Polícia Civil cria protocolo para acelerar buscas por crianças, adolescentes e idosos desaparecidos no RS
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul passou a adotar um novo protocolo para padronizar o atendimento de casos de desaparecimento envolvendo pessoas em situação de vulnerabilidade. Desenvolvido pelo Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), o Procedimento Operacional Padrão (POP) estabelece critérios de classificação por grau de risco, define ações que devem ser tomadas nas primeiras horas após o desaparecimento e amplia o uso de tecnologias para aumentar as chances de localização das vítimas.
A medida busca reduzir o tempo de resposta das equipes policiais, considerado decisivo em investigações desse tipo. Atualmente, o Estado possui 154 registros ativos de pessoas desaparecidas, sendo 58 casos envolvendo crianças e adolescentes.
Somente neste ano, foram registrados 1.649 desaparecimentos no Rio Grande do Sul. Desse total, 1.525 ocorreram entre adolescentes de 12 a 17 anos, faixa etária que concentra o maior número de ocorrências.
Como funciona o novo protocolo
O Procedimento Operacional Padrão estabelece um fluxo único para todas as delegacias responsáveis pelo atendimento desses casos.
Entre as medidas previstas estão:
- classificação dos desaparecimentos por níveis de risco, utilizando um sistema de cores;
- definição das providências imediatas conforme a gravidade da ocorrência;
- preservação de provas e evidências logo nas primeiras horas;
- acionamento de setores especializados de inteligência;
- padronização da divulgação das informações sobre o desaparecido;
- registro obrigatório quando a pessoa é localizada.
O objetivo é evitar diferenças de procedimentos entre delegacias e garantir uma resposta mais rápida e eficiente em todo o Estado.
Por que as primeiras horas são decisivas
Segundo o DPGV, o período imediatamente após o desaparecimento representa a fase mais importante da investigação.
Com o passar do tempo, imagens de câmeras de segurança podem ser apagadas, testemunhas tendem a esquecer detalhes importantes e registros digitais podem deixar de estar disponíveis, reduzindo as possibilidades de localização.
Por isso, o protocolo determina ações específicas desde o momento do registro da ocorrência, estabelecendo procedimentos para até 2 horas, 6 horas, 24 horas e também para os dias seguintes ao desaparecimento.
Amber Alert passa a ganhar mais espaço nas investigações
O novo protocolo também fortalece o uso do Amber Alert, ferramenta que permite divulgar rapidamente informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos.
O sistema envia alertas pelas redes sociais nas primeiras horas após o desaparecimento, alcançando pessoas em um raio de aproximadamente 160 quilômetros do local da ocorrência.
As mensagens incluem fotografia da vítima, características físicas e informações que possam auxiliar na identificação e localização.
A Polícia Civil pretende ampliar o conhecimento dessa ferramenta entre as delegacias para que ela seja utilizada sempre que os critérios técnicos forem atendidos.
Reconhecimento facial também poderá auxiliar nas buscas
Outra novidade prevista é a parceria com shoppings que possuam sistemas de reconhecimento facial.
Quando uma pessoa cadastrada como desaparecida passar por um desses locais, o sistema poderá gerar um alerta para a Polícia Civil, permitindo uma resposta mais rápida das equipes responsáveis pela investigação.
A medida complementa outras ferramentas tecnológicas já utilizadas durante as buscas.
Quem terá prioridade no novo protocolo
O POP considera como pessoas vulneráveis:
- crianças e adolescentes;
- idosos;
- pessoas com deficiência física, intelectual, auditiva, visual ou sensorial;
- pessoas com transtornos mentais ou cognitivos;
- pessoas com medidas protetivas em vigor;
- vítimas de violência doméstica e familiar;
- pessoas com histórico de autolesão ou risco de suicídio;
- qualquer pessoa cuja condição indique risco à própria integridade.
Nem todo desaparecimento apresenta o mesmo grau de risco
O protocolo diferencia situações de alto risco de casos considerados menos urgentes.
Entre os exemplos citados pela Polícia Civil está o desaparecimento de uma criança com autismo que depende de medicação contínua, situação classificada como crítica.
Já ocorrências envolvendo adolescentes que costumam permanecer fora de casa por algumas horas continuam sendo investigadas, mas seguem uma classificação diferente de prioridade.
A definição busca direcionar recursos conforme o potencial risco à vida ou à integridade física da pessoa desaparecida.
Famílias também têm papel importante após a localização
A Polícia Civil alerta que, quando a pessoa desaparecida é encontrada, é fundamental comunicar imediatamente às autoridades responsáveis.
O registro oficial de localização evita que equipes continuem mobilizadas desnecessariamente e mantém os bancos de dados atualizados, reduzindo falsas buscas e permitindo que os recursos sejam direcionados para outros casos.
















