Monsoon aposta em técnico do Bahrein para comandar projeto de Capão da Canoa no Gauchão 2027
O Monsoon, de Capão da Canoa, anunciou Aref Al-Asmi como novo técnico para a temporada 2027 e colocou novamente o Litoral Norte no centro de um dos projetos mais diferentes do futebol gaúcho.
Aos 57 anos, o treinador nascido no Bahrein será o primeiro técnico asiático a comandar uma equipe profissional de futebol no Brasil, segundo as informações divulgadas pelo clube e repercutidas por veículos esportivos. Ele assumirá o trabalho a partir de novembro, de olho na disputa do Campeonato Gaúcho de 2027.
A contratação chama atenção não apenas pela nacionalidade do novo comandante. A escolha faz parte de uma estratégia do Monsoon para buscar experiência internacional, consolidar sua identidade em Capão da Canoa e permanecer na elite do futebol gaúcho.
Quem é Aref Al-Asmi, novo técnico do Monsoon
Aref Al-Asmi construiu a maior parte da carreira no futebol do Oriente Médio.
O treinador tem passagens por clubes como Al-Hala, Al-Hidd e Al Ittifaq, no Bahrein, e Al-Jazira, na Jordânia. Na Arábia Saudita, trabalhou como diretor técnico das categorias de formação do Al-Khaleej FC.
Quando ainda era jogador, Aref também chegou a defender a seleção do Bahrein.
Antes de chegar ao Brasil, portanto, o novo comandante acumulou experiências em diferentes mercados do futebol asiático.
Por que o Monsoon escolheu um treinador do Bahrein?

A contratação foi conduzida pelo CEO e dono da SAF do Monsoon, Vitor Hugo Manique, que já tinha relação com Aref desde o período em que esteve ligado ao futebol do Oriente Médio.
Segundo o dirigente, a decisão não foi tomada apenas pelo impacto de contratar um profissional estrangeiro. O principal motivo foi a experiência como treinador.
O Monsoon já havia apostado em nomes conhecidos do futebol gaúcho, como Paulo Baier e Arílson Costa. Agora, a direção entende que Aref pode acrescentar uma experiência diferente ao projeto.
Manique também afirmou que pediu ao treinador para estudar o futebol brasileiro e, especificamente, o futebol gaúcho antes de assumir o trabalho.
A chegada do técnico, dessa forma, combina uma aposta pouco convencional com uma tentativa de aproveitar o conhecimento acumulado por Aref no futebol asiático.
Idioma não deve ser um obstáculo, diz direção
Uma das dúvidas naturais sobre a contratação é a comunicação com jogadores e comissão técnica.
De acordo com Vitor Hugo Manique, o idioma não deverá impedir o desenvolvimento do trabalho. A comissão terá profissionais que falam português, enquanto Aref utiliza árabe, francês e espanhol em diferentes situações relacionadas ao futebol.
A avaliação do clube é que a comunicação dentro de campo também possui uma linguagem própria, com termos e comandos que podem ser assimilados independentemente do idioma principal do treinador.
Objetivo é manter o Monsoon na elite do Gauchão
Apesar da repercussão internacional da contratação, a missão de Aref no primeiro momento é bastante objetiva: ajudar o Monsoon a permanecer na primeira divisão do Campeonato Gaúcho.
O clube já trabalha na montagem do elenco para 2027 e procura jogadores que se encaixem no perfil desejado pela direção.
Entre as características buscadas estão disposição, competitividade e vontade de crescer profissionalmente.
Além da permanência na elite, o Monsoon também mantém o objetivo de buscar uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro por meio do desempenho no Estadual.
Monsoon chega ao Gauchão de 2027 com novo projeto
O Monsoon disputará pela terceira vez a elite do futebol gaúcho em 2027.
Em 2026, o clube conseguiu permanecer na primeira divisão e também disputou a Copa FGF, mas acabou eliminado ainda na primeira fase.
A temporada também foi marcada por uma transformação administrativa.
O clube passou para o comando de Vitor Hugo Manique, entrou em recuperação judicial e avançou na mudança de identidade para Capão da Canoa. O processamento da recuperação judicial foi deferido pela Justiça em 2 de abril de 2026.
Capão da Canoa virou parte da identidade do clube

A mudança para o Litoral Norte não se resume ao endereço administrativo.
O Monsoon adotou oficialmente Capão da Canoa como sede e passou a utilizar o nome do município em sua identidade, deixando para trás a referência a Dubai que fazia parte do projeto original.
A estratégia é transformar o clube em uma referência esportiva regional.
Em fevereiro, o Monsoon apresentou planos para construir uma arena multiuso de até 30 mil pessoas em Capão da Canoa. O projeto prevê campo padrão Fifa, arquibancadas cobertas, pista de atletismo e espaços destinados a shows e outros eventos.
A direção também trabalha com a ideia de utilizar atletas formados na própria região como parte da construção de uma identidade local para o clube.
O projeto que pode mudar o futebol do Litoral Norte
A possível construção da Arena Monsoon amplia o significado da chegada de Aref Al-Asmi.
O clube tenta construir, ao mesmo tempo, uma equipe competitiva, uma identidade regional e uma estrutura própria para deixar de depender de estádios de Porto Alegre.
O projeto da arena ainda depende de etapas administrativas, financeiras e de definição da área. Em janeiro, a direção trabalhava com a possibilidade de levar jogos para Capão da Canoa a partir de 2027, enquanto o projeto de uma arena maior avançaria posteriormente.
É nesse cenário que Aref Al-Asmi chega ao clube: com a missão de transformar uma contratação que chamou atenção pelo ineditismo em resultado dentro de campo.
O primeiro desafio será o Gauchão de 2027.
Uma contratação inédita para um projeto que também quer ser diferente
A escolha de um treinador do Bahrein representa mais um capítulo na rápida transformação do Monsoon.
Em poucos anos, o clube saiu das divisões inferiores para a elite estadual, mudou de identidade, trocou sua sede, passou por uma mudança de gestão e iniciou um processo de reorganização financeira.
Agora, aposta em um treinador que nunca havia comandado uma equipe profissional brasileira.
Para o Monsoon, Aref Al-Asmi não chega apenas como uma novidade internacional: chega como parte da tentativa de transformar Capão da Canoa em uma nova referência do futebol profissional no Litoral Norte.

















