O Movimento O Sul é o Meu País manteve atividades no Litoral Gaúcho mesmo após o cancelamento do local que sediaria um encontro regional apenas 36 horas antes da programação.
A situação ocorreu no último sábado (30) e obrigou a reorganização das atividades previstas. Apesar da impossibilidade de realizar o evento conforme planejado, integrantes do movimento seguiram com atendimentos, conversas e reuniões estratégicas na região.
Cancelamento ocorreu menos de dois dias antes do encontro
Segundo nota divulgada pelo Movimento O Sul é o Meu País, o espaço contratado para sediar o Encontro no Litoral cancelou a reserva apenas 36 horas antes da data marcada.
A decisão inviabilizou a realização da programação originalmente organizada para receber participantes interessados em conhecer as propostas e objetivos defendidos pelo grupo.
Na manifestação pública divulgada após o ocorrido, o movimento resumiu a situação com a frase: “Cancelaram o espaço. Não cancelaram nossas ideias”.
Atendimentos e conversas com moradores foram mantidos
Mesmo sem a estrutura inicialmente prevista, representantes do movimento permaneceram na região e realizaram encontros com cidadãos interessados em obter informações sobre a organização.
Durante o dia, foram promovidas conversas individuais, esclarecimento de dúvidas e apresentações sobre os projetos e posicionamentos defendidos pelo grupo.
As lideranças também relataram ter ouvido demandas da comunidade local, utilizando o momento para ampliar o diálogo com moradores do litoral.
Reunião estratégica fortaleceu planejamento regional
Além das atividades de relacionamento com o público, o contratempo acabou servindo para a realização de uma reunião estratégica entre lideranças regionais.
O encontro interno foi dedicado à discussão de ações futuras, fortalecimento da organização no litoral e planejamento de iniciativas voltadas à ampliação da presença do movimento nos municípios da região.
Entre os temas debatidos estiveram estratégias de mobilização, expansão das atividades locais e organização de novos eventos para os próximos meses.
Movimento destaca continuidade das ações

Na nota divulgada após o ocorrido, a direção regional afirmou que o cancelamento não alterou os objetivos de longo prazo da organização.
O grupo destacou que situações inesperadas fazem parte da atuação política e social, defendendo que os obstáculos podem ser transformados em oportunidades para fortalecer a estrutura regional.
A mensagem também agradeceu às pessoas que compreenderam as circunstâncias e participaram das atividades realizadas ao longo do sábado.
O que defende o movimento “O Sul é Meu País”
O grupo se define como uma associação cívica e política sem fins lucrativos que propõe a emancipação política dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
A organização defende a criação de um novo Estado-nação independente, separado da atual estrutura federativa brasileira.
Origem do movimento
O movimento foi fundado em 15 de maio de 1992, durante o 2º Congresso Sul-Brasileiro de Povos Livres, realizado em Laguna (SC).
O idealizador foi o historiador, advogado e político catarinense Adílcio Cadorin.
Atualmente, a sede administrativa da associação está localizada em Pomerode (SC), com comissões municipais espalhadas pelos três estados da Região Sul.
Principais argumentos utilizados pelo grupo
Desequilíbrio fiscal
O principal argumento econômico apresentado pelo movimento está relacionado ao chamado pacto federativo.
Segundo o grupo, os estados do Sul arrecadam mais impostos federais do que recebem em investimentos e repasses da União.
Autodeterminação dos povos
O movimento também utiliza conceitos ligados ao direito internacional e ao princípio da autodeterminação dos povos, frequentemente associado a debates internacionais sobre autonomia territorial.
Identidade histórica e cultural
Entre os elementos históricos citados pelo grupo aparecem episódios como a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, e a República Juliana, em Santa Catarina.
Os organizadores afirmam que há uma identidade cultural compartilhada entre os estados do Sul.
Os números do “Plebisul”
Entre 2016 e 2017, o movimento promoveu consultas populares informais chamadas de Plebisul.
A pergunta apresentada aos participantes era:
“Você gostaria que os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formassem um país independente?”
Resultados da primeira edição
A consulta ocorreu em 1º de outubro de 2016 e registrou cerca de 617 mil votos.
Segundo os organizadores:
- 95% votaram “Sim”;
- 5% votaram “Não”.
Resultados da segunda edição
Em 7 de outubro de 2017, a segunda edição contabilizou 364.256 votos.
- 350.633 votos foram favoráveis à proposta;
- 13.623 votos foram contrários.
O percentual divulgado pela organização aponta:
- 96,26% favoráveis;
- 3,74% contrários.
TRE barrou votação junto das eleições municipais
Na primeira edição do Plebisul, em 2016, os organizadores pretendiam realizar a consulta no mesmo domingo das eleições municipais.
Entretanto, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) determinou a proibição do uso simultâneo da estrutura eleitoral oficial.
O entendimento do tribunal foi de que a consulta poderia gerar confusão entre os eleitores e interferir no processo eleitoral oficial.
Com isso, a votação acabou sendo antecipada para o sábado anterior às eleições.
O que diz a Constituição Federal
Do ponto de vista jurídico, especialistas apontam que propostas separatistas enfrentam barreiras constitucionais no Brasil.
O Artigo 1º da Constituição Federal de 1988 estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela “união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”.
O ordenamento jurídico brasileiro não prevê direito de secessão territorial.
Direto ao Ponto
- Data: sábado, 30 de maio.
- Problema: cancelamento do espaço contratado 36 horas antes do evento.
- Atividades mantidas: conversas, atendimentos e esclarecimentos ao público.
- Lideranças: realizaram reunião estratégica regional.
- Mensagem central: “Cancelaram o espaço. Não cancelaram nossas ideias”.





















