Mortes de golfinhos-de-Fraser intrigam pesquisadores após encalhes no Litoral Norte do RS e em SC
Pesquisadores do Ceclimar/UFRGS investigam a morte de oito golfinhos-de-Fraser encontrados encalhados em praias do Sul do Brasil, sendo quatro no Litoral Norte do Rio Grande do Sul e outros quatro em Passo de Torres (SC).
Os casos ocorreram em um intervalo de poucos dias e chamaram a atenção dos cientistas porque a espécie é pouco comum em águas mais frias da região.
Registros semelhantes no Uruguai levaram pesquisadores brasileiros e uruguaios a iniciar uma cooperação para tentar identificar a causa da mortandade.
Onde os golfinhos foram encontrados mortos?
No Rio Grande do Sul, os encalhes investigados ocorreram em Balneário Quintão, na área de Palmares do Sul e Cidreira, e na praia de Rondinha, em Arroio do Sal.
Em Santa Catarina, outros quatro golfinhos-de-Fraser foram encontrados mortos em Passo de Torres na quinta-feira, dia 30.
A concentração de registros em um período relativamente curto é um dos fatores que motivaram a investigação científica.
Por que a morte dos golfinhos chama a atenção dos pesquisadores?
O golfinho-de-Fraser (Lagenodelphis hosei) é uma espécie associada principalmente a águas tropicais e oceânicas. Por isso, o aparecimento de vários indivíduos mortos no extremo Sul do Brasil desperta atenção.
O problema não é apenas encontrar um animal da espécie na região. O que chama a atenção é a repetição dos encalhes em um intervalo de aproximadamente dez dias, somada aos registros feitos em Santa Catarina e às ocorrências semelhantes observadas no Uruguai.
Esse conjunto de acontecimentos fez com que os pesquisadores passassem a investigar se existe uma causa comum por trás dos episódios.
O que os pesquisadores estão investigando?
Ainda não existe uma conclusão sobre a causa das mortes.
As equipes trabalham com diferentes hipóteses e estão analisando principalmente duas possibilidades: a ocorrência de doenças virais e mudanças nas condições oceanográficas e climáticas.
Uma das linhas de investigação considera a possibilidade de que os animais tenham sido afetados por algum agente infeccioso. Outra avalia se alterações ambientais podem ter contribuído para a presença incomum da espécie e para os encalhes.
Os cientistas também estão analisando uma possível relação com períodos de El Niño intenso. Essa possibilidade, porém, faz parte da investigação e não significa que o fenômeno climático já tenha sido apontado como causa das mortes.
Como as mortes estão sendo investigadas?
As equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP) realizaram necropsias nos animais encontrados.
Durante o procedimento, foram coletadas amostras biológicas que serão submetidas a exames laboratoriais. A análise permite procurar evidências que possam ajudar a determinar as condições de saúde dos animais antes da morte e identificar possíveis agentes causadores.
O trabalho também envolve a preservação científica dos espécimes. Os esqueletos foram destinados à coleção do Museu de Ciências Naturais da UFRGS, onde poderão integrar o acervo utilizado em pesquisas e estudos sobre a fauna marinha.
Pesquisadores do Brasil e do Uruguai trabalham juntos
A investigação ganhou uma dimensão internacional porque episódios semelhantes foram registrados no Uruguai.
A ocorrência de animais da mesma espécie mortos em diferentes pontos do litoral sul-americano fez pesquisadores brasileiros e uruguaios estabelecerem uma cooperação técnica internacional.
A troca de informações permite comparar os animais encontrados, os resultados das necropsias e os dados ambientais registrados nos diferentes locais.
Essa comparação pode ajudar a identificar padrões que seriam mais difíceis de perceber quando os casos são analisados isoladamente.
O que é o golfinho-de-Fraser?
O golfinho-de-Fraser, cujo nome científico é Lagenodelphis hosei, é um cetáceo marinho encontrado principalmente em regiões tropicais e oceânicas.
O fato de a espécie estar associada a águas mais quentes ajuda a explicar por que os encalhes registrados no Sul do Brasil despertaram atenção dos pesquisadores.
O aparecimento de indivíduos em uma determinada região, por si só, não permite determinar a causa de um encalhe. Para isso, são necessários exames, necropsias e a análise conjunta de fatores biológicos e ambientais.
O que os resultados dos exames podem esclarecer?
Os exames laboratoriais podem ajudar a responder uma das principais perguntas da investigação: por que vários animais da mesma espécie morreram em diferentes pontos da costa em um período curto?
As análises podem contribuir para verificar a presença de agentes infecciosos e alterações nos órgãos e tecidos dos animais. Também podem ser confrontadas com informações ambientais e oceanográficas.
Enquanto os resultados não forem concluídos, não é possível afirmar que a mortandade tenha sido causada por vírus, El Niño, mudança de temperatura da água ou qualquer outro fator específico.
O que os moradores devem fazer ao encontrar um golfinho encalhado?
Animais marinhos encalhados devem ser observados à distância e não devem ser manipulados por moradores ou turistas.
Mesmo quando o animal parece morto, o contato pode representar risco para as pessoas e também interferir no trabalho das equipes responsáveis pelo monitoramento, coleta e investigação.
Ao encontrar um cetáceo encalhado, a orientação mais segura é não tocar no animal, não tentar devolvê-lo ao mar e acionar as equipes responsáveis pelo monitoramento de praias.
















