Ondas de até 3 metros são previstas para o Litoral Norte do RS após tsunami meteorológico em Capão da Canoa
O litoral do Rio Grande do Sul deve enfrentar uma nova condição de mar agitado nesta terça (22) e quarta-feira (23). A Marinha do Brasil emitiu aviso de ressaca para o trecho entre Torres, no Litoral Norte gaúcho, e Paranaguá, no Paraná, com previsão de ondas de sul/sudeste entre 2,5 e 3 metros.
O alerta ocorre um dia depois de um fenômeno raro chamar a atenção em Capão da Canoa: um rápido avanço do mar durante o temporal que atingiu o Litoral Norte na madrugada de segunda-feira (21).
O episódio é classificado como tsunami meteorológico, também chamado de meteotsunami;
O que a Marinha está prevendo
Segundo o aviso oficial da Marinha, a ressaca no trecho entre Torres e Paranaguá começa a partir das 9h12 desta terça-feira, no horário de Brasília, e segue até as 9h12 de quarta-feira.
A previsão indica ondas de sul/sudeste entre 2,5 e 3 metros na área sob aviso.
Isso significa que a faixa costeira do Litoral Norte gaúcho está incluída no aviso, mas a previsão não significa que todas as praias terão exatamente ondas de 3 metros. A altura do mar pode variar conforme o ponto da costa, direção das ondas, vento e condições locais.
O tsunami meteorológico já aconteceu em Capão da Canoa
O episódio registrado na madrugada de segunda-feira foi diferente da ressaca prevista para os próximos dias.
Em Capão da Canoa, o mar avançou de maneira rápida durante a passagem do temporal, com danos em quiosques.
O fenômeno é provocado por perturbações atmosféricas, especialmente mudanças rápidas na pressão e ventos intensos. Em determinadas condições, a perturbação pode entrar em ressonância com o movimento natural das ondas e provocar uma elevação rápida do nível do mar.
É outro tsunami que está previsto?
Não. A informação disponível não indica a previsão de um novo tsunami meteorológico para o Litoral Norte.
O que existe oficialmente para esta terça e quarta-feira é um aviso de ressaca da Marinha, com ondas previstas entre 2,5 e 3 metros no trecho entre Torres e Paranaguá.
A diferença é importante: o meteotsunami é uma oscilação rápida e anômala do nível do mar associada a condições atmosféricas específicas. Já a ressaca corresponde a um período de mar mais agitado, com ondas maiores e condições adversas na costa.
Por que o mar continua agitado?
A passagem do sistema meteorológico responsável pelo temporal modificou as condições de vento sobre o oceano. A Marinha também mantém avisos de vento forte e de mar grosso em áreas oceânicas da região.
Em um dos avisos emitidos nesta terça-feira, a Marinha prevê ondas de 3 a 4 metros em determinadas áreas oceânicas, que não devem ser confundidas com a previsão específica de 2,5 a 3 metros para a ressaca entre Torres e Paranaguá.
O que muda para quem está no Litoral Norte
A condição exige atenção principalmente de quem permanece próximo à faixa de areia, além de pescadores, navegadores e praticantes de esportes aquáticos.
- Banhistas: devem evitar entrar no mar durante o período de ressaca.
- Pescadores e navegadores: devem acompanhar os avisos marítimos antes de sair.
- Moradores e comerciantes próximos à praia: devem ficar atentos ao avanço da água e às condições do vento.
- Turistas: devem evitar permanecer sobre estruturas próximas ao mar durante períodos de ondas fortes.
Fenômenos não devem ser confundidos
O fato de o aviso de ressaca ter sido emitido um dia depois do meteotsunami não significa que a ressaca seja um novo tsunami meteorológico.
Na avaliação divulgada pelo meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, o episódio de meteotsunami registrado na segunda-feira já havia passado e não havia expectativa de uma nova ocorrência semelhante nos dias seguintes. A condição que permanecia no litoral era de mar agitado e ressaca.
O aviso oficial da Marinha confirma justamente essa condição marítima: há previsão de ressaca entre Torres e Paranaguá, com ondas de 2,5 a 3 metros entre os dias 22 e 23 de setembro.
O fenômeno em Capão da Canoa foi raro?
Sim. Os registros de meteotsunamis no litoral brasileiro são considerados pouco frequentes.
Estudo da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), identificou pelo menos sete eventos entre 2009 e 2021 nos litorais Sul e Médio do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Entre os locais já associados a eventos estão Cassino, Tavares e Mostardas, no Rio Grande do Sul, além de pontos do litoral catarinense.
O que está confirmado até agora
- Capão da Canoa: houve avanço rápido e anormal do mar durante o temporal de segunda-feira.
- Meteotsunami: Foi classificado o episódio como tsunami meteorológico.
- Marinha: há aviso oficial de ressaca entre Torres e Paranaguá.
- Ondas: a previsão para a área sob aviso é de 2,5 a 3 metros.
- Período: o aviso de ressaca vale entre 22 e 23 de setembro.
- Novo meteotsunami: não há previsão indicada nas fontes consultadas de repetição do fenômeno no Litoral Norte nesse período.

















