Vento perto de 100 km/h causa estragos no RS e deixa pessoas fora de casa

Rajadas de vento chegam a 98 km/h e causam estragos em cidades do Rio Grande do Sul Fortes rajadas de vento voltaram a atingir o Rio Grande do Sul neste…
Vento perto de 100 km/h causa estragos no RS e deixa pessoas fora de casa

Rajadas de vento chegam a 98 km/h e causam estragos em cidades do Rio Grande do Sul

Fortes rajadas de vento voltaram a atingir o Rio Grande do Sul neste sábado (18), alcançando 98 km/h e provocando destelhamentos, quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e outros danos em diferentes regiões.

Conforme os registros divulgados, 10 pessoas estavam desalojadas em três municípios, enquanto o risco de vento forte permanece neste domingo (19).

Um aspecto ajuda a entender o episódio: nem todas as rajadas registradas no estado foram provocadas por temporais. Os ventos tiveram duas origens distintas, dependendo da região.

No Sul gaúcho, as rajadas mais intensas estiveram associadas a temporais e à proximidade de nuvens de tempestade. Em grande parte das demais regiões, porém, o vento forte ocorreu sob influência de uma intensa corrente de jato em baixos níveis, responsável por vento Norte quente e seco.

Onde o vento foi mais forte no Rio Grande do Sul?

A maior rajada informada no sábado ocorreu em Santa Vitória do Palmar, com 98 km/h. Arroio Grande registrou 93 km/h, enquanto Jaguarão chegou a 87 km/h.

Também foram registradas rajadas de 82 km/h em Aceguá, 79 km/h em Herval, 77 km/h em Pedras Altas e 72 km/h em Pinheiro Machado.

Nessas áreas do Sul do estado, os ventos estiveram relacionados à atuação de temporais.

Vento de 95 km/h ocorreu sem temporal em outras regiões

Em outras áreas do Rio Grande do Sul, a explicação meteorológica foi diferente. As fortes rajadas ocorreram associadas ao vento Norte gerado por uma corrente de jato em baixos níveis, com presença de ar quente e seco, e não necessariamente pela passagem de uma tempestade.

Campo Bom registrou 95 km/h, seguido por Rolante, com 90 km/h, e Bom Princípio, com 89 km/h.

As rajadas chegaram ainda a 87 km/h em Barra do Ribeiro, 83 km/h em São Gabriel, 79 km/h em Eldorado do Sul, 78 km/h em Júlio de Castilhos e 77 km/h em Soledade e Santa Maria.

Teutônia, Santana do Livramento e São José dos Ausentes tiveram registros de 76 km/h. Em Jaguari e Canela, as rajadas alcançaram 71 km/h.

Por que pode ventar forte mesmo sem temporal?

O episódio chama atenção justamente porque vento intenso nem sempre significa que uma tempestade esteja ocorrendo sobre uma determinada cidade.

No caso relatado em grande parte do Rio Grande do Sul, as rajadas estiveram relacionadas a uma corrente de jato em baixos níveis, uma faixa de ventos intensos que atua nas camadas mais baixas da atmosfera.

Por isso, municípios puderam registrar vento Norte muito forte mesmo sob condições de tempo quente e seco. A situação foi diferente no Sul gaúcho, onde as rajadas mais intensas estiveram associadas a temporais.

Essa distinção é relevante para compreender os registros deste episódio: danos provocados pelo vento em uma cidade não significam, por si só, que tenha ocorrido um temporal naquele local.

Vento causa destelhamentos e queda de árvores

Os episódios de vento forte registrados desde sexta-feira (17) deixaram danos em diferentes pontos do estado.

Entre as ocorrências comunicadas estão destelhamentos de residências, quedas de árvores e postes, bloqueios de vias, falta de energia elétrica e danos em prédios públicos e particulares.

Em Alegrete, inicialmente foram informados danos nos telhados de dez residências nos bairros José de Abreu, Inês, Getúlio Vargas e Santos Dumont. Cinco pessoas, de duas famílias, ficaram desalojadas.

Em Arroio Grande, foram registrados danos nos telhados de 16 residências e no prédio da Prefeitura.

Em Bagé, quedas de árvores e postes provocaram interrupções de energia e bloqueios em vias. Posteriormente, também foram relatados danos nos telhados de oito residências. Conforme a atualização apresentada, a energia foi restabelecida e as vias desobstruídas.

Santa Maria concentra sucessivos registros de danos

Santa Maria teve diversas ocorrências relacionadas ao vento.

Os primeiros relatos apontaram danos nos telhados de cinco residências nos bairros Divina Providência, Noal, Passo da Areia e Patronato, além da queda de um tapume no Centro.

Uma atualização acrescentou danos em outras sete residências nos bairros KM3, Urlândia, Nova Santa Marta, Parque Pinheiro Machado, Perpétuo Socorro e Salgado Filho.

Novas ocorrências foram registradas posteriormente, envolvendo outras residências e bairros da cidade. Na madrugada deste domingo (19), houve ainda informação de danos nos telhados de mais três residências.

Quais cidades comunicaram estragos?

Além dos municípios com maior número de ocorrências, houve registros de danos ou transtornos em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

  • Aceguá: danos no telhado de uma residência;
  • Agudo: danos no telhado de uma propriedade rural;
  • Cerro Branco: danos no telhado de uma residência no interior;
  • Gramado: queda de árvores e galhos na RS-115 e sobre a rede elétrica;
  • Jaguari: danos no telhado de uma residência e queda de árvore;
  • Novo Cabrais: danos no telhado de uma residência;
  • Paraíso do Sul: problemas no abastecimento de energia elétrica e água;
  • Pinheiro Machado: danos em placas de publicidade e queda de árvore;
  • Quaraí: queda de uma estrutura em construção que atingiu uma residência;
  • Santa Vitória do Palmar: danos na garagem de uma residência;
  • Santiago: queda de vegetação na BR-287, posteriormente retirada;
  • Santo Ângelo: danos no telhado de uma residência;
  • São Borja: danos em residência e quedas de árvores;
  • São Francisco de Assis: danos em residências, igreja e farmácia, além de quedas de vegetação e interrupção de energia;
  • São Martinho da Serra: danos em seis residências e um CTG, além de queda de vegetação;
  • São Pedro do Sul: danos no telhado de uma escola e queda de árvore;
  • Uruguaiana: queda de árvore atingindo parte de uma residência e registro posterior de danos em telhados.

Dez pessoas ficaram desalojadas

O levantamento apresentado aponta 10 pessoas desalojadas em decorrência dos episódios registrados no estado.

São cinco pessoas em Alegrete, três em São Borja e duas em Cerro Branco.

O número representa pessoas que precisaram deixar temporariamente suas residências, conforme os dados informados no balanço.

Risco de vento forte continua neste domingo

A atenção permanece neste domingo (19). A previsão apresentada indica risco de vento Norte muito forte no Oeste, Centro e Metade Norte do Rio Grande do Sul.

Ao longo do dia, o cenário também prevê possibilidade de vendavais isolados associados a temporais no Oeste, Centro e Sul do estado.

Assim como ocorreu no sábado, é necessário diferenciar os fenômenos: parte das áreas pode enfrentar vento Norte intenso, enquanto rajadas localizadas em outras regiões podem estar diretamente relacionadas à formação de temporais.

O que muda para o Litoral Norte?

Entre os registros apresentados, Rolante chegou a 90 km/h, enquanto Canela registrou 71 km/h. O balanço de danos citado não aponta, até a atualização utilizada nesta reportagem, ocorrências nos municípios do Litoral Norte.

A previsão, entretanto, mantém risco de vento Norte forte na Metade Norte do estado neste domingo. Moradores devem acompanhar as atualizações meteorológicas e os comunicados dos órgãos oficiais ao longo do dia, especialmente diante de mudanças rápidas nas condições do tempo.

Análise do Editor: a origem do vento muda a leitura do episódio

O principal ponto para compreender os eventos deste fim de semana é a existência de dois mecanismos diferentes capazes de produzir rajadas intensas.

Os números, isoladamente, mostram ventos próximos dos 100 km/h em diferentes municípios. Meteorologicamente, porém, os episódios não tiveram necessariamente a mesma causa.

No Sul, os registros mais intensos estiveram associados a temporais. Em outras áreas, o vento Norte quente e seco foi suficiente para produzir rajadas fortes e causar danos mesmo sem tempestades sobre as cidades atingidas.

Essa diferença ajuda o leitor a entender por que uma sequência de destelhamentos, quedas de árvores e interrupções de energia pode ocorrer mesmo em locais onde não houve chuva ou temporal no momento das rajadas.

Receba as principais notícias no seu celular

Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

Publicidade

Notícias relacionadas

Vento perto de 100 km/h causa estragos no RS e deixa pessoas fora de casa