Licença ambiental libera avanço de parque eólico de R$ 3,9 bilhões no RS com 90 turbinas e previsão de 3 mil empregos
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) concedeu a licença ambiental prévia para o Parque Eólico Torquato Severo, em Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha.
O documento confirma a viabilidade ambiental do empreendimento, estimado em R$ 3,9 bilhões, que prevê a instalação de 90 aerogeradores, geração de cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e início da operação previsto para 2029.
A emissão da licença representa um dos principais avanços para o setor eólico gaúcho nos últimos anos e abre caminho para a próxima etapa do licenciamento, necessária antes do início das obras.
O que muda após a licença ambiental prévia?
A licença prévia é a etapa que atesta a viabilidade ambiental do projeto e define condicionantes que deverão ser cumpridas nas fases seguintes.
Apesar do avanço, a construção ainda depende da emissão da Licença de Instalação (LI), também sob responsabilidade da Fepam.
Somente após essa autorização será possível iniciar oficialmente as obras do parque.
Segundo a presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, os investidores trabalham para antecipar o cronograma, buscando iniciar a construção em outubro, um mês antes do previsto inicialmente.
Como será o Parque Eólico Torquato Severo?
O empreendimento será desenvolvido pela DGE Soluções Renováveis, em parceria com a Casa dos Ventos, considerada uma das maiores desenvolvedoras de projetos de energia renovável do Brasil.
Entre os principais números do projeto estão:
- Investimento: R$ 3,9 bilhões;
- Localização: Dom Pedrito (RS);
- Aerogeradores: 90;
- Empregos previstos: cerca de 3 mil durante a implantação;
- Operação comercial: prevista para 2029;
- Compensações ambientais estimadas: R$ 17 milhões.
Por que este projeto é considerado importante para o setor?
O Parque Torquato Severo marca a retomada dos grandes projetos eólicos no Rio Grande do Sul após um período de baixa atividade no segmento.
Nos últimos anos, diversos empreendimentos enfrentaram dificuldades relacionadas ao ambiente econômico, custos de implantação, disponibilidade da rede de transmissão e mudanças no mercado de energia.
Com a retomada dos investimentos em geração renovável e o crescimento da demanda por eletricidade de grandes consumidores, novos projetos voltaram a ganhar viabilidade.
Para quem será vendida a energia?
Diferentemente de muitos projetos antigos, o parque não dependerá de leilões públicos de energia.
A produção será comercializada por meio de contratos privados firmados com grandes consumidores, modelo conhecido como mercado livre de energia.
Segundo os responsáveis pelo empreendimento, há contratos já encaminhados com empresas e organizações de grande consumo energético, incluindo data centers e grupos como TikTok, Carrefour e ArcelorMittal.
Esse formato oferece maior previsibilidade de receita para o empreendimento e acompanha uma tendência crescente do setor elétrico brasileiro.
Como funciona o licenciamento ambiental?
O processo está sendo conduzido por meio de Relatório Ambiental Simplificado (RAS), modalidade prevista para empreendimentos que atendem aos critérios estabelecidos pelos órgãos ambientais.
O licenciamento ambiental normalmente ocorre em três etapas:
- Licença Prévia (LP): confirma a viabilidade ambiental.
- Licença de Instalação (LI): autoriza o início das obras.
- Licença de Operação (LO): permite o funcionamento do empreendimento após a conclusão da implantação.
Quais impactos econômicos o projeto pode gerar?
Além da geração estimada de 3 mil empregos durante a fase de construção, o empreendimento deve movimentar diversos segmentos da economia regional, como transporte, hospedagem, alimentação, serviços especializados e fornecimento de materiais.
Após entrar em operação, o parque também deverá ampliar a arrecadação municipal e contribuir para fortalecer a presença do Rio Grande do Sul no mercado brasileiro de energia renovável.
Análise do Editor
A licença prévia representa um passo decisivo, mas não significa autorização imediata para construção. O projeto ainda precisa cumprir as exigências ambientais da próxima fase do licenciamento.
Mesmo assim, o avanço do Parque Torquato Severo sinaliza uma retomada relevante dos investimentos em energia eólica no Rio Grande do Sul em um momento de crescente demanda por eletricidade limpa, impulsionada pela expansão dos data centers e pela migração de grandes empresas para o mercado livre de energia.
















