P-33 chega ao Estaleiro Rio Grande para ser desmontada e reciclada após operação da Petrobras
A plataforma P-33, da Petrobras, chegou nesta terça-feira (11) ao cais do Estaleiro Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, para iniciar uma nova etapa de seu descomissionamento. A estrutura deverá ser levada ao dique seco nesta quarta-feira (12), dependendo das condições meteorológicas e marítimas, onde será desmontada e destinada à reciclagem.
Com cerca de 337 metros de comprimento, 54,5 metros de largura e 45 mil toneladas, a P-33 será desmontada pela Ecovix, responsável pela operação do Estaleiro Rio Grande. A plataforma foi adquirida pela Gerdau em leilão realizado em 2023.
A sucata metálica resultante do processo será utilizada como matéria-prima para a produção de aço da Gerdau em Charqueadas, no Rio Grande do Sul. Outros materiais terão destinação adequada conforme as exigências ambientais aplicáveis.
Da Bacia de Campos para Rio Grande
A P-33 era utilizada pela Petrobras no Campo de Marlim, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. A unidade estava atracada no Porto do Açu desde fevereiro de 2024 e iniciou a viagem para o Rio Grande do Sul em julho deste ano.
A chegada ao Estaleiro Rio Grande acontece depois da conclusão do desmantelamento da P-32, em junho. A P-32 foi a primeira unidade de produção flutuante da Petrobras submetida ao novo modelo de destinação sustentável adotado pela companhia.
Agora, a P-33 ocupará o mesmo dique seco utilizado pela P-32. O contrato prevê que a Ecovix execute o desmantelamento para a Gerdau.
O que acontece com a plataforma
O processo não consiste apenas em retirar a plataforma de operação. O descomissionamento envolve etapas de remoção, desmontagem e destinação dos diferentes materiais, seguindo critérios técnicos, ambientais e de segurança.
No caso da P-33, o principal destino da estrutura metálica será a reciclagem. A Gerdau informou, desde a contratação do serviço, que pretende transformar a sucata em matéria-prima para fabricação de novo aço em Charqueadas. A empresa também prevê a destinação correta dos materiais não metálicos.
A Petrobras acompanha as etapas do plano de desmantelamento para verificar o cumprimento de práticas ambientais, sociais e de governança. O modelo faz parte da estratégia de destinação sustentável de ativos que chegaram ao fim de seu ciclo operacional.
Operação movimenta a indústria naval gaúcha
A chegada da P-33 ocorre em um momento de retomada das atividades do Estaleiro Rio Grande. O complexo não depende apenas dos contratos de desmantelamento: também voltou a avançar na construção de embarcações para a Transpetro.
Em julho, o estaleiro recebeu aproximadamente 11 mil toneladas de aço para a construção de quatro navios da classe Handymax contratados pela Transpetro. O material corresponde a cerca de 60% do aço necessário para os quatro cascos. Naquele momento, aproximadamente 500 trabalhadores estavam envolvidos no contrato.
A expectativa informada pela Ecovix é de que o número de trabalhadores envolvidos nesse projeto chegue a cerca de mil até o fim de 2026 e alcance entre 1,6 mil e 1,7 mil no pico das atividades, previsto para 2027.
Além dos quatro Handymax, a Ecovix possui contratos para construir outras embarcações para a Transpetro. Em janeiro, foi anunciado o contrato para cinco navios gaseiros e, em junho, a empresa informou a contratação de quatro navios de médio porte da classe MR1. Com os três contratos, a Ecovix projeta a construção de 13 embarcações para a estatal nos próximos anos.
O que a P-33 representa para o descomissionamento da Petrobras
A P-33 é a segunda plataforma destinada ao Estaleiro Rio Grande dentro do modelo de desmantelamento sustentável adotado pela Petrobras em parceria com empresas privadas.
O programa ocorre em uma escala maior. No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras prevê a remoção de 18 plataformas no horizonte do plano: sete fixas, sete flutuantes e quatro semissubmersíveis. A companhia prevê ainda investimentos de US$ 9,7 bilhões no quinquênio para atividades de descomissionamento, incluindo destinação de equipamentos e abandono de poços.
Esse número é diferente da divisão de 11 unidades flutuantes e sete fixas citada em informações anteriores sobre o programa. O planejamento mais recente da Petrobras, referente ao ciclo 2026-2030, é o que deve ser considerado para retratar a carteira atual.
Por que o desmantelamento é importante
O fim da operação de uma plataforma exige uma destinação planejada para uma estrutura que pode pesar dezenas de milhares de toneladas. A reciclagem permite recuperar materiais e reinseri-los em cadeias industriais, ao mesmo tempo em que reduz a necessidade de destinação final de grandes volumes de resíduos.
Para o Rio Grande do Sul, o processo também representa uma frente de atividade para o setor naval e metalúrgico. A P-33 chega ao Estado justamente quando o Estaleiro Rio Grande amplia sua carteira de serviços, combinando desmantelamento de estruturas offshore com a construção de novos navios.
A entrada da plataforma no dique seco está prevista para quarta-feira (12), mas a operação depende das condições meteorológicas e marítimas. O cronograma poderá ser ajustado caso as condições não sejam consideradas adequadas para a movimentação.
















