Ponte entre Rio Grande e São José do Norte, o que aconteceu?
Meses depois de um impasse envolvendo a empresa contratada para elaborar o projeto da ponte entre Rio Grande e São José do Norte, ainda não há confirmação pública de que os trabalhos de engenharia tenham sido retomados.
A ligação a seco, aguardada há mais de 50 anos, entrou em uma nova fase de indefinição em 2026. O problema surgiu depois que a empresa vencedora da licitação, Nova Engenharia S.A., ficou impedida de contratar com o poder público.
Em abril, o DNIT informou que avaliava a possibilidade de convocar a segunda colocada da licitação, mas que antes precisava concluir uma análise técnico-jurídica sobre a situação da empresa vencedora.
Em maio, prefeitos e lideranças regionais voltaram a procurar o órgão federal em Brasília para cobrar uma definição sobre o contrato.
O que aconteceu depois da primeira reviravolta
O Litoralmania revelou em março que a elaboração do projeto de engenharia havia sido interrompida por causa da situação da empresa vencedora.
Naquele momento, o DNIT confirmou que a Nova Engenharia S.A. estava impedida de contratar com o poder público em razão de uma sanção vigente.
O contrato para elaborar os projetos básico e executivo da ponte havia sido aprovado pelo DNIT por R$ 7,59 milhões, com prazo de execução de 726 dias úteis.
O contrato, portanto, não corresponde à construção da ponte. Ele trata justamente da etapa de engenharia necessária para definir a solução que poderá posteriormente ser licitada para a execução da obra.
DNIT chegou a avaliar segunda colocada
Em reunião realizada em abril, representantes da Fecomércio-RS e da Confederação Nacional do Comércio cobraram do DNIT uma solução para o impasse.
Na ocasião, o órgão informou que avaliava convocar a segunda colocada do certame para assumir o contrato, mas que precisava concluir um levantamento e um parecer técnico-jurídico antes de tomar a decisão.
A entidade empresarial afirmou que a paralisação da elaboração do projeto afetava uma ligação considerada estratégica para a economia e a logística da região.
Em maio, ainda não havia definição
Um mês depois, em maio, lideranças municipais voltaram a cobrar agilidade do DNIT.
A discussão ainda estava concentrada em duas possibilidades: dar continuidade ao processo com a empresa vencedora ou desclassificá-la e permitir o avanço com outra empresa.
O que o DNIT informa sobre a ponte em 2026
Em publicação institucional sobre as prioridades para a Região Sul, o próprio DNIT incluiu entre os projetos de destaque para o Rio Grande do Sul em 2026 a construção da ponte entre São José do Norte e Rio Grande, na BR-101.
O registro, porém, trata a ponte como um projeto prioritário. Ele não confirma que a elaboração dos projetos básico e executivo esteja atualmente em andamento.
Na pesquisa realizada pelo Litoralmania, também não foi localizada, até esta atualização, uma confirmação pública do DNIT de que a segunda colocada tenha assumido o contrato ou de que a elaboração do projeto tenha sido efetivamente retomada.
Uma obra de cerca de R$ 1 bilhão
A dimensão do empreendimento ajuda a explicar por que a definição do projeto de engenharia é tão importante.
A etapa contratada pelo DNIT custa cerca de R$ 7,6 milhões. Já a futura construção da ponte foi estimada em aproximadamente R$ 1 bilhão.
Antes da licitação da obra, entretanto, é necessário concluir os estudos e projetos de engenharia que vão definir a solução técnica, o traçado e outras características da ligação.
Entre as alternativas estudadas estão diferentes combinações de traçado e soluções de ponte fixa ou móvel.
Ponte pode mudar a logística do Sul do Estado
A ligação entre Rio Grande e São José do Norte é atualmente feita por balsas e embarcações. A construção da ponte criaria uma ligação terrestre entre os dois municípios pela BR-101.
O empreendimento é apontado como estratégico para ampliar a integração rodoviária, facilitar o deslocamento entre os municípios e criar novas possibilidades para a logística ligada ao Porto do Rio Grande.
Também existe expectativa de impacto sobre investimentos, turismo e expansão das atividades econômicas no entorno de São José do Norte.
Estudos e discussões anteriores apontaram ainda o potencial de redução das distâncias rodoviárias para quem utiliza a BR-101 em direção ao restante do Rio Grande do Sul.
Por que a ponte ainda não pode ser considerada uma obra em construção
É importante separar três etapas diferentes.
- Projeto de engenharia: define tecnicamente como a ponte e seus acessos deverão ser construídos.
- Licitação da obra: seleciona a empresa responsável pela construção da estrutura.
- Construção: é a execução física da ponte e dos acessos.
O impasse de 2026 ocorreu na primeira dessas etapas. Por isso, apesar de a ponte ser tratada pelo DNIT como um projeto de destaque para o Estado, ela ainda não está em fase de construção.
O que falta para o projeto avançar
O primeiro ponto é a definição administrativa sobre o contrato de elaboração dos projetos de engenharia.
Caso a segunda colocada seja convocada, será necessário cumprir os procedimentos administrativos e contratuais para que a nova empresa possa assumir a elaboração dos estudos.
Somente depois da conclusão e aprovação dos projetos será possível avançar para a etapa de contratação da empresa que efetivamente construirá a ponte.
Uma promessa que mudou de prazo
Em 2025, o DNIT chegou a trabalhar com a expectativa de que a construção pudesse começar em 2026. Também havia previsão de que o projeto de engenharia avançasse para permitir a futura licitação da obra.
O impasse envolvendo a empresa vencedora alterou esse cenário.
Agora, a principal pergunta deixou de ser apenas quando a ponte será construída. Antes disso, é preciso saber quando o projeto de engenharia será efetivamente destravado.
O Litoralmania continuará acompanhando o processo e a eventual decisão do DNIT sobre a empresa responsável pelos projetos.

















