Operação revela esquema que pode ter causado prejuízo de até R$ 20 milhões em empresa do Litoral Sul

Funcionários da Yara são presos por suspeita de desviar fertilizantes em esquema que pode ter causado prejuízo de R$ 20 milhões Dois funcionários da Yara Fertilizantes, instalada no Distrito Industrial…
Operação revela esquema que pode ter causado prejuízo de até R$ 20 milhões em empresa do Litoral Sul

Funcionários da Yara são presos por suspeita de desviar fertilizantes em esquema que pode ter causado prejuízo de R$ 20 milhões

Dois funcionários da Yara Fertilizantes, instalada no Distrito Industrial de Rio Grande, no Litoral Sul, foram presos nesta quinta-feira (16) durante a Operação Lama de Ouro, da Polícia Civil.

A investigação aponta que os suspeitos utilizavam o acesso à empresa para desviar fertilizantes de alto valor comercial e revendê-los de forma clandestina. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 20 milhões.

Além das duas prisões, uma terceira pessoa foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. Os investigados poderão responder por furto qualificado e organização criminosa.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Decrab) de Rio Grande, responsável pelas investigações iniciadas após denúncias anônimas recebidas no começo deste ano.

Como funcionava o esquema investigado

Segundo a Polícia Civil, o grupo era formado por funcionários da própria empresa, que se aproveitavam da relação de confiança e do acesso às instalações para retirar fertilizantes sem autorização.

De acordo com a delegada Paula Vieira, responsável pelo caso, os desvios começaram durante as madrugadas e, com o passar do tempo, passaram a ocorrer com maior frequência.

O fertilizante retirado da empresa era um produto de alto valor comercial, avaliado em aproximadamente R$ 4 mil por tonelada.

Conforme a investigação, esse material era misturado ao chamado barro de varredura, um resíduo industrial cujo valor gira em torno de R$ 80 por tonelada. A mistura era então revendida irregularmente como fertilizante.

O método permitia aumentar o volume comercializado clandestinamente enquanto reduzia os custos do produto adulterado.

Investigação começou após denúncias

As apurações tiveram início no começo de 2026 após denúncias anônimas encaminhadas à Polícia Civil.

Durante a investigação, os policiais monitoraram a movimentação das cargas, acompanharam a rotina dos suspeitos dentro da empresa e identificaram parte dos destinos dos produtos desviados.

Segundo a Polícia Civil, somente o desvio dos fertilizantes representa um prejuízo estimado entre R$ 13 milhões e R$ 15 milhões. Somando outros danos identificados ao longo da investigação, o valor total pode alcançar R$ 20 milhões.

Um dos presos possui antecedentes por furto.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar toda a extensão do esquema.

O que é a Operação Lama de Ouro

A Operação Lama de Ouro foi deflagrada pela Decrab de Rio Grande para apurar um suposto esquema organizado de desvio de cargas dentro da unidade industrial da Yara Fertilizantes.

A investigação busca identificar não apenas os responsáveis pelos furtos, mas também quem recebia, transportava e comercializava os produtos desviados.

Conforme a Polícia Civil, novas diligências poderão ser realizadas à medida que o inquérito avance.

Empresa diz ser vítima e afirma colaborar com a investigação

Em nota oficial, a Yara Brasil informou que está colaborando integralmente com a investigação conduzida pela Polícia Civil e destacou que é vítima dos crimes apurados.

A empresa informou ainda que, em razão do sigilo das investigações, não comentará detalhes sobre o caso.

“A Yara Brasil confirma a ação da Polícia Civil em sua unidade de Rio Grande (RS) envolvendo colaboradores da empresa nesta quinta-feira. A empresa, que é vítima dos ilícitos investigados, informa que está colaborando com a investigação e que, em razão do sigilo, não comentará detalhes de investigação em andamento.”

Análise do Editor

Além do elevado prejuízo financeiro, a investigação chama atenção pelo fato de o suposto esquema ter sido praticado, segundo a Polícia Civil, por pessoas que possuíam acesso direto às instalações da empresa. Casos dessa natureza costumam exigir auditorias internas, revisão de protocolos de segurança e aperfeiçoamento dos mecanismos de controle de cargas, especialmente em empresas ligadas à cadeia do agronegócio, onde produtos possuem alto valor comercial.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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