Lobo-marinho raro vindo da região subantártica é encontrado no RS após percorrer milhares de quilômetros
Um lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis), espécie considerada rara no litoral do Rio Grande do Sul, foi encontrado na Praia do Cassino, em Rio Grande, após percorrer milhares de quilômetros desde a região subantártica.
O animal, um macho juvenil, foi localizado em 11 de julho por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que atuam no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas.
Após o resgate, ele foi encaminhado ao Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), onde recebeu atendimento veterinário. Apesar dos esforços da equipe, o animal estava muito debilitado e não resistiu.
Espécie rara no litoral gaúcho
Segundo pesquisadores da Furg, o lobo-marinho-subantártico aparece com muito menos frequência no Rio Grande do Sul do que o lobo-marinho-sul-americano e o leão-marinho-sul-americano.
“Ele chegou à praia, fomos acionados e o encaminhamos ao Cram”, explicou a bióloga Fernanda Valls, pesquisadora vinculada ao Ecomega, do Instituto de Oceanografia da Furg.
Viagem de cerca de 3,6 mil quilômetros
A espécie vive e se reproduz em ilhas oceânicas da região subantártica. A colônia reprodutiva mais próxima fica na Ilha de Tristão da Cunha, localizada no Oceano Atlântico Sul, a aproximadamente 3,6 mil quilômetros da costa gaúcha.
Durante o inverno e a primavera, alguns indivíduos percorrem grandes distâncias e acabam chegando ao litoral brasileiro.
Ocorrências desde os anos 1970
O pesquisador Renan Lima, do Laboratório de Ecologia e Conservação da Megafauna Marinha da Furg, explica que a espécie é registrada no Rio Grande do Sul desde a década de 1970, embora em quantidade muito menor que outros pinípedes encontrados na região.
Os machos podem atingir cerca de 1,95 metro de comprimento e pesar aproximadamente 165 quilos, enquanto as fêmeas chegam a cerca de 1,45 metro.
Orientação à população
Ao encontrar um lobo-marinho ou outro mamífero marinho na praia, a recomendação é manter distância, não alimentar o animal, impedir a aproximação de cães e acionar o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas caso ele apresente ferimentos ou sinais de debilidade.
















