O dia da Amazônia – Erner Machado

Erner Machado

    Neste 5 de setembro de 2026, Celebra-se o Dia da Amazônia — uma data que deveria ser de exaltação à maior floresta tropical do planeta, mas que se impõe, inevitavelmente, como um momento de profunda reflexão e lamento.

       A Amazônia é a espinha dorsal do equilíbrio ecológico global. Para o Brasil, ela representa a manutenção dos “rios voadores”, massas de umidade que navegam pelo céu e irrigam o centro-sul do país, sustentando a agricultura e os reservatórios de água que abastecem dezenas de milhões de pessoas.

       Abriga a maior biodiversidade da Terra e serve de lar para mais de 300 povos indígenas e comunidades tradicionais, guardiões seculares de um conhecimento inestimável.

       Para o mundo, a floresta atua como um dos maiores sumidouros de carbono do planeta, sendo uma peça insubstituível na regulação do clima e no combate ao aquecimento global.

       No entanto, a história da Amazônia sob o domínio do Estado brasileiro tem sido marcada por um descaso secular. Desde os tempos coloniais até a modernidade, as autoridades frequentemente enxergaram a região não como um patrimônio vital, mas como uma fronteira a ser explorada, drenada e desmatada em nome de um “progresso” predatório.

       O avanço impune do desmatamento ilegal, das queimadas, do garimpo e da grilagem expõe a omissão crônica do poder público. Promessas governamentais e discursos diplomáticos costumam desmoronar diante da falta de fiscalização contínua, do sucateamento de órgãos de proteção ambiental e do alinhamento político com interesses econômicos de curto prazo.

       Trata-se de um ciclo de destruição que devasta ecossistemas únicos, extingue espécies antes mesmo de serem conhecidas e empurra a floresta perigosamente para perto de um ponto de não retorno.

       Proteger a Amazônia não é uma concessão ou uma pauta política secundária; é uma obrigação moral e um imperativo de sobrevivência.

       Enquanto as autoridades continuarem tratando o bioma com vista grossa ou soluções paliativas, o Dia da Amazônia permanecerá sendo menos um dia de celebração e mais um lembrete do luto pelo que estamos deixando destruir.

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