História de ex- menino de rua é destaque na Feira do Livro de Torres

Alunos, professores, e público em geral se emocionaram com a história de vida do ex- menino de rua, Jorge Luís Martins. O autor, também bacharel em administração, pós graduado em…
Alunos, professores, e público em geral se emocionaram com a história de vida do ex- menino de rua, Jorge Luís Martins. O autor, também bacharel em administração, pós graduado em psicopedagogia, corretor de imóveis e ator, esteve na 14ª Feira do Livro de Torres nesta quinta-feira, 30 de outubro, falando para mais de mil alunos do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Os estudantes de diversas escolas do município ouviram o relato da infância difícil nas ruas de Novo Hamburgo e Porto Alegre, a convivência com os pais e a avó, o sofrimento e os questionamentos de uma criança ao se tornar adolescente. Nascido em uma família pobre e desestruturada, a mãe doente mental vivendo nas ruas, o pai presidiário, a única esperança de Martins era a avó. Criado com muito amor e carinho, o escritor perdeu o chão, segundo ele, quando a avó morreu. Com 10 anos foi posto na rua pelo tio que alegava não ter condições de criá-lo. Foram 6 anos de frio, fome e solidão.

“A vida nos reserva dois caminhos, o do bem e o do mal e nós somos o arquiteto deste caminho. Nunca entrei na vida das drogas. Dormi em carros abandonados e em cemitérios para fugir dos traficantes que me assediavam. Não iria quebrar a promessa que fiz para minha avó antes de morrer de ser um homem digno, de bem e não um marginal.”

Foi a promessa no leito de morte e a vontade de vencer na vida para tirar a mãe das ruas que impulsionou o menino. O primeiro emprego digno em um restaurante limpando o chão e lavando os pratos teve uma forte motivação, “nunca mais passaria fome na vida”.

Autor dos livros Meu Nome é Jorge, O Menino da Caixa de Sapatos e O Menino e o Seu Sagrado, Martins chorou e fez chorar com o relato. No entanto, disse que se pudesse voltar no tempo não mudaria nada, pois não seria o homem que é hoje.

“Quando criança estudei apenas 3 anos. Era muito discriminado em sala de aula, ou sentava na frente ou lá atrás sozinho, ninguém queria sentar comigo. Tentava pegar o lanche dos colegas porque tinha muita fome. Daria tudo para ter o que vocês tem, uma cama quente, um café e pão. A pior coisa é passar fome, mas isto me transformou no que sou hoje. O que nos diferencia como ser humano não é a cor, ou a posição social, é a força de vontade.”

Martins também fez diversas críticas ao materialismo no qual a sociedade vive atualmente, pedindo mais amor ao próximo. Após o bate-papo, os estudantes realizaram diversos questionamentos, abordavam questões pessoais, já que as obras do autor são de cunho autobiográfico. Sem se intimidar, respondeu a todas as perguntas, emocionando-se com frequência. No final deixou um recado para os alunos, principalmente àqueles que tem uma condição de vida melhor, mas não se esforçam na construção do caráter.

“Somos responsáveis pelos nossos atos e precisamos aprender a valorizar o ser humano e respeitá-lo. Deem valor ao que vocês têm, deem valor a si mesmos. O mundo 'lá fora' é diferente e é preciso estar preparado para os desafios que a vida impõe.”

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O autor ainda distribuiu autógrafos e tirou fotos com alunos e professores. Foram mais de 200 livros autografados e em cada um fazia uma dedicatória especial. Segundo ele, o escritor só existe por causa dos leitores. “Vocês são quem terminam minhas histórias”.

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