Greening avança pelo RS e faz governo mandar retirar árvores em cidade

Greening é confirmado no Rio Grande do Sul; entenda os riscos
Foto: SAA/SP

Uma doença sem cura que ameaça a produção de frutas cítricas está provocando novas ações de emergência no Rio Grande do Sul. Em Salvador das Missões, no Noroeste do Estado, árvores começaram a ser retiradas em propriedades rurais e também em vias públicas após orientação da equipe técnica da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

A medida foi anunciada pela prefeitura em 8 de setembro, depois que uma equipe da Defesa Sanitária Vegetal esteve no município para acompanhar a situação relacionada ao greening, também chamado de HLB, considerada uma das doenças mais destrutivas da citricultura mundial.

Segundo o município, as retiradas seguem procedimentos definidos pelos técnicos estaduais e podem ocorrer em diferentes pontos da cidade. A prefeitura também pediu que moradores não façam novos plantios nos locais onde estão previstas as ações.

Doença não tem cura

O greening é causado por bactérias do gênero Candidatus Liberibacter e é transmitido principalmente pelo inseto Diaphorina citri, conhecido como psilídeo.

Depois que uma planta é infectada, não existe tratamento capaz de recuperar sua sanidade. Por isso, a estratégia de controle é baseada na prevenção, no monitoramento e na eliminação das plantas infectadas.

A própria Seapi classifica o HLB/Greening como uma doença de difícil controle e explica que plantas infectadas precisam ser erradicadas para impedir a disseminação.

Novos focos aumentam preocupação no Estado

A situação de Salvador das Missões ocorre depois de outros focos identificados no Rio Grande do Sul ao longo dos últimos meses.

Em junho, o primeiro foco de greening no Estado foi confirmado em Palmitinho. A partir dali, uma força-tarefa da Seapi iniciou uma operação de emergência para identificar possíveis plantas contaminadas e delimitar a área de ocorrência.

Em 45 dias, fiscais estaduais vistoriaram 1.607 propriedades rurais em Palmitinho e Caiçara. Foram inspecionadas 9.253 plantas e coletadas 220 amostras. Dessas, 87 apresentaram resultado positivo para greening, todas em Palmitinho.

Depois, dois focos foram confirmados em Pinheirinho do Vale. O município passou a adotar medidas de enfrentamento com participação da Emater e da Defesa Vegetal.

Em agosto, São Pedro do Butiá também entrou no mapa de atenção. Segundo informações divulgadas na região, aproximadamente 150 árvores tiveram confirmação da doença e precisaram ser incluídas no protocolo de erradicação. Mais de 800 propriedades das áreas urbana e rural foram vistoriadas.

Por que árvores precisam ser retiradas?

A eliminação das plantas infectadas faz parte do protocolo de emergência fitossanitária adotado pelo Estado.

Quando um foco é confirmado, as plantas hospedeiras com sintomas devem ser eliminadas por arranquio ou corte rente ao solo, com medidas para evitar novas brotações. Em determinadas situações, plantas de murta próximas também precisam ser erradicadas.

O motivo é que o inseto transmissor pode adquirir a bactéria ao se alimentar de uma planta infectada e depois transmiti-la para outras plantas.

De acordo com a Seapi, o inseto pode ser levado pelo vento a distâncias superiores a 1,5 quilômetro. Por isso, o controle não fica restrito à árvore onde a doença foi identificada.

O cerco pode alcançar quilômetros

Em caso de foco confirmado, o protocolo estadual prevê a delimitação de uma área perifocal de até 3 quilômetros para inspeção das plantas cítricas.

As propriedades dentro dessa área são vistoriadas e novas plantas suspeitas podem ser submetidas a análises laboratoriais. A prospecção deve continuar mensalmente até que o foco seja oficialmente considerado erradicado.

É justamente esse tipo de procedimento que ajuda a explicar por que a população de Salvador das Missões foi orientada a colaborar com a retirada das árvores e a não realizar novos plantios nos locais indicados pelos técnicos.

Doença pode atingir pomares e árvores domésticas

O problema não está limitado às grandes plantações comerciais.

O protocolo estadual prevê ações também quando a confirmação ocorre em arborização doméstica, arborização pública ou em plantas cítricas isoladas. Nesses casos, as plantas infectadas e outras com sintomas semelhantes em um raio determinado devem ser erradicadas.

O caso de Salvador das Missões chama atenção justamente porque as medidas anunciadas pela prefeitura incluem árvores localizadas em vias públicas, além de propriedades rurais.

Estado já mantinha sistema de monitoramento

Antes mesmo da confirmação dos primeiros focos, a Seapi mantinha um sistema de vigilância para tentar detectar precocemente a presença do inseto transmissor e da doença.

O Estado instalou armadilhas adesivas amarelas em 43 municípios, abrangendo 96 pomares comerciais e domésticos, além de outros pontos estratégicos. Ao todo, são 200 pontos de monitoramento do inseto vetor.

O objetivo é identificar a presença do Diaphorina citri e verificar se o inseto carrega a bactéria responsável pelo greening.

O que moradores devem observar

Entre os sinais que podem indicar a presença do greening estão folhas com manchas amareladas e irregulares, frutos pequenos ou deformados e alterações no desenvolvimento da planta.

Um dos problemas é que os sintomas nas folhas podem ser confundidos com deficiência nutricional. Por isso, a confirmação depende de diagnóstico fitossanitário.

A Seapi orienta que suspeitas sejam comunicadas aos serviços de Defesa Agropecuária ou à Secretaria da Agricultura.

Uma doença que mudou de escala no RS

O primeiro foco confirmado no Estado transformou o greening em uma preocupação sanitária para a citricultura gaúcha. Nos meses seguintes, novos municípios passaram a adotar medidas de contenção.

Agora, a retirada de árvores em áreas rurais e públicas de Salvador das Missões mostra uma nova etapa dessa operação: o combate deixou de ser apenas uma ação concentrada no primeiro foco e passou a exigir mobilização em diferentes comunidades.

Para a agricultura gaúcha, o desafio é impedir que a doença se estabeleça e se espalhe pelos pomares. Como não existe cura para as plantas infectadas, a estratégia depende da identificação rápida dos focos, eliminação das plantas doentes, controle do inseto transmissor e monitoramento das áreas próximas.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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