Lava jato

Dez bilhões de reais, este é o valor que a Polícia Federal estima ter sido movimentado por quadrilhas acusadas de lavagem de dinheiro e outros crimes. A operação foi batizada…
Dez bilhões de reais, este é o valor que a Polícia Federal estima ter sido movimentado por quadrilhas acusadas de lavagem de dinheiro e outros crimes. A operação foi batizada de “Lava Jato”. Armas, munição, inúmeros carros esportivos importados e de luxo, cada um avaliado em mais de cem mil reais, obras de arte, joias e muito dinheiro em real e moeda estrangeira.

Logo que foi iniciada a operação, em sete Estados, foram expedidos vários mandados de busca e apreensão; perto de cinquenta prisões foram efetivadas, entre preventivas, temporárias e condução coercitiva. Foi uma ação elogiável e de fôlego da Polícia Federal. Foi preso em flagrante um dos doleiros que era alvo da operação quando ele embarcava para a Europa com milhares de euros escondidos nas partes íntimas – aprendizado, certamente, na velha escola petista, ao tempo do mensalão.
Em Londrina, a Polícia Federal visitou o hotel de propriedade do doleiro Youssef, e também na casa dele. Buscas, ainda, foram realizadas na residência e na empresa do doleiro, em São Paulo. Ele acabou sendo preso num hotel do Maranhão.

E outras inúmeras pessoas foram parar no xilindró, além do doleiro. Os envolvidos, ainda, teriam ligações com o trafego internacional de drogas, corrupção, sonegação fiscal, evasão de divisas, contrabando de pedras preciosas, desvio de recursos públicos.

O doleiro Youssef, soube-se no andamento dos fatos, cedeu um jatinho para o deputado André Vargas – aquele que zombou do ministro Barbosa numa sessão da Câmara – e a Paulo Roberto Costa ex-diretor da Petrobras. Vargas, sob pressão, renunciou à vice-presidência da Câmara e, o pulso que foi erguido, assim como a sua arrogância, desmoronou-se; esqueceu o nobre deputado que, Voltaire, um dos grandes zombadores, teve um fim terrificante. E ainda, com fortes ligações ao doleiro está – ao que dizem – o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Mesmo diante da grande e custosa operação, da prisão decretada pelo juiz singular, o ministro Teori Zavascki mandou soltar todos os envolvidos, que agora voltam às suas operações presumidas. O ministro, ainda novato no Supremo Tribunal Federal, foi um dos que aliviou a vida do Zé Dirceu, Genoíno e Delúbio, coincidentemente todos do PT.

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Dizem que decisão judicial não se discute; cumpre-se ou recorre-se. Mas a gente sente que existe no ar um sentimento entre as pessoas de enjoo, de desesperança, de descrença nas instituições, de insuportabilidade. E, nesse clima, mais exacerbado – não desconheço –, é que a cabeça de Maria Antonieta rolou na quilhotina…

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