Primeiro foco de greening é confirmado no Rio Grande do Sul; entenda os riscos

O Rio Grande do Sul confirmou nesta segunda-feira (8) os primeiros casos de greening em plantas cítricas identificadas em um pomar doméstico de Palmitinho. A doença é considerada uma das…
Greening é confirmado no Rio Grande do Sul; entenda os riscos
Foto: SAA/SP

O Rio Grande do Sul confirmou nesta segunda-feira (8) os primeiros casos de greening em plantas cítricas identificadas em um pomar doméstico de Palmitinho. A doença é considerada uma das mais destrutivas da citricultura mundial e não possui cura.

Primeiro foco de greening é confirmado no Rio Grande do Sul

Após análises realizadas por laboratórios da rede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foi confirmada a presença do greening (HLB – Huanglongbing) em plantas cítricas localizadas em um pomar doméstico no município de Palmitinho, no Médio Alto Uruguai.

A área afetada fica próxima à divisa com Santa Catarina, estado que já registrava ocorrências da doença. O foco identificado envolve uma propriedade com aproximadamente 20 mudas de citros.

Com a confirmação, equipes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e da Superintendência Federal de Agricultura do Rio Grande do Sul iniciaram imediatamente ações de contenção e monitoramento.

O que é o greening e por que preocupa tanto?

O greening é uma doença bacteriana considerada a maior ameaça à citricultura mundial. Ela afeta todas as espécies de citros, incluindo:

  • Laranjeiras
  • Limoeiros
  • Bergamoteiras
  • Tangerineiras
  • Outras variedades cítricas

O principal problema é que não existe tratamento eficaz para plantas infectadas. Quando a doença é confirmada, a medida recomendada é a erradicação das plantas contaminadas para evitar a disseminação.

Como ocorre a transmissão da doença?

A transmissão acontece principalmente por meio do psilídeo Diaphorina citri, um pequeno inseto que se alimenta da seiva das plantas.

Ao se alimentar de uma planta contaminada, o inseto adquire a bactéria e pode transmiti-la para outras árvores sadias durante sua movimentação.

Outra forma de disseminação ocorre pela comercialização e transporte de mudas contaminadas sem certificação sanitária.

Segundo as autoridades fitossanitárias, a principal hipótese para o surgimento do foco em Palmitinho é justamente a introdução de mudas irregulares já contaminadas.

Quais medidas estão sendo adotadas?

As ações seguem o Plano Nacional de Controle e Prevenção do Greening, estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025.

Erradicação das plantas infectadas

Todas as plantas contaminadas identificadas no local serão eliminadas conforme os protocolos fitossanitários vigentes.

Controle rigoroso do psilídeo

As equipes técnicas realizam ações específicas para reduzir a população do inseto transmissor na região do foco.

Fiscalização ampliada

O monitoramento foi intensificado nos municípios próximos, especialmente em áreas com produção comercial de citros e em rotas de circulação de mudas.

Rastreamento da origem das mudas

As autoridades investigam a procedência do material vegetal utilizado na propriedade para identificar possíveis fontes de contaminação.

Monitoramento já vinha sendo realizado no RS

Mesmo antes da confirmação do primeiro foco, o Rio Grande do Sul mantinha um dos maiores programas de vigilância fitossanitária para a doença.

Armadilhas instaladas entre 2025 e 2026

  • 374 armadilhas instaladas
  • 77 municípios monitorados
  • 4.326 leituras realizadas
  • Substituição das cartelas adesivas a cada 15 dias

O objetivo era detectar precocemente a presença do psilídeo transmissor.

Inspeções em campo

Em 2025, foram realizadas:

  • 211 inspeções
  • 65 municípios avaliados
  • 13 amostras suspeitas analisadas
  • Todos os resultados negativos

Já em 2026, até a confirmação do caso em Palmitinho, ocorreram:

  • 47 inspeções
  • 19 municípios vistoriados
  • 8 amostras suspeitas coletadas
  • Todos os exames haviam resultado negativos

Quais são os sintomas do greening?

A doença compromete a saúde das plantas e reduz drasticamente sua capacidade produtiva.

Nas folhas

  • Amarelecimento irregular
  • Manchas assimétricas
  • Perda de vigor vegetativo

Nos frutos

  • Frutos menores
  • Deformações
  • Coloração irregular
  • Sabor amargo
  • Baixa qualidade comercial

Na produção

  • Queda acentuada da produtividade
  • Enfraquecimento progressivo das árvores
  • Morte da planta em estágios avançados

Greening oferece risco para pessoas?

Não. O greening não representa qualquer risco à saúde humana.

Os prejuízos estão concentrados na produção agrícola, afetando diretamente a qualidade dos frutos e a rentabilidade dos produtores.

Direto ao Ponto

  • Primeiro caso de greening foi confirmado em Palmitinho, no RS.
  • A doença não possui cura para plantas infectadas.
  • O inseto psilídeo Diaphorina citri é o principal transmissor.
  • As plantas contaminadas serão erradicadas.
  • Autoridades reforçam a recomendação de comprar apenas mudas certificadas.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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