Prisão na Espanha marca novo capítulo em golpe que usava nome de criança do RS

O principal investigado por usar o nome de uma criança gaúcha com doença rara para aplicar fraudes foi preso nesta semana na Espanha, após cooperação internacional entre autoridades brasileiras e…
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O principal investigado por usar o nome de uma criança gaúcha com doença rara para aplicar fraudes foi preso nesta semana na Espanha, após cooperação internacional entre autoridades brasileiras e espanholas.

Prisão na Espanha representa avanço em investigação da Polícia Civil do RS

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou a captura do homem de 30 anos, morador de Curitiba (PR), apontado como um dos principais integrantes da organização criminosa investigada pela Operação Eclipse.

Ele é alvo do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), responsável pela investigação que revelou um sofisticado esquema de arrecadações fraudulentas utilizando a imagem de uma criança gaúcha diagnosticada com uma doença rara.

A prisão ocorreu na Espanha, país para onde o investigado havia viajado apenas dois dias antes do cumprimento dos mandados judiciais realizados em maio nos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Até o momento, as autoridades não divulgaram em qual cidade espanhola ocorreu a captura nem detalhes sobre eventual processo de extradição.

Como funcionava o golpe das falsas campanhas solidárias

Segundo a investigação, o grupo criminoso monitorava campanhas legítimas de arrecadação divulgadas pela família de Lorenzo Silveira, de 12 anos, diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne.

Após localizar uma vaquinha verdadeira, os criminosos copiavam praticamente toda sua estrutura.

Etapas do esquema criminoso

  • Identificação de campanhas oficiais de arrecadação.
  • Clonagem da identidade visual das páginas.
  • Uso das mesmas fotografias, vídeos e textos da campanha original.
  • Registro de páginas e domínios semelhantes aos oficiais.
  • Criação de novas chaves Pix para recebimento dos valores.
  • Impulsionamento pago em redes sociais para alcançar milhares de pessoas.
  • Desvio integral das doações para contas controladas pela organização.

De acordo com o delegado Eibert Moreira Neto, muitas pessoas acreditavam estar ajudando Lorenzo, quando na realidade transferiam dinheiro diretamente aos criminosos.

Estrutura digital altamente organizada

As investigações revelaram que o grupo possuía uma estrutura tecnológica considerada sofisticada para esse tipo de crime.

Recursos identificados pela Polícia Civil

  • Domínios fraudulentos hospedados em servidores internacionais.
  • Campanhas patrocinadas com investimento em tráfego pago.
  • Perfis falsos reproduzindo páginas oficiais.
  • Estrutura financeira complexa para movimentação dos recursos.
  • Empresas utilizadas para ocultação das movimentações financeiras.
  • Grande volume bancário, com movimentações milionárias identificadas durante a investigação.

Segundo a Polícia Civil, o investigado preso na Espanha seria justamente o responsável pela estrutura financeira utilizada para receber, distribuir e ocultar os recursos obtidos com as fraudes.

Campanhas falsas arrecadaram centenas de milhares de reais

Durante a apuração, os investigadores identificaram que apenas uma das campanhas fraudulentas chegou a apresentar arrecadação superior a R$ 248 mil.

Além disso, contas ligadas às empresas utilizadas pelo grupo registraram movimentações consideradas milionárias.

A Polícia Civil acredita que centenas de pessoas tenham sido enganadas pelas falsas campanhas, embora o número total de vítimas ainda esteja sendo apurado.

Família descobriu golpe no fim de 2024

A investigação começou depois que a família de Lorenzo percebeu que o nome, as imagens e os vídeos do menino estavam sendo utilizados sem autorização em campanhas falsas.

Na época, os pais localizaram pelo menos cinco falsas arrecadações circulando simultaneamente na internet.

A família mantém apenas uma página oficial e verificada no Instagram para divulgar informações sobre o tratamento e pedidos legítimos de ajuda.

Operação Eclipse identificou três principais suspeitos

A Operação Eclipse, deflagrada em maio, cumpriu mandados em quatro estados brasileiros.

As investigações identificaram três principais envolvidos na organização criminosa.

O homem preso agora na Espanha é apontado como aquele que teria obtido o maior benefício financeiro dentro do esquema.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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