Prazo para tratar câncer pelo SUS deve começar a contar ao se descobrir a doença, exigem debatedores

A regulamentação da lei que estabelece prazo de até 60 dias após o diagnóstico de câncer para que o Sistema Único de Saúde (SUS) inicie o tratamento do paciente foi…
A regulamentação da lei que estabelece prazo de até 60 dias após o diagnóstico de câncer para que o Sistema Único de Saúde (SUS) inicie o tratamento do paciente foi discutida em audiência pública realizada nesta terça-feira (21) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A reunião ocorreu por iniciativa da senadora Ana Amélia (PP-RS), relatora da iniciativa aprovada no ano passado no Congresso Nacional.

De acordo com a Lei 12.732 de 2012, que começa a vigorar nesta semana, conforme lembrou a senadora Ana Amélia, a contagem do prazo para o início do tratamento de câncer no SUS deve começar no dia em que for firmado o diagnóstico com laudo patológico no sistema público de saúde.

A mesma opinião foi compartilhada pela presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Maira Caleffi. A médica mastologista que presidente a entidade ressaltou que o prazo deve começar a ser contado a partir da descoberta da doença. Os pacientes com sintomas, observou, levam de quatro a seis meses para conseguirem começar o tratamento no SUS. Segundo o Ministério da Saúde, ressaltou, 45% dos pacientes têm o primeiro atendimento quando a doença já está em estágio avançado (níveis 3 ou 4). Este percentual, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), frisou, chega a 52% dos pacientes.

– Apesar de termos pessoas com sintomas da doença, não estamos fazendo a nossa parte com o diagnóstico precoce – disse a presidente da Femama, acrescentando que quanto antes a doença for descoberta e iniciar o tratamento, maiores são as chances de recuperação.

Ela ainda destacou que a norma brasileira é tão “perfeita” que pode servir de manual para outros países, mas não poderá ser aplicada efetivamente no Brasil, por falta de infraestrutura e qualificação dos profissionais. Maira Caleffi disse que muitos prefeitos nem sabem da existência da lei, apesar de o governo federal afirmar que houve treinamento em todos os municípios.

– Só se o secretário de saúde do estado ou do município recebeu o treinamento e não repassou para os outros – disse.

O diagnóstico tardio também foi observado pelo defensor público da União, Ricardo Salviano. Ele reforçou que quanto mais cedo é diagnosticada a doença e iniciado o tratamento, maior a chance de cura e menores os gastos do Estado.

A senadora Ana Amélia disse ter ficado preocupada com a portaria do governo que prevê o início da contagem do prazo de 60 dias somente após o registro do paciente no SUS. Cobrou que seja estabelecida uma regra para que a partir do diagnóstico já seja cumprido o prazo estipulado pela nova lei. A parlamentar acrescentou que a vigilância do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública da União em relação ao assunto será importante nesse processo.

Deficiência logística

Apesar de ressaltar os avanços do SUS, o representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Jurandir Frutuoso, reconheceu que a efetivação total da lei vai demandar tempo. O sistema de saúde pública do país, destacou, ainda enfrenta problemas como o da concentração dos serviços e deficiência na logística. Como exemplo, ele citou a disparidade dos preços dos medicamentos adquiridos pela União se comparados aos comprados por estados e municípios.

No caso de remédios para tratamento de câncer, informou, a unidade de determinando medicamento foi comprada no ano passado pela União por cerca de R$ 3 mil, enquanto que algumas prefeituras do Nordeste adquiriram o remédio por mais de R$ 7 mil a unidade. Ele sugeriu que a centralização da compra de medicamentos para evitar que “estados e municípios fiquem nas mãos dos laboratórios”.

Em 2012, foram 518 mil internações de pacientes de câncer, com gasto de R$ 806 milhões, informou a coordenadora Geral de Atenção a Pessoas com Doenças Crônicas do Ministério da Saúde, Patrícia Sampaio Chueiri. Depois das doenças cardiovasculares, informou, o câncer é a segunda causa de morte dos brasileiros – com 179 mil mortes, em 2012. O câncer de mama é o que mais mata as mulheres, e o de próstata é o que mais afeta a população masculina, ressaltou.

Entre as ações do governo para reforçar o atendimento ao câncer, a coordenadora destacou a Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer; a própria regulamentação da “Lei dos 60 dias”; a implantação do Sistema de Informação do Câncer (Siscan), uma base de dados nacional que permitirá monitoramento do atendimento dos pacientes; o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), que oferece isenção fiscal em ações de prevenção e combate ao câncer; e o Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, que lançará edital para aquisição de 80 aceleradores lineares, aparelhos usados na radioterapia.

Corrupção

Receba as principais notícias no seu WhatsApp

Na opinião do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), os problemas da saúde pública não são decorrentes apenas de gestão ineficiente, mas da corrupção que atinge o setor. Segundo a Controladoria Geral da União, sublinhou, nos últimos cinco anos, foram desviados somente da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) cerca de R$ 500 milhões. Na avaliação do parlamentar, que é médico, é preciso melhorar a gestão e combater a corrupção, além de aumentar o maior percentual de investimento na saúde pública por parte da União.

Este conteúdo foi produzido em parceria com colaborador do Portal Litoralmania. O Litoralmania revisa, edita e publica o material assegurando qualidade, apuração e transparência, mantendo seu compromisso com informações confiáveis e bem fundamentadas.

Comentários

Comentários

Notícias relacionadas

Prazo para tratar câncer pelo SUS deve começar a contar ao se descobrir a doença, exigem debatedores

Prazo para tratar câncer pelo SUS deve começar a contar ao se descobrir a doença, exigem debatedores