trabalho da Polícia Federal que cumpriu um mandado judicial fruto da investigação das mortes de dois agricultores ocorridas no mês passado (Zero Hora, 10/05/2014). Em Brasília foi informado da operação por telefone, logo depois telefonou para o governador Tarso Genro que não escondeu o desconforto com a situação.

A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) informou que um procurador da Advocacia-Geral da União foi designado para atuar na defesa dos suspeitos.

A Polícia Federal ressalta que a operação havia sido programada para a 5ª feira, porém a retirada do apoio da Brigada Militar, por decisão do governo estadual, forçou o adiamento para o dia subsequente por ocasião da reunião de conciliação (Zero Hora, 12/05/2014).

Todo este quiproquó nos leva a refletir sobre qual seria a forma correta de efetuar as detenções, na opinião dos desconformes. Penetrar no acampamento, com suporte de força policial, provocando com toda a certeza um conflito de proporções inimagináveis?

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Por outro lado, admitindo a legitimidade do pleito indígena em Faxinalzinho, mutatis mutandis o mesmo poderia ser alegado a outros outrora habitados por aborígenes. O município de Xangri-Lá, por exemplo, possui os dois sambaquis mais importantes do litoral gaúcho: Sambaqui do Capão Alto, próximo ao centro da cidade e Sambaqui do Guará, próximo à Estrada do Mar. No contencioso de Faxinalzinho, ora debatido em Brasília, o líder dos indígenas não aceita outras terras em substituição às demarcadas. “Nossa ligação com a terra é cultural, e a deles, de exploração” (Correio do Povo, 22/05/2014). Convenhamos, é muito mais fácil desalojar centenas de famílias há gerações habitando e produzindo em pequenas propriedades interioranas que confrontar poderosos grupos econômicos.

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