Gaúcho morre em ataque de drone na Ucrânia enquanto buscava renda para tratamento da filha
O gaúcho Tiago Rodrigues Marques, de 41 anos, morreu em 24 de agosto durante um ataque de drone na região de Donbas, na Ucrânia, segundo informações recebidas pela família de brasileiros que combatiam ao lado dele. Morador de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ele estava no país desde março.
A morte ocorreu justamente no dia do aniversário de Tiago. A família ainda busca a recuperação e o traslado do corpo para o Rio Grande do Sul.
De acordo com a esposa, Marili Rodrigues, de 40 anos, Tiago havia retornado à Ucrânia com a expectativa de conseguir uma remuneração que ajudasse a custear o tratamento da filha de 5 anos, que tem transtorno do espectro autista.
Último contato aconteceu durante ataque
Segundo Marili, Tiago enviou uma mensagem por volta das 4h30, no horário de Brasília, na madrugada de 24 de agosto. Ele informou que estava sob ataque e que tentaria encontrar um local seguro.
Depois dessa mensagem, ele não respondeu mais às tentativas de contato da família.
A confirmação da morte chegou à esposa na quarta-feira (26), por meio de combatentes brasileiros que estavam no mesmo grupo que Tiago.
Segundo os relatos recebidos pela família, o ataque ocorreu em uma área de combate localizada a aproximadamente 9 quilômetros de uma região considerada segura. O local ainda apresentava risco para a retirada do corpo.
Gaúcho já havia lutado na Ucrânia
Essa não era a primeira passagem de Tiago pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.
Segundo a esposa, ele permaneceu aproximadamente 11 meses no país entre 2024 e 2025, quando atuou junto a uma legião internacional de combatentes.
Após retornar ao Brasil, Tiago voltou para a Ucrânia em março de 2026. Conforme o relato da família, desta vez ele teria sido recrutado diretamente pelo Exército Ucraniano.
Marili afirma que a família era contrária à nova viagem. Mesmo assim, Tiago teria deixado a residência sem avisar os parentes e seguido para o aeroporto.
Promessa de remuneração motivou nova viagem
De acordo com Marili, Tiago acreditava que a nova oportunidade poderia melhorar a situação financeira da família e permitir o pagamento das despesas relacionadas ao tratamento da filha.
Ela afirma que o marido teria recebido a promessa de um salário de aproximadamente R$ 50 mil. Ao chegar à Ucrânia, porém, teria descoberto que o valor mencionado correspondia a 50 mil hryvnias, a moeda ucraniana, e não a euros.
A esposa também relata a existência de pagamentos adicionais por missão, que, segundo ela, poderiam chegar a 70 mil hryvnias.
Marili afirma que um pagamento chegou a ser depositado em uma conta bancária na Ucrânia na segunda-feira (24), mas a família não consegue acessar o dinheiro.
Neste momento, segundo ela, a prioridade é conseguir retirar o corpo de Tiago da zona de conflito.
Família busca ajuda para trazer o corpo ao Brasil
Além da dificuldade de acesso à região onde ocorreu o ataque, a família procura assistência para realizar os procedimentos necessários para a recuperação e o traslado dos restos mortais.
Marili informou que encaminhou um pedido ao Ministério das Relações Exteriores em busca de apoio do consulado brasileiro na Ucrânia.
O Itamaraty informa oficialmente que situações envolvendo morte, desaparecimento e emergências relacionadas a conflitos armados estão entre os casos que podem receber assistência consular. A Embaixada do Brasil em Kiev mantém plantão para emergências envolvendo brasileiros no país.
Até o momento, porém, não foi localizada confirmação pública do Itamaraty sobre a morte de Tiago Rodrigues Marques. As informações sobre o óbito são atribuídas à família e aos combatentes brasileiros que estavam com ele.
Quem era Tiago Rodrigues Marques
Tiago era morador de Gravataí e deixa a esposa, uma filha de 5 anos e duas enteadas.
Segundo a família, a filha pequena estava passando por uma fase importante do tratamento, uma das razões que teriam pesado na decisão do gaúcho de retornar à Ucrânia em busca de uma renda maior.
A morte ocorreu em uma das regiões mais afetadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Donbas, no leste ucraniano, engloba áreas de Donetsk e Luhansk e é um dos principais focos militares do conflito.
O que falta esclarecer
- Confirmação oficial: a família busca a confirmação formal da morte pelas autoridades competentes.
- Recuperação do corpo: o local do ataque permanece em uma zona de risco, dificultando a retirada.
- Traslado: os familiares procuram viabilizar o retorno do corpo ao Rio Grande do Sul.
- Circunstâncias do ataque: os detalhes dependem de informações oficiais e dos relatos dos combatentes que estavam no local.
- Remuneração: os valores relatados pela esposa ainda não foram confirmados de forma independente.
O caso permanece em andamento e novas informações poderão ser acrescentadas conforme a família, as autoridades brasileiras ou as autoridades ucranianas confirmem os detalhes.
















