SÉRIE ESPECIAL LITORALMANIA | A TRANSFORMAÇÃO DO LITORAL NORTE
Esta é a primeira reportagem de uma investigação especial do Litoralmania sobre as mudanças demográficas, sociais e econômicas que estão transformando o Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A série será ampliada nas próximas semanas a partir do cruzamento de dados oficiais e apuração própria nos municípios da região.
Litoral Norte chega a 435 mil habitantes e crescimento revela uma transformação que vai muito além da temporada de verão
Capão da Canoa, Imbé e Tramandaí estão entre as cidades que mais ampliaram a população na última década; novos dados do IBGE abrem uma investigação do Litoralmania sobre quem está chegando, de onde vem e como a região está mudando
O Litoral Norte do Rio Grande do Sul chegou a 435.185 habitantes em 2026, segundo as novas Estimativas da População divulgadas nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número representa 56.625 moradores a mais do que a estimativa de 2016, quando os 23 municípios da região somavam 378.560 habitantes.
Em dez anos, o crescimento regional foi de aproximadamente 15%.
Mas o dado mais interessante não está apenas no tamanho da população.
Está em onde o crescimento aconteceu, quem está chegando e como as cidades estão mudando.
Capão da Canoa lidera transformação
Capão da Canoa é o município que mais ganhou moradores em números absolutos no período.
A cidade passou de 49.380 habitantes em 2016 para 66.237 em 2026, um acréscimo de 16.857 pessoas, equivalente a 34,1%.
O município também se tornou, de acordo com a estimativa mais recente, o maior do Litoral Norte entre os 23 municípios analisados.
Imbé aparece logo atrás no crescimento percentual entre os principais municípios.
A população estimada passou de 21.378 para 28.029 habitantes, aumento de 6.651 pessoas, ou 31,1%.
Arroio do Sal também chama atenção: passou de 8.883 para 11.419 moradores, crescimento de 28,6%.
Cidreira cresceu 20,9%, chegando a 17.584 habitantes.
Tramandaí ganhou quase 8 mil moradores
Em números absolutos, Tramandaí aparece entre os maiores avanços da região.
O município tinha uma população estimada em 48.472 pessoas em 2016. Em 2026, são 56.432.
São 7.960 moradores a mais em uma década, crescimento de 16,4%.
Torres também apresenta forte expansão.
A população passou de 37.564 para 43.346 habitantes, aumento de 5.782 pessoas.
Osório, por sua vez, chegou a 49 mil habitantes, contra 44.156 em 2016.
Nem todo o Litoral cresce da mesma forma
O novo retrato também mostra que falar em “crescimento do Litoral Norte” esconde diferenças importantes entre os municípios.
Enquanto algumas cidades avançaram mais de 20% ou 30%, outras tiveram redução populacional na comparação com 2016.
Mostardas, por exemplo, passou de 12.721 para 12.347 habitantes.
Terra de Areia caiu de 10.741 para 10.575.
Caraá passou de 7.915 para 7.555.
Capivari do Sul foi de 4.312 para 4.080.
Morrinhos do Sul também registrou redução, de 3.250 para 3.133 moradores.
A diferença entre os municípios é uma das pistas mais importantes para entender o fenômeno.
O crescimento não começou agora
Outro dado precisa ser levado em consideração antes de qualquer conclusão sobre a pandemia.
O Litoral Norte já apresentava crescimento populacional antes de 2020.
A comparação entre 2016 e 2026 mostra uma trajetória de longo prazo, e não simplesmente um fenômeno criado pela pandemia.
Além disso, o Censo Demográfico de 2022 registrou 420.852 habitantes nos 23 municípios. A estimativa de 2026 aponta 435.185.
Ou seja, mesmo depois do Censo, a região continuou crescendo: são aproximadamente 14,3 mil moradores a mais na comparação entre 2022 e 2026.
Mas quem são essas pessoas?
É aqui que os números começam a contar uma história muito maior.
O Censo 2022 mostrou que uma parcela expressiva da população de alguns municípios chegou relativamente recentemente.
Entre os municípios já analisados pelo Litoralmania, Arroio do Sal tinha 44,3% dos moradores com menos de dez anos de residência, enquanto Xangri-Lá tinha 34,7%, Capão da Canoa 32,5%, Tramandaí 31,2% e Torres 30,1%.
Esses números não significam que todas essas pessoas tenham chegado depois da pandemia. O período de residência inclui anos anteriores a 2020.
Mas revelam uma coisa importante:
O Litoral Norte não está apenas ficando maior; em várias cidades, sua população também está sendo renovada.
Uma transformação que vai ser explicada
De onde vieram esses moradores?
São pessoas que já viviam em outras cidades do Rio Grande do Sul?
Vieram de Porto Alegre e da Região Metropolitana?
Mudaram de uma cidade do próprio Litoral Norte para outra?
São aposentados?
Famílias com filhos?
Trabalhadores que passaram a morar no litoral?
Quantos continuam trabalhando em outras cidades?
E quantas antigas casas de veraneio passaram a funcionar como residência permanente?
São perguntas que os números populacionais, sozinhos, não respondem.
O Censo, porém, oferece uma série de informações sobre migração, tempo de residência, local de nascimento, residência anterior, idade, trabalho e deslocamento que permitem aprofundar essa investigação.
O que mudou depois da enchente de 2024?
Há ainda uma segunda pergunta.
A enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 aconteceu depois do Censo Demográfico de 2022.
Portanto, os dados censitários servem como uma espécie de linha de base para entender o Litoral Norte antes da tragédia.
Agora será necessário investigar o período de 2024 a 2026 para descobrir se houve novos deslocamentos populacionais, mudanças no mercado imobiliário ou aumento da procura por moradia no litoral e você virá conosco.
Uma investigação que está apenas começando
Os novos números do IBGE colocam um dado objetivo sobre a mesa: o Litoral Norte chegou a 435 mil habitantes e ganhou mais de 56 mil moradores em uma década.
Mas o número mais importante não é esse.
A verdadeira história é descobrir quem são os 56 mil novos moradores, de onde vieram, por que escolheram o litoral e o que a chegada deles está provocando nas cidades.
O Litoralmania vai aprofundar essa investigação nas próximas reportagens, cruzando população, migração, habitação, trabalho, qualidade de vida, infraestrutura e os efeitos da enchente de 2024.
O Litoral Norte está crescendo. Agora vamos descobrir como e por quê.
SÉRIE ESPECIAL LITORALMANIA | A TRANSFORMAÇÃO DO LITORAL NORTE
Esta é a primeira reportagem da série. Novos capítulos serão publicados pelo Litoralmania à medida que os dados forem analisados e as diferentes dimensões dessa transformação forem investigadas.
















