Marcelo Maranata apresenta um plano de governo baseado em gestão por resultados, equilíbrio fiscal, regionalização dos serviços públicos, proteção contra enchentes, modernização da infraestrutura e estímulo ao desenvolvimento econômico.
O Litoralmania analisou o Plano de Governo Marcelo Maranata – Rio Grande do Sul 2027–2030, apresentado pela candidatura identificada no documento como PSDB-Cidadania.
Esta reportagem faz parte de uma série especial do Litoralmania sobre as Eleições 2026. O projeto analisa os planos e propostas oficiais dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul utilizando uma mesma metodologia.
A prioridade é dada aos documentos oficiais apresentados pelas candidaturas. Entrevistas, discursos e declarações isoladas não são utilizados como base para definir as propostas analisadas.
À medida que os documentos dos demais candidatos forem analisados, novas reportagens serão publicadas seguindo o mesmo critério, permitindo ao eleitor comparar o que cada candidatura efetivamente apresenta como proposta.
O que Marcelo Maranata propõe para o Rio Grande do Sul?
O plano está estruturado em três grandes eixos: eficiência da máquina pública, desenvolvimento econômico e desenvolvimento social com resiliência climática.
O documento também apresenta uma versão técnica detalhada, com propostas divididas em áreas como educação, saúde, segurança, infraestrutura, economia, meio ambiente, habitação, turismo e tecnologia.
Um dos diferenciais do plano é a previsão de estabelecer metas, indicadores, cronogramas e acompanhamento público para diversas políticas.
Gestão por resultados e redução da estrutura política
Na administração pública, Marcelo Maranata propõe uma revisão da estrutura do Estado para eliminar sobreposições, órgãos sem finalidade clara e cargos de confiança considerados desnecessários.
O plano prevê reduzir o número de cargos políticos e ampliar critérios técnicos para funções estratégicas.
Também está prevista a criação de estruturas voltadas à transparência, integridade e governança de dados, além da publicação de informações sobre contratos, obras, pagamentos, cronogramas e resultados.
Outra proposta é criar painéis regionais de metas do governo, atualizados periodicamente, permitindo o acompanhamento público da execução das políticas.
Foco no equilíbrio fiscal e na dívida do Estado
O plano defende a manutenção da responsabilidade fiscal como condição para ampliar investimentos em serviços públicos.
Entre as propostas estão a negociação da dívida do Rio Grande do Sul com a União, a revisão de incentivos tributários, a modernização da fiscalização e a redução de despesas administrativas.
O documento também prevê criar um banco de projetos para captar financiamentos e recursos não reembolsáveis.
Educação: alfabetização, escolas resilientes e ensino técnico
Na educação, uma das metas apresentadas é alcançar a alfabetização de pelo menos 90% das crianças até o final do 2º ano.
O plano também prevê reduzir pela metade o número de estudantes abaixo do nível básico e diminuir o abandono no Ensino Médio para menos de 2%.
Entre as principais propostas estão o fortalecimento do Alfabetiza Tchê, recuperação contínua da aprendizagem, busca ativa de estudantes e ampliação gradual do ensino em tempo integral.
Marcelo Maranata também propõe ampliar a educação profissional e técnica de acordo com as vocações econômicas de cada região.
Os cursos poderiam priorizar áreas como tecnologia, saúde, indústria, logística, energias renováveis, turismo, agricultura e gestão de riscos climáticos.
Escolas preparadas para eventos climáticos
O plano propõe fortalecer e ampliar a estratégia de Escolas Resilientes.
A previsão é realizar um mapeamento estrutural e climático das escolas, priorizando unidades sujeitas a enchentes, deslizamentos, temporais, estiagens e ondas de calor.
Também está prevista a criação de planos de contingência e continuidade pedagógica para todas as escolas estaduais.
Saúde: sete polos regionais e redução da ambulancioterapia
Na saúde, uma das principais propostas é organizar a rede estadual em sete grandes polos regionais, buscando aproximar consultas, exames e procedimentos especializados da população.
O objetivo declarado é reduzir a chamada ambulancioterapia, evitando que pacientes precisem percorrer centenas de quilômetros para receber atendimento que poderia ser regionalizado.
O plano também prevê integrar sistemas de regulação e acompanhamento das filas, com informações sobre prioridade clínica, posição do paciente, tempo estimado de espera e capacidade disponível em cada região.
Entre as propostas estão ainda o fortalecimento da atenção primária, da saúde mental, da telessaúde e das redes de atendimento para câncer, doenças cardiovasculares e saúde materno-infantil.
Segurança pública e combate ao feminicídio
Na segurança, o plano aposta na integração entre as forças policiais e no uso de inteligência e análise de dados.
Está prevista a criação de uma força estadual permanente de inteligência cibernética para combater estelionatos, fraudes digitais, lavagem de dinheiro e crimes ligados a organizações criminosas.
O combate ao feminicídio aparece como uma prioridade específica.
Entre as medidas propostas estão o fortalecimento das Patrulhas Maria da Penha, do Monitoramento do Agressor, da Rede Lilás, das delegacias especializadas e dos protocolos de avaliação de risco.
Combate às apostas e proteção de crianças
Um dos pontos específicos do plano é a posição contrária à expansão indiscriminada das apostas eletrônicas.
Marcelo Maranata propõe restringir a publicidade de bets em espaços e programas sob responsabilidade do governo estadual, especialmente aqueles voltados a crianças e adolescentes.
O documento também prevê campanhas de educação financeira, cidadania digital e prevenção aos problemas relacionados ao jogo.
Outra proposta é ampliar o atendimento a pessoas superendividadas em razão das apostas.
Infraestrutura e mudança no modelo de concessões
Na infraestrutura, o plano prevê um programa permanente de manutenção rodoviária, recuperação de pontes e acessos críticos e conclusão de obras paralisadas antes da abertura de novos projetos.
Em relação às concessões rodoviárias, Marcelo Maranata propõe reformular o modelo atual.
A ideia apresentada é buscar, quando técnica e juridicamente possível, separar grandes investimentos estruturais das atividades de manutenção e atendimento ao usuário.
O plano também defende o uso de recursos públicos e financiamentos de longo prazo para obras como duplicações e viadutos, buscando reduzir a pressão desses investimentos sobre as tarifas de pedágio.
Porto de Arroio do Sal é citado no plano
O documento traz uma proposta diretamente relacionada ao Litoral Norte.
Marcelo Maranata prevê articular a expansão da infraestrutura portuária, incluindo a avaliação técnica, econômica e ambiental do Porto de Arroio do Sal.
O plano não apresenta, no entanto, uma promessa de implantação do empreendimento.
A proposta fala especificamente em avaliação técnica, econômica e ambiental do projeto.
Essa diferença é importante porque o Litoralmania está utilizando como critério apenas aquilo que está explicitamente registrado nos documentos oficiais das candidaturas.
Energia eólica offshore também aparece entre as propostas
Outro ponto que pode ter relação direta com a região costeira é a proposta de estruturar projetos de energia eólica offshore.
O plano condiciona esses projetos à realização de estudos ambientais, segurança jurídica e participação das comunidades locais.
O documento não especifica quais áreas do litoral poderiam receber esses empreendimentos.
Proteção contra enchentes e segurança hídrica
A resiliência climática é um dos três grandes eixos do plano.
Entre as propostas estão a atualização de mapas de risco, criação de sistemas integrados de alerta, fortalecimento da Defesa Civil e recuperação de estruturas de proteção contra cheias.
O documento também prevê um plano estadual permanente de segurança hídrica e enfrentamento às secas, com ações de reservação, irrigação, proteção de nascentes e planejamento por bacias.
Para a Região Metropolitana, a proteção contra cheias é tratada como prioridade específica, incluindo recuperação de diques, comportas, casas de bombas e sistemas de drenagem.
Economia, pequenos negócios e Banrisul
Na área econômica, Marcelo Maranata propõe reduzir burocracias, simplificar licenciamentos e facilitar o acesso ao crédito.
Entre as medidas estão a criação de um balcão único estadual para empreendedores, ampliação do microcrédito produtivo e criação de um fundo garantidor estadual para pequenos negócios.
O plano também prevê programas para apoiar empresas endividadas, incubadoras, aceleradoras e espaços compartilhados de trabalho.
Para o Banrisul, a proposta é ampliar o papel do banco no financiamento de inovação, modernização industrial, irrigação, armazenagem, energia limpa e adaptação climática.
Agricultura, irrigação e desenvolvimento rural
Para o meio rural, o plano propõe um programa estadual de irrigação por bacias e microrregiões.
Também prevê ampliar a reservação de água, fortalecer a assistência técnica, modernizar a defesa sanitária animal e vegetal e estimular agricultura de precisão.
Entre as propostas estão ainda o fortalecimento das cooperativas, expansão do seguro rural e incentivo à agregação de valor à produção.
Turismo e economia da experiência
O plano inclui o turismo entre as áreas estratégicas de desenvolvimento econômico.
A proposta prevê estimular o turismo sustentável e integrar a atividade à cultura, à economia criativa e à promoção externa do Rio Grande do Sul.
O documento também relaciona a formação profissional às vocações econômicas regionais e cita o turismo entre as áreas que podem receber investimentos em educação profissional.
O que o plano diz sobre o Litoral Norte?
Na análise do Litoralmania, o documento não apresenta um capítulo específico dedicado ao Litoral Norte ou ao Litoral Sul.
Entretanto, há propostas que podem ter impacto direto na região.
A principal menção territorial explícita é a avaliação técnica, econômica e ambiental relacionada ao Porto de Arroio do Sal.
Também aparecem propostas relacionadas à energia eólica offshore, turismo, infraestrutura, segurança hídrica, conectividade e adaptação climática.
Como o documento não vincula essas demais políticas diretamente ao Litoral Norte, elas não são classificadas pelo Litoralmania como propostas específicas para a região.
Série vai analisar os planos oficiais dos candidatos
O levantamento faz parte de uma série especial do Litoralmania sobre os planos de governo dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul.
Todos os documentos serão analisados seguindo a mesma metodologia editorial: prioridade para os planos e propostas oficiais apresentados pelas candidaturas.
O objetivo é permitir que o eleitor compare, tema por tema, o que cada candidato efetivamente propõe para o futuro do Rio Grande do Sul.
















