Caso de raiva em Osório: bovino testa positivo e animais apresentam sintomas em outras áreas

Caso de raiva em Osório: bovino testa positivo e animais apresentam sintomas em outras áreas

Um caso de raiva em bovino foi confirmado por exame laboratorial em Osório, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O animal era da localidade da Goiabeira e o diagnóstico ocorreu em setembro.

O alerta ganhou ainda mais importância porque animais de outras duas localidades rurais do município, Livramento e Sertão, apresentaram sintomas compatíveis com a doença.

Até o momento, porém, o material divulgado pelas autoridades municipais não informa confirmação laboratorial de raiva nesses animais.

A situação levou a Vigilância Ambiental a reforçar as orientações aos produtores rurais, especialmente sobre a identificação de sinais neurológicos, a vacinação dos rebanhos e a comunicação imediata de qualquer suspeita à Inspetoria Veterinária.

Raiva confirmada na Goiabeira

O caso confirmado ocorreu na localidade da Goiabeira. O diagnóstico laboratorial comprovou a presença da doença em um bovino.

Segundo o alerta divulgado em Osório, também houve animais apresentando sinais compatíveis com raiva nas localidades de Livramento e Sertão.

É importante diferenciar as situações: a confirmação laboratorial mencionada pelas autoridades refere-se ao animal da Goiabeira. Nos demais locais, até as informações divulgadas, há registros de animais com sintomas compatíveis.

Por que a raiva bovina exige atenção imediata?

A raiva é uma zoonose viral que pode atingir todos os mamíferos, inclusive seres humanos. A doença compromete o sistema nervoso e, depois do desenvolvimento do quadro clínico, apresenta altíssima letalidade.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classifica a raiva como uma enfermidade de notificação obrigatória. Isso significa que a suspeita deve ser comunicada imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.

Nas áreas rurais brasileiras, a transmissão aos ruminantes domésticos está associada principalmente ao morcego hematófago da espécie Desmodus rotundus, que se alimenta de sangue.

Quais são os sinais de raiva em bovinos?

Produtores devem observar mudanças de comportamento e, principalmente, alterações neurológicas nos animais.

Entre os sinais que podem aparecer em bovinos, equinos, caprinos, ovinos e suínos estão:

  • isolamento do animal em relação ao restante do rebanho;
  • dificuldade para permanecer em pé;
  • andar cambaleante;
  • quedas frequentes;
  • paralisia, principalmente dos membros traseiros;
  • salivação intensa e viscosa;
  • tremores musculares;
  • animal permanecendo caído;
  • movimentos de pedalagem quando está no chão.

O Mapa também relaciona entre os sinais neurológicos da raiva em herbívoros o isolamento, andar cambaleante, paralisia, tremores musculares, salivação e decúbito.

Não toque em animal com suspeita de raiva

Uma das principais recomendações aos produtores é não manipular um animal que apresente sinais suspeitos.

Também deve ser evitado o contato com saliva e outras secreções. O responsável pela propriedade deve comunicar imediatamente a situação à Inspetoria Veterinária para que o Serviço Veterinário Oficial possa investigar o caso e, quando necessário, realizar a coleta de material para diagnóstico.

A notificação não deve ser feita apenas quando há morte do animal. A legislação sanitária determina a comunicação da própria suspeita de raiva.

Morcegos hematófagos são ponto de atenção nas propriedades

Outro sinal de alerta é a identificação de animais com marcas de ataques de morcegos ou a localização de possíveis abrigos de morcegos hematófagos.

O produtor deve informar a situação ao Serviço Veterinário Oficial e não tentar capturar ou manipular morcegos por conta própria.

O Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros prevê, entre suas estratégias, o monitoramento de abrigos e da atividade de morcegos hematófagos, a investigação de casos suspeitos, o diagnóstico laboratorial e a vacinação estratégica dos herbívoros.

Vacinação é uma das principais formas de prevenção

A vacinação dos animais é uma das medidas utilizadas para prevenir e controlar a raiva no meio rural.

Em áreas onde ocorre raiva, o programa oficial prevê vacinação sistemática de bovídeos e equídeos, conforme orientação do Serviço Veterinário Oficial e do médico-veterinário.

Por isso, diante do caso confirmado em Osório, produtores devem buscar orientação da Inspetoria Veterinária sobre a vacinação e as medidas sanitárias indicadas para cada propriedade, especialmente nas áreas relacionadas às ocorrências.

Raiva também oferece risco às pessoas

Por ser uma zoonose, o alerta não se restringe aos animais. Pessoas expostas à saliva de um animal infectado podem correr risco de transmissão.

A médica-veterinária da Vigilância Ambiental de Osório, Anne Marth, orienta que qualquer pessoa que tenha tido contato de risco com animal suspeito procure atendimento.

“Qualquer pessoa que tenha tido contato com um animal suspeito, ou tenha sido mordida ou arranhada, deve lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde para receber orientação e avaliação”, recomenda.

A orientação está alinhada à Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, que recomenda lavar imediatamente com água corrente e sabão o local de possível exposição por mordida, arranhão ou lambedura e procurar assistência de saúde para avaliação da necessidade de profilaxia antirrábica.

E cães e gatos? Quais sinais podem aparecer?

Nos animais domésticos, alterações importantes também precisam ser observadas. Em cães e gatos, o alerta municipal cita sinais como:

  • mudança repentina de comportamento;
  • agressividade sem motivo aparente;
  • alteração no som do latido ou miado;
  • pupilas dilatadas;
  • olhar fixo;
  • salivação excessiva;
  • dificuldade para engolir;
  • perda de coordenação;
  • paralisia;
  • dificuldade respiratória.

Animais nessas condições não devem ser manipulados sem orientação profissional.

O que o produtor de Osório deve fazer agora?

Segundo Anne Marth, a confirmação do caso e a ocorrência de animais com sinais compatíveis em diferentes localidades exigem atenção redobrada.

“Diante da confirmação de um caso e da ocorrência de animais com sinais compatíveis em diferentes localidades, a recomendação é para que os produtores rurais redobrem a atenção com seus rebanhos, não manipulem animais suspeitos e comuniquem imediatamente qualquer ocorrência à Inspetoria Veterinária/SEAPI”, orienta.

Direto ao Ponto

Onde houve caso confirmado?
Na localidade da Goiabeira, em Osório.

Quando?
O diagnóstico laboratorial foi confirmado em setembro.

Há outros casos confirmados?
O comunicado informa animais com sintomas compatíveis nas localidades de Livramento e Sertão, mas não informa confirmação laboratorial nesses casos.

O que fazer ao encontrar animal suspeito?
Não manipular o animal e comunicar imediatamente a Inspetoria Veterinária.

E se houver morcegos?
Não capturar nem manipular. A presença de morcegos hematófagos ou sinais de ataques nos animais deve ser comunicada aos órgãos responsáveis.

Houve contato de uma pessoa com animal suspeito?
Lavar imediatamente a área exposta com água e sabão e procurar uma unidade de saúde para avaliação.

Telefones para comunicar suspeitas em Osório

Produtores e moradores podem utilizar os seguintes canais:

  • Inspetoria Veterinária: (51) 3663-1819;
  • Vigilância Ambiental de Osório: (51) 3601-3316;
  • Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca: (51) 99780-9158.

A identificação precoce dos animais suspeitos e a comunicação às autoridades permitem iniciar a investigação sanitária e adotar medidas para reduzir o risco de novos casos nos rebanhos e de exposição de pessoas.

Perguntas frequentes sobre raiva bovina

Raiva bovina pode passar para seres humanos?

Sim. A raiva é uma zoonose e todos os mamíferos são suscetíveis. A transmissão está relacionada principalmente ao contato da saliva infectada com ferimentos ou mucosas, incluindo situações de mordida e arranhão.

Um bovino com suspeita de raiva pode ser tocado?

A orientação é não manipular o animal suspeito. O produtor deve manter distância e comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial.

Quem transmite raiva para bovinos?

No meio rural brasileiro, o principal transmissor para os herbívoros é o morcego hematófago Desmodus rotundus.

Encontrar morcego na propriedade significa que há raiva?

Não. A simples presença de um morcego não confirma circulação do vírus. No entanto, a existência de abrigos de morcegos hematófagos ou animais apresentando marcas de ataques deve ser comunicada ao Serviço Veterinário Oficial para avaliação.

A raiva tem cura?

Nos animais, depois do desenvolvimento dos sinais clínicos, a raiva é considerada uma doença fatal. Por isso, vacinação, vigilância e comunicação rápida das suspeitas são fundamentais.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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