Doença silenciosa preocupa no RS: hepatites virais matam mais que a média do Brasil

RS registra taxa de mortalidade por hepatites virais mais que o dobro da média nacional O Rio Grande do Sul registrou, em 2025, uma taxa de mortalidade por hepatites B…
Doença silenciosa preocupa no RS: hepatites virais matam mais que a média do Brasil
Foto: Freepik

RS registra taxa de mortalidade por hepatites virais mais que o dobro da média nacional

O Rio Grande do Sul registrou, em 2025, uma taxa de mortalidade por hepatites B e C de 1,3 morte por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média brasileira, de 0,5 por 100 mil habitantes.

Os dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), divulgados durante a campanha Julho Amarelo, reforçam o alerta para doenças que costumam evoluir silenciosamente e podem causar cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Segundo especialistas, muitas pessoas convivem durante anos com a infecção sem apresentar sintomas. Quando os primeiros sinais aparecem, frequentemente o fígado já sofreu danos importantes, reduzindo as chances de evitar complicações.

Por que as hepatites virais preocupam tanto?

As hepatites virais são inflamações do fígado causadas por diferentes vírus. Dependendo do tipo, podem evoluir para a cura espontânea ou tornar-se crônicas, comprometendo o funcionamento do órgão ao longo de vários anos.

O principal desafio é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre apenas durante exames de rotina ou quando surgem complicações mais graves.

De acordo com o gastroenterologista Fernando Wolff, chefe do Serviço de Gastroenterologia e Cirurgia Digestiva do Hospital Moinhos de Vento, investir em prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz.

“Quando os sintomas aparecem, muitas vezes o fígado já sofreu um comprometimento importante. Manter a vacinação em dia e realizar testes quando indicados são atitudes fundamentais para proteger a saúde.”

Quem deve procurar testagem?

Mesmo sem sintomas, algumas pessoas apresentam maior risco de terem sido expostas aos vírus das hepatites e devem conversar com um profissional de saúde sobre a realização de exames.

  • Pessoas que receberam transfusão de sangue antes da obrigatoriedade dos testes nos bancos de sangue;
  • Quem compartilhou seringas, agulhas ou objetos perfurocortantes;
  • Pessoas com múltiplos parceiros sexuais;
  • Quem nunca realizou testagem para hepatites virais;
  • Pessoas com fatores de risco identificados durante atendimento médico.

O diagnóstico precoce permite iniciar tratamento antes do surgimento de danos permanentes ao fígado.

Vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção

Entre as hepatites virais, algumas podem ser prevenidas por vacinação disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, existem vacinas contra:

  • Hepatite A;
  • Hepatite B.

Além da vacinação, outras medidas ajudam na prevenção:

  • uso de preservativos nas relações sexuais;
  • não compartilhar objetos cortantes ou perfurocortantes;
  • utilizar materiais esterilizados para tatuagens e piercings;
  • manter cuidados com higiene e saneamento, especialmente para prevenir hepatites transmitidas por água e alimentos contaminados.

Quais são os principais tipos de hepatites virais?

Hepatite C

Representa 41,5% dos casos confirmados no Brasil entre 2000 e 2024. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado. Pode permanecer silenciosa por décadas, mas atualmente apresenta altas taxas de cura com medicamentos modernos.

Hepatite B

Corresponde a 36,6% dos registros nacionais. Pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou parto. A vacinação é considerada a principal forma de prevenção.

Hepatite A

Responde por 21,2% dos casos. Está relacionada principalmente ao consumo de água e alimentos contaminados e às condições de saneamento. Geralmente provoca doença aguda e raramente evolui para formas crônicas, embora casos graves possam exigir transplante hepático.

Hepatites D e E

São menos frequentes no Brasil. A hepatite D ocorre apenas em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B e concentra-se principalmente na Região Norte. Já a hepatite E costuma estar associada à água contaminada e surtos em locais com deficiência de saneamento.

Brasil tem estrutura para reduzir o impacto da doença

Segundo especialistas, o país reúne condições importantes para ampliar o controle das hepatites virais, oferecendo vacinação, testes rápidos e tratamentos pelo SUS.

O desafio permanece na identificação precoce dos casos, já que muitas pessoas desconhecem a própria infecção.

Fernando Wolff destaca que ampliar a conscientização é essencial para atingir a meta internacional de eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

Problema também preocupa o mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C crônica em todo o planeta.

Todos os anos, cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem em decorrência dessas infecções, tornando as hepatites virais uma das principais causas de morte por doenças infecciosas.

Como o cenário afeta o Rio Grande do Sul?

O índice de mortalidade acima da média nacional evidencia a necessidade de ampliar campanhas de vacinação, incentivar a realização de testes rápidos e fortalecer o diagnóstico precoce em todas as regiões do estado.

Perguntas frequentes

As hepatites sempre apresentam sintomas?

Não. As hepatites B e C podem permanecer anos sem provocar sinais perceptíveis.

Existe vacina?

Sim. O SUS oferece gratuitamente vacinas contra hepatite A e hepatite B.

A hepatite C tem cura?

Sim. Atualmente existem tratamentos com altas taxas de cura quando a doença é diagnosticada precocemente.

Onde fazer os testes?

Os testes rápidos estão disponíveis na rede pública de saúde e podem ser solicitados conforme avaliação dos profissionais de saúde.

Análise do Editor

O principal alerta do Julho Amarelo não está apenas no número elevado de mortes registrado no Rio Grande do Sul, mas no fato de que muitas dessas infecções poderiam ser identificadas antes de causar danos irreversíveis. A combinação entre vacinação, testagem e acesso ao tratamento continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade e evitar complicações como cirrose e câncer de fígado.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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