“Nenhuma outra nação desenvolvida sofre esse tipo de violência. Nenhuma”, disse Obama, no Complexo Navy Yard, na zona sudeste da capital americana, onde 12 pessoas e o atacante morreram no tiroteio.
O presidente acrescentou que este novo caso, no centro de Washington, a algumas centenas de metros do Capitólio, sede do Congresso, devia ser visto como um sinal de alerta para todos os norte-americanos.
“As nossas lágrimas não são suficientes. As nossas palavras e as nossas orações não são suficientes. Se realmente queremos honrar esses 12 homens e mulheres, se realmente queremos ser um país onde podemos ir para o trabalho ou para a escola e andar nas nossas ruas, livres de violência sem sentido, sem que tantas vidas sejam roubadas por uma bala de uma arma, vamos ter de mudar”, explicou o presidente.
“Aqui, nos Estados Unidos, a taxa de homicídio é três vezes superior à registrada em outras nações desenvolvidas, a taxa de homicídio com armas é dez vezes superior. A principal diferença, e que nos torna suscetíveis a tantos tiroteios em massa, é que não fazemos o suficiente para tirar as armas das mãos dos criminosos e de pessoas perigosas”, alertou, citando os casos do Reino Unido e da Austrália, que reforçaram as leis de posse de armas depois de crimes idênticos.
“É fácil arranjar uma arma nos Estados Unidos e essa é a diferença”, explicou Obama.
Nos últimos meses, ocorreram vários tiroteios e, depois de cada incidente, o presidente norte-americano tem insistido, sem êxito, no reforço da legislação para controlar a posse de armas.O Congresso norte-americano tem recusado as iniciativas de Obama e de apoiadores e diz que o direito à posse de armas enriquece a Constituição dos Estados Unidos. O presidente reconheceu que será difícil conseguir uma mudança de legislação no Congresso, e pediu que os eleitores norte-americanos se pronunciem a favor de uma reforma.
Em dezembro, 20 crianças e seis adultos foram mortos a tiro numa escola primária de Newtown, no estado de Connecticut, na costa Leste, o que levou Obama a pedir um reforço do controle dos compradores de armas de fogo e uma proibição das espingardas do tipo militar. Essas medidas foram bloqueadas no Congresso, na sequência de uma campanha feroz dos lobbies pró-armas de fogo e da oposição de alguns parlamentares democratas, de estados conservadores.
De acordo com dados publicados este mês pela Polícia Federal norte-americana (FBI), 14.827 pessoas foram assassinadas, no ano passado, no país. Esses números representam uma queda em relação a dados de dez anos atrás, quando 24.526 pessoas foram mortas a tiro e a taxa de homicídios por 100 mil habitantes era 4,7.
De acordo com a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), essa taxa é 0,4 no Japão, 0,8 na Alemanha, 1 na Austrália, 1,1 na França e 1,2 no Reino Unido. Os Estados Unidos são um dos países mais armados do mundo, em que mais de um terço dos norte-americanos, de todas as idades, tem uma arma de fogo.





















