O principal corredor comercial de Rio Grande, no Litoral Sul do Rio Grande do Sul, enfrenta um cenário que preocupa comerciantes e empresários. Levantamento realizado pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio de Rio Grande e Região (Sindilojas) identificou que 25 imóveis comerciais estão fechados no Calçadão da Rua General Bacelar.
O estudo foi realizado em julho e considerou o trecho entre as ruas General Neto e Benjamin Constant, no Centro da cidade.
Ao todo, foram catalogados 86 imóveis comerciais. Destes, 61 estavam ocupados, representando 70,9% do total. Outros 25 imóveis, equivalentes a 29,1%, permaneciam fechados, independentemente de estarem disponíveis para locação.
Entre os fechamentos mais recentes está o da loja Gang, que passou a integrar a lista de espaços desocupados no principal eixo comercial da cidade.
Aluguéis elevados dificultam ocupação
Segundo o presidente do Sindilojas, Luiz Escobar, um dos maiores obstáculos para reaquecer o comércio do Calçadão está no custo dos aluguéis.
De acordo com ele, os valores cobrados pelos proprietários dificultam principalmente a instalação de pequenos comerciantes, reduzindo a renovação dos negócios na região central.
Além do preço dos imóveis, Escobar cita outros fatores que vêm afetando o desempenho do comércio local.
Entre eles estão:
- redução do fluxo de consumidores;
- dificuldades no transporte coletivo;
- custo do estacionamento rotativo;
- necessidade de revitalizar o Centro para atrair novamente o público.
Na avaliação da entidade, esses fatores acabam reduzindo a circulação de consumidores e tornando mais difícil manter atividades comerciais na região.
Revitalização segue sem previsão
O levantamento ocorre enquanto a aguardada revitalização do Calçadão continua sem data para começar.
A obra, orçada em mais de R$ 3 milhões, foi anunciada inicialmente para o final de 2025. Depois, houve previsões para janeiro, maio e junho de 2026, mas nenhuma delas foi cumprida.
A empresa Nova Renascer Construções já foi contratada para executar os serviços.
Entretanto, o início das intervenções depende da apresentação e aprovação de um projeto de pesquisa arqueológica junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A exigência existe porque o Calçadão está localizado em área cadastrada como sítio arqueológico e também no entorno da Igreja São Pedro, tombada em nível federal desde 1938.
Segundo o Iphan, não há documentos pendentes de análise no órgão. O instituto aguarda apenas o envio do projeto arqueológico pela empresa responsável para que o processo possa avançar.
Comércio acompanha expectativa
Enquanto a revitalização permanece indefinida, comerciantes seguem acompanhando o aumento dos imóveis fechados em uma das áreas mais tradicionais do comércio de Rio Grande.
O levantamento do Sindilojas reforça o desafio de recuperar o movimento econômico do Centro e evidencia que, além das futuras obras, questões como mobilidade, acesso e custo dos imóveis também fazem parte da discussão sobre a retomada da atividade comercial.
















