A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) apresentou um plano estratégico para ampliar a capacidade de prevenção e resposta a um possível retorno do El Niño entre 2026 e 2027.
A iniciativa prevê reforço da infraestrutura do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), monitoramento contínuo da Lagoa dos Patos, uso de inteligência artificial e atuação integrada com a Defesa Civil para reduzir os impactos de enchentes, ventos fortes e outros eventos climáticos extremos.
O planejamento foi apresentado nesta semana e concentra esforços principalmente na região da Lagoa dos Patos e no litoral sul gaúcho, áreas que sofreram sucessivos episódios de inundações, alagamentos e tempestades nos últimos anos.
Por que o plano foi elaborado agora?
A iniciativa surge diante das projeções climáticas que indicam a possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño. Embora a intensidade do fenômeno ainda dependa da evolução das condições do Oceano Pacífico, a estratégia busca evitar que ações de resposta ocorram apenas após o início das ocorrências.
Segundo a coordenadora do Ciex, Elisa Fernandes, o objetivo é transformar o centro em uma estrutura permanente de preparação para eventos extremos.
“Quando falamos em preparação para um fenômeno como esse, não estamos pensando apenas em responder a uma emergência. Estamos construindo uma capacidade permanente de antecipação e prevenção”, afirmou.
Como funcionará o plano estratégico
O cronograma foi dividido em três fases, permitindo que a estrutura seja preparada antes, durante e após um eventual episódio do fenômeno.
Primeira fase: preparação
Prevista entre julho e setembro, contempla:
- Ampliação da estrutura física do Ciex;
- Implantação de uma Central de Processamento com suporte à inteligência artificial;
- Modernização dos sistemas de monitoramento da Lagoa dos Patos;
- Treinamentos e simulado conjunto com a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e a Defesa Civil.
Segunda fase: resposta operacional
Será ativada caso o El Niño provoque impactos na região.
Entre as ações previstas estão:
- Monitoramento hidrometeorológico durante 24 horas;
- Emissão contínua de alertas;
- Boletins técnicos para autoridades;
- Simulações de cenários;
- Acompanhamento em tempo real da Lagoa dos Patos;
- Operações de campo para manutenção das estações de monitoramento.
Terceira fase: avaliação
Programada entre maio e julho de 2027, será destinada à análise dos resultados obtidos, revisão dos protocolos e incorporação das experiências adquiridas ao sistema permanente de resposta.
Inteligência artificial e novos equipamentos reforçam o monitoramento
O plano também prevê investimentos em tecnologia para ampliar a produção e a análise de dados ambientais.
Entre os equipamentos previstos estão:
- drones para mapeamento territorial;
- veículo 4×4 preparado para áreas alagadas;
- sensores inteligentes;
- novas estações meteorológicas;
- integração de dados de satélites, marégrafos e outras plataformas de monitoramento em tempo real.
Segundo a coordenação do Ciex, a combinação dessas ferramentas permitirá produzir diagnósticos mais rápidos e oferecer informações qualificadas aos órgãos responsáveis pela gestão de riscos.
Por que a Lagoa dos Patos recebe atenção especial?
A Lagoa dos Patos exerce influência direta sobre dezenas de municípios do sul do Rio Grande do Sul. Durante eventos extremos, alterações no nível da água, ventos persistentes e elevados volumes de chuva podem provocar transbordamentos, alagamentos urbanos e impactos sobre comunidades ribeirinhas.
O monitoramento contínuo busca identificar alterações com maior antecedência, permitindo que alertas sejam emitidos antes da ocorrência dos eventos mais críticos.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
No Rio Grande do Sul, ele costuma estar associado ao aumento das chuvas, maior frequência de temporais, enchentes e cheias de rios, embora seus efeitos possam variar conforme a intensidade do fenômeno e a atuação de outros sistemas atmosféricos.
Nos últimos anos, episódios de chuva extrema provocaram prejuízos em diversas regiões do Estado, reforçando a necessidade de sistemas de monitoramento mais eficientes e planejamento antecipado.
















