Primavera terá chuva acima da média no Rio Grande do Sul sob influência de El Niño muito forte
A primavera de 2026 começou oficialmente nesta terça-feira (22) e traz um cenário de chuva acima da média no Rio Grande do Sul, associado principalmente à atuação de um El Niño que pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses.
O prognóstico climático elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), aponta anomalias positivas de precipitação em toda a Região Sul, com destaque para o território gaúcho.
Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, os acumulados no Rio Grande do Sul podem ficar até 200 milímetros acima da média histórica em algumas áreas, segundo o prognóstico oficial.
O que muda no tempo do Rio Grande do Sul
O cenário não significa que o Estado terá chuva todos os dias. A tendência é de maior frequência ou volume de episódios de precipitação, intercalados por períodos de menor instabilidade.
Na primavera, a passagem de frentes frias, a atuação de áreas de baixa pressão e a formação de sistemas convectivos podem provocar períodos de chuva forte e temporais.
O INMET destaca que, na Região Sul, essas condições podem favorecer rajadas de vento, descargas atmosféricas, queda de granizo e outros eventos de tempo severo.
El Niño deve ser um dos principais fatores da primavera
O fenômeno El Niño já está estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial e deve permanecer atuando durante a primavera e o verão de 2026/2027.
As projeções divulgadas pelo INMET apontam alta probabilidade de um El Niño muito forte durante o trimestre outubro-novembro-dezembro.
Historicamente, o fenômeno está associado a uma maior ocorrência de chuva na Região Sul do Brasil. No entanto, o comportamento do tempo em cada período depende também da atuação de frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas atmosféricos.
Por isso, a influência do El Niño deve ser entendida como um dos elementos que aumentam a tendência de chuva no Estado, e não como uma garantia de precipitação uniforme em todos os municípios.
Chuva pode aumentar risco de alagamentos e elevação de rios
Um dos pontos de atenção para a primavera é a possibilidade de concentração de grandes volumes de chuva em períodos relativamente curtos.
Quando isso ocorre, os impactos podem aparecer de forma localizada, principalmente em áreas urbanas, regiões próximas a rios e arroios e locais onde o solo já esteja saturado.
A previsão climática, portanto, não permite antecipar quais cidades terão enchentes ou alagamentos em determinada data. Esse tipo de situação depende da evolução dos sistemas meteorológicos e deve ser acompanhado pelas previsões de curto prazo e pelos avisos oficiais.
Vale do Taquari também aparece no cenário de atenção
Uma análise divulgada nesta quarta-feira (23) pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas da Univates reforça a tendência de chuva acima do padrão climatológico no Vale do Taquari.
Para outubro, os modelos analisados pela instituição indicam probabilidades de aproximadamente 50% a 60% para volumes acima da climatologia na região. Em novembro, esse sinal aumenta, chegando a faixas de aproximadamente 70% a 100% em algumas projeções.
Para dezembro, a tendência de precipitação acima do padrão também permanece elevada.
Na estação meteorológica da Univates, em Lajeado, a normal climatológica de precipitação para outubro, novembro e dezembro é de 552,3 milímetros.
Rio Taquari exige atenção especial
A análise da Univates chama atenção para um aspecto importante: não é apenas a chuva que cai diretamente no Vale do Taquari que influencia os níveis do Rio Taquari.
Volumes elevados nas porções média e alta da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas podem contribuir posteriormente para a elevação do rio nos municípios localizados a jusante.
Assim, episódios de chuva persistente ou de grande intensidade em pouco tempo podem favorecer alagamentos, enxurradas e elevação de rios e arroios, dependendo das condições anteriores da bacia e da distribuição espacial da precipitação.
E no Litoral Norte do RS?
O Litoral Norte também está inserido no cenário estadual de maior disponibilidade de chuva durante a primavera.
Para quem vive ou visita a região, porém, é importante separar a previsão climática de longo prazo da previsão do tempo para os próximos dias.
O prognóstico climático indica uma tendência para o conjunto da estação. Já a ocorrência de um temporal específico, a quantidade de chuva em determinada cidade ou a formação de uma frente fria precisam ser avaliadas pelas previsões de curto prazo.
Na prática, a combinação de calor, umidade e passagem de sistemas frontais pode favorecer episódios de instabilidade mais intensa também no litoral gaúcho.
Temperatura deve aumentar ao longo da primavera
A primavera também será marcada pela elevação gradual das temperaturas, mas o comportamento não será igual em todo o Rio Grande do Sul.
Segundo o prognóstico do INMET, a região central e o leste do Estado apresentam previsão de temperaturas próximas da média no trimestre outubro-novembro-dezembro.
No oeste e no sul gaúcho, a previsão indica temperaturas ligeiramente abaixo da média.
Isso não elimina a possibilidade de períodos de calor. A própria dinâmica da primavera favorece a alternância entre massas de ar frio e períodos de aquecimento.
Frio ainda pode aparecer no início da estação
Apesar do avanço da primavera, episódios de frio tardio ainda podem ocorrer nas primeiras semanas da estação.
A passagem de massas de ar frio associadas a sistemas frontais pode provocar quedas temporárias de temperatura, especialmente após a chegada de frentes frias.
Depois desses episódios, a entrada de ventos do quadrante norte pode favorecer uma rápida elevação das temperaturas antes da chegada de novos sistemas.
Primavera pode ter temporais mais intensos
Outro ponto importante é a combinação entre calor, umidade e frentes frias.
Esse cenário favorece a formação de tempestades, que podem apresentar descargas elétricas, rajadas de vento e eventual queda de granizo.
Em determinadas situações, o contraste entre massas de ar pode contribuir para eventos de tempo severo. Por isso, o acompanhamento dos avisos meteorológicos será especialmente importante durante a estação.
O que esperar dos próximos meses no RS
- Chuva: tendência de volumes acima da média em grande parte do Rio Grande do Sul.
- Temporais: possibilidade de episódios de chuva intensa, vento forte, raios e granizo.
- Rios: chuvas volumosas podem elevar níveis de rios e arroios, dependendo da distribuição e da duração dos eventos.
- Temperatura: tendência de aumento gradual ao longo da primavera, mas com possibilidade de novas incursões de ar frio.
- El Niño: o fenômeno deve permanecer como um dos principais fatores de influência sobre o padrão climático da Região Sul.
- Previsão: o prognóstico climático mostra tendências para os próximos meses, enquanto os detalhes de cada episódio precisam ser acompanhados nas previsões de curto prazo.
Primavera começa com cenário que exige acompanhamento
O cenário climático para o Rio Grande do Sul combina uma tendência de chuva acima da média com a possibilidade de períodos de tempo severo ao longo da primavera.
A influência de um El Niño muito forte aumenta a importância do monitoramento, especialmente em períodos de atuação de frentes frias e sistemas de baixa pressão.
Para a população, o principal ponto de atenção será acompanhar a atualização das previsões e dos avisos meteorológicos quando houver mudança nas condições do tempo.
O prognóstico também reforça que uma primavera mais chuvosa não significa chuva constante. A estação deve apresentar alternância entre períodos de estabilidade, aquecimento, passagem de frentes frias e episódios de instabilidade que podem concentrar volumes elevados em pouco tempo.
O cenário, portanto, é de uma primavera com maior potencial para chuva e temporais no Rio Grande do Sul, mas com grande variação de um município para outro e de uma semana para outra.

















