Paciente de 380 quilos morre após espera por transferência no Litoral Norte

Luciano Borges Costi, de 49 anos, morreu nesta quarta-feira (12) após passar 19 dias internado no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do…
Paciente de 380 quilos morre após espera por transferência no Litoral Norte
Foto: Equipes mobilizadas para retirar Luciano Borges Costi de seu prédio e levá-lo ao Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa.

Luciano Borges Costi, de 49 anos, morreu nesta quarta-feira (12) após passar 19 dias internado no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O paciente, que pesava cerca de 380 quilos, aguardava transferência para uma unidade de maior complexidade quando seu estado de saúde se agravou.

A morte ocorreu depois de uma mobilização que envolveu decisão judicial, busca por hospitais com estrutura adequada e uma operação de transporte que chegou a ser preparada, mas foi suspensa devido às condições clínicas do paciente.

Agora, a demora no processo e as circunstâncias que impediram a transferência devem continuar sendo questionadas pela família. Eventuais responsabilidades, porém, ainda precisarão ser apuradas pelas autoridades competentes.

Decisão judicial determinava transferência

Luciano estava internado desde 28 de julho no Hospital Santa Luzia. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ele enfrentava uma infecção generalizada associada a graves lesões na pele.

Na semana passada, a Justiça determinou que fosse providenciada sua transferência para atendimento de maior complexidade, com custeio pelo IPE Saúde, dentro de um prazo de 48 horas.

O cumprimento da decisão, no entanto, esbarrou na dificuldade de encontrar uma instituição capaz de receber um paciente com suas características clínicas e físicas.

Segundo a defesa da família, hospitais de referência teriam recusado o atendimento por não possuírem estrutura adequada.

IPE Saúde diz que não houve negativa de atendimento

Em nota, o IPE Saúde afirmou que Luciano estava assistido pelo Hospital Santa Luzia desde 28 de julho e que não houve negativa de atendimento ou de cobertura assistencial.

Segundo o Instituto, após tomar conhecimento da necessidade de transferência, foram realizados contatos com diferentes hospitais da rede credenciada, mas as instituições consultadas informaram não possuir capacidade técnica para receber um paciente com as características clínicas apresentadas.

O IPE Saúde informou que um leito no Hospital de Clínicas de Porto Alegre foi viabilizado na segunda-feira (10), com confirmação na manhã de terça-feira (11).

Segundo o Instituto, quando a transferência seria realizada, o quadro clínico de Luciano já havia se agravado, com necessidade de internação em UTI.

Ainda conforme a nota, um leito de UTI foi disponibilizado no Hospital de Clínicas no mesmo dia, mas o Hospital Santa Luzia teria entendido que o paciente não apresentava condições clínicas para ser transportado.

Operação chegou a ser mobilizada

Na noite de terça-feira, uma operação para a transferência chegou a mobilizar duas ambulâncias, equipes médicas e bombeiros.

O deslocamento, porém, não ocorreu.

De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, o agravamento do estado de saúde tornou o transporte inviável naquele momento. Luciano morreu na manhã desta quarta-feira.

O caso foi acompanhado pela imprensa regional e nacional e também ganhou repercussão pela dificuldade encontrada para localizar uma estrutura hospitalar preparada para receber o paciente.

Família deve questionar demora

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A família pretende questionar judicialmente a demora na transferência e sustenta que o tempo de espera foi decisivo diante do quadro clínico.

Por outro lado, o IPE Saúde afirma que realizou buscas por alternativas na rede credenciada e que não interfere na gestão dos hospitais, na regulação de leitos nem nas decisões médicas relacionadas ao encaminhamento e ao transporte dos pacientes.

A partir de agora, uma eventual investigação poderá esclarecer a sequência das decisões, as dificuldades enfrentadas para encontrar uma vaga adequada e se houve falhas que contribuíram para o desfecho.

Até o momento, não há conclusão oficial atribuindo a morte de Luciano à demora na transferência.

Caso expõe dificuldade para atendimento de pacientes com necessidades excepcionais

Além das circunstâncias específicas da morte, o caso levanta uma discussão mais ampla sobre a capacidade da rede hospitalar para atender pacientes que necessitam de equipamentos, leitos e estruturas fora dos padrões normalmente disponíveis.

O Hospital Santa Luzia, onde Luciano estava internado, aparece em documentos do governo estadual entre as instituições que receberam investimentos recentes em equipamentos para setores de internação e emergência. Isso, entretanto, não significa que a unidade possua estrutura específica para todas as situações clínicas excepcionais.

A principal questão agora é entender se existe, no Rio Grande do Sul, uma rede previamente estruturada para identificar e receber pacientes que necessitam de equipamentos especiais e transporte de alta complexidade.

No caso de Luciano Borges Costi, a resposta não chegou a tempo para permitir a transferência.

O que se sabe até agora

  • Luciano Borges Costi morreu nesta quarta-feira (12), após 19 dias internado em Capão da Canoa;
  • ele pesava cerca de 380 quilos e enfrentava um grave quadro de saúde;
  • a Justiça havia determinado sua transferência para uma unidade de maior complexidade;
  • o processo enfrentou dificuldades para encontrar uma instituição com estrutura adequada;
  • o IPE Saúde afirma que não houve negativa de cobertura e que buscou alternativas na rede credenciada;
  • um leito no Hospital de Clínicas foi confirmado, segundo o Instituto, mas o agravamento clínico impediu o transporte;
  • a família pretende questionar a demora;
  • eventuais responsabilidades ainda deverão ser apuradas.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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