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Inusitada Faixa

Surpreendeu ao transeunte  que, em Porto Alegre,  vindo pela Rua Felipe de Oliveira, ao passar pela Rua Alcides Cruz, quase na esquina,  deparou-se, no ano passado, com uma  faixa onde se via escrito, com grandes letras, o seguinte texto:

 

20 DE SETEMBRO COMEMORAR O QUE ?

Negros e peões mortos  !!!

Ass. Professor fulano de tal.

Usei o termo surpreendeu por ser, realmente, de um sentimento de surpresa que  fui tomado ao ler as palavras.

E o meu sentimento de surpresa que me levou a ler o texto me remeteu para uma reflexão sobre as razões que levaram  o autor a expressar, de maneira tão contundente e resumida, os seus sentimentos, as suas idéias, as suas teses!

O autor do texto é um professor, pressuponho homem de cultura, cidadão formador de opinião e acima de tudo riograndense.

O seu texto é, na verdade, um grito que ecoa nas consciências de todos nós e  que nos  incita para que, além de termos orgulho de sermos riograndenses tenhamos orgulho de sermos, efetivamente, o povo do estado mais politizado do Brasil.

Mas este orgulho e esta politização  nos conduzem  a uma responsabilidade que, tenho certeza, foi à força motriz que levou o professor a expressar seu grito, ou seja:  temos a responsabilidade da consciência histórica que nos levará, inexoravelmente, a verdade.

A  faixa do professor é o substrato de suas verdades, talvez solitárias  verdades, mas incontestáveis verdades pessoais.

Talvez sofridas verdades, mas cristalinas verdades. Talvez vergonhosas verdades mas que, como verdades, sempre acabam explodindo e se tornando irrefutáveis.

O assunto abordado pelo professor é seara para muitas colheitas, todavia para dissecar o produto das mesmas seriam necessárias muitas laudas ou talvez algumas teses.

Não é  para  agora! A verdade não tem  tempo determinado para aparecer e mesmo que leve milênios para o seu surgimento, quando ela surge é como um sol iluminando  o todo. O mais recôndito lugar do universo não fica privado de sua luz.

Parabéns professor pela sua coragem e pela sua audácia.

Esta faixa me lembra, realmente, os peões dos generais farroupilhas e os Lanceiros Negros de 35, que não se importavam com o tamanho ou quantidade  dos inimigos, pois a sua destinação era a luta.

Talvez o professor venha a ter  que não colocar sua faixa, neste 20 de setembro de 2009, reconhecendo que perdeu a luta. Vitória ou derrota, todavia, são meramente circunstanciais. Os Farroupilhas sabiam disto. E professor, também sabe!

Mas o que fica  do Ato do Professor  é o seu grito que  continuará a ecoar, por muito tempo, até a que verdade, a exemplo do sol se faça presente e ilumine a todos nós, de forma a que possamos ter outros orgulhos, que não escondam por trás da máscara da traição, a morte de Negros e de Peões que serviam aos senhores das estâncias os quais eram, com raras exceções , latifundiários e escravocratas.

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