Movimento “O Sul é Meu País” promove encontro regional no Litoral Norte

Capão da Canoa recebe nesta sexta-feira, 30 de maio, um encontro regional do movimento “O Sul é Meu País”, grupo que defende a independência dos três estados do Sul. Evento reúne…
Sul é Meu País

Capão da Canoa recebe nesta sexta-feira, 30 de maio, um encontro regional do movimento “O Sul é Meu País”, grupo que defende a independência dos três estados do Sul.

Evento reúne lideranças do Litoral Norte e Sul gaúcho

O encontro será realizado no Restaurante Clube Village, em Capão Novo, no município de Capão da Canoa, reunindo representantes e apoiadores de cidades do Litoral Norte e do Litoral Sul do Rio Grande do Sul.

Segundo a programação divulgada pelos organizadores, o evento começa ao meio-dia com almoço de integração.

Entre 13h30 e 15h30, estão previstos debates e palestras sobre autonomia regional, pacto federativo e o futuro político e econômico da Região Sul.

O que defende o movimento “O Sul é Meu País”

O grupo se define como uma associação cívica e política sem fins lucrativos que propõe a emancipação política dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A organização defende a criação de um novo Estado-nação independente, separado da atual estrutura federativa brasileira.

Origem do movimento

O movimento foi fundado em 15 de maio de 1992, durante o 2º Congresso Sul-Brasileiro de Povos Livres, realizado em Laguna (SC).

O idealizador foi o historiador, advogado e político catarinense Adílcio Cadorin.

Atualmente, a sede administrativa da associação está localizada em Pomerode (SC), com comissões municipais espalhadas pelos três estados da Região Sul.

Principais argumentos utilizados pelo grupo

Desequilíbrio fiscal

O principal argumento econômico apresentado pelo movimento está relacionado ao chamado pacto federativo.

Segundo o grupo, os estados do Sul arrecadam mais impostos federais do que recebem em investimentos e repasses da União.

Autodeterminação dos povos

O movimento também utiliza conceitos ligados ao direito internacional e ao princípio da autodeterminação dos povos, frequentemente associado a debates internacionais sobre autonomia territorial.

Identidade histórica e cultural

Entre os elementos históricos citados pelo grupo aparecem episódios como a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, e a República Juliana, em Santa Catarina.

Os organizadores afirmam que há uma identidade cultural compartilhada entre os estados do Sul.

Os números do “Plebisul”

Entre 2016 e 2017, o movimento promoveu consultas populares informais chamadas de Plebisul.

A pergunta apresentada aos participantes era:

“Você gostaria que os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formassem um país independente?”

Resultados da primeira edição

A consulta ocorreu em 1º de outubro de 2016 e registrou cerca de 617 mil votos.

Segundo os organizadores:

  • 95% votaram “Sim”;
  • 5% votaram “Não”.

Resultados da segunda edição

Em 7 de outubro de 2017, a segunda edição contabilizou 364.256 votos.

  • 350.633 votos foram favoráveis à proposta;
  • 13.623 votos foram contrários.

O percentual divulgado pela organização aponta:

  • 96,26% favoráveis;
  • 3,74% contrários.

TRE barrou votação junto das eleições municipais

Na primeira edição do Plebisul, em 2016, os organizadores pretendiam realizar a consulta no mesmo domingo das eleições municipais.

Entretanto, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) determinou a proibição do uso simultâneo da estrutura eleitoral oficial.

O entendimento do tribunal foi de que a consulta poderia gerar confusão entre os eleitores e interferir no processo eleitoral oficial.

Com isso, a votação acabou sendo antecipada para o sábado anterior às eleições.

O que diz a Constituição Federal

Do ponto de vista jurídico, especialistas apontam que propostas separatistas enfrentam barreiras constitucionais no Brasil.

O Artigo 1º da Constituição Federal de 1988 estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela “união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”.

O ordenamento jurídico brasileiro não prevê direito de secessão territorial.

Por isso, consultas organizadas pelo movimento não possuem validade legal nem efeito vinculante perante a Justiça Eleitoral.

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Direto ao ponto

  • Evento ocorre em 30 de maio, em Capão Novo;
  • Movimento defende independência do Sul do Brasil;
  • Debates começam às 13h30;
  • Plebisul de 2017 registrou mais de 364 mil votos;
  • Constituição brasileira não prevê separação territorial.
Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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